A Coins, plataforma global de movimentação financeira por trás da Coins.ph nas Filipinas e da Coins.xyz no mercado internacional, anunciou nesta semana a abertura de um corredor europeu em parceria com a Clear Junction, provedora britânica de infraestrutura de pagamentos.
A expansão dá acesso a redes em euro (EUR) e libra esterlina (GBP), além de IBANs virtuais nominativos para clientes corporativos.
A seguir:
- O que a parceria com a Clear Junction abre de concreto para empresas brasileiras
- Por que a Coins posiciona o Brasil como centro da sua estratégia global
- Como a infraestrutura da Coins.xyz funciona para empresas que operam com PIX e stablecoins
O anúncio coincide com a visita ao Brasil do fundador e CEO Wei Zhou, ex-CFO da Binance, que se reuniu com parceiros, clientes e reguladores locais. A mensagem foi direta: o Brasil é um dos mercados de crescimento mais acelerado da Coins e o principal hub da empresa para liquidez de stablecoins na América Latina.
O que a expansão europeia muda na prática
Com a parceria com a Clear Junction, as empresas que operam pela Coins.xyz ganham acesso a três sistemas de pagamento europeus: SEPA Credit, SEPA Instant e Faster Payments, o sistema de transferências em libra esterlina do Reino Unido. Isso significa que uma empresa brasileira pode receber pagamentos em EUR ou GBP diretamente, sem precisar ter entidade legal estabelecida na Europa.
O IBANs nominativo virtual para clientes corporativos é o elemento mais relevante dessa estrutura. Ele permite que empresas brasileiras tenham uma conta identificada em nome próprio no sistema bancário europeu, viabilizando recebimentos de clientes e parceiros europeus sem depender de intermediários locais.
O corredor Brasil-Europa-Ásia
A expansão europeia se soma à presença já consolidada da Coins no Sudeste Asiático, com operações na Tailândia e participação nos principais fóruns da indústria da região.
O resultado é um corredor triangular: empresas brasileiras podem receber em EUR, GBP ou moedas asiáticas, converter via stablecoins lastreadas em dólar e liquidar em reais pelo PIX, tudo dentro de uma única plataforma.
Por que o Brasil está no centro da estratégia
Lançada no Brasil em 2025, a Coins.xyz foi construída para eliminar barreiras históricas de operação financeira internacional para empresas locais. A plataforma permite processar depósitos e saques via PIX, gerenciar liquidez em reais e stablecoins lastreadas em dólar, fazer hedge cambial, acessar operações OTC e conectar sistemas via API escalável, tudo sem a necessidade de abrir uma entidade local.
Esse conjunto tornou o Brasil um dos principais hubs da Coins para liquidez de stablecoins disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Nesse sentido, a demanda brasileira por dólar digital via USDT, que representa cerca de 90% das transações cripto reportadas à Receita Federal, cria um mercado natural para o que a Coins oferece.
O perfil de cliente que a empresa mira
O foco declarado são empresas com fluxo internacional: agregadores de pagamento, plataformas de e-commerce, empresas de games e serviços digitais. Para esse perfil, a proposta é uma plataforma única para receber, converter e enviar recursos em múltiplas moedas e corredores, combinando liquidação em stablecoins com meios de pagamento locais como o PIX.
“Nossa prioridade no Brasil é oferecer às empresas locais um conjunto de ferramentas genuinamente global. Cada novo corredor internacional que adicionamos fortalece ainda mais a nossa oferta no mercado brasileiro”, afirmou Guilherme Bissoli, Country Manager da Coins Brasil.
O contexto regulatório que a Coins precisa navegar
A expansão da Coins no Brasil acontece num momento de redesenho acelerado das regras do setor. O Banco Central publicou nesta mesma semana a Resolução BCB 580, que enquadra PSAVs como instituições financeiras do Tipo 3, com exigências prudenciais a partir de janeiro de 2027. Paralelamente, o debate sobre o PL 4308/24 coloca em discussão como stablecoins usadas em pagamentos internacionais devem ser supervisionadas.
Para plataformas como a Coins.xyz, que operam exatamente nessa interseção entre stablecoins, câmbio e pagamentos internacionais, o ambiente regulatório brasileiro em construção representa tanto uma oportunidade de se posicionar cedo quanto um risco de mudança de regras no meio do jogo.
“O Brasil é um pilar fundamental da nossa estratégia global, e a expansão da nossa rede, especialmente com os novos corredores para Europa e Ásia, reforça nosso compromisso em capacitar empresas com uma infraestrutura de movimentação financeira global, eficiente e verdadeiramente sem fronteiras”, afirmou Wei Zhou.
Por fim, a visita do CEO ao Brasil não é detalhe de relações públicas. É um sinal de que o mercado brasileiro passou de aposta regional para posição estratégica na rede global que a Coins está construindo.


