A seguir:
- 2025 registrou mais de 11,5 milhões de criptomoedas mortas, maior número da história.
- Facilidade de criação de memecoins impulsionou projetos sem valor real, aumentando prejuízos.
- Bitcoin resistiu ao colapso, reforçando sua posição frente às criptomoedas mortas.
O mercado de ativos digitais terminou 2025 com uma estatística preocupante. O total de criptomoedas mortas alcançou um recorde histórico, evidenciando um período de intensa correção e um excesso de projetos sem aplicação prática.
De acordo com dados consolidados pelo CoinGecko, mais de 11,5 milhões de tokens foram eliminados ao longo do ano.
Esse cenário, embora preocupante, também reforça um alerta importante para investidores. Afinal, o crescimento desordenado de criptomoedas mortas em 2025 escancarou os riscos da especulação extrema, especialmente no segmento de memecoins.
Ao mesmo tempo, o fenômeno evidenciou a fragmentação da comunidade cripto após o boom iniciado em 2021.
Criptomoedas mortas em 2025 batem marca inédita
De acordo com o relatório divulgado pelo CoinGecko em 14 de janeiro, 2025 concentrou 86% de todas as mortes de criptomoedas registradas desde 2021.
Em termos práticos, isso significa quase 1 milhão de tokens extintos por mês, uma média jamais vista no setor.
Para efeito de comparação, em 2024 o mercado já havia registrado 1,38 milhão de criptomoedas mortas, número considerado elevado à época.
No entanto, o salto observado em 2025 superou qualquer projeção anterior, consolidando o ano como o mais destrutivo para projetos sem fundamento.
Esse aumento expressivo revela um mercado saturado, no qual milhares de tokens surgem diariamente sem proposta clara, utilidade prática ou sustentabilidade financeira.
Facilidade de criação impulsiona criptomoedas mortas
Grande parte desse fenômeno se explica pela facilidade técnica para criar novos tokens. Redes como Solana e Tron popularizaram verdadeiras “fábricas de memecoins”, permitindo lançamentos em poucos minutos e com custo quase nulo.
Plataformas como a Pump.fun, por exemplo, geram milhares de tokens todos os dias, normalmente vinculados a memes efêmeros ou tendências passageiras das mídias sociais.
Como consequência, a maioria dessas moedas perde rapidamente a liquidez e é considerada uma criptomoeda morta já nos primeiros dias de vida.
Esse modelo alimenta um ciclo de criação e destruição constante, no qual poucos ganham e muitos acumulam prejuízos.
Dados anuais reforçam explosão de criptomoedas mortas
O levantamento do CoinGecko mostra a evolução clara desse problema ao longo dos últimos anos:
- 2021: 2.584 tokens
- 2022: 213.075 tokens
- 2023: 245.049 tokens
- 2024: 1.382.010 tokens
- 2025: 11.564.909 tokens
Os números deixam evidente a escalada do problema, especialmente após a popularização das memecoins e da especulação de curtíssimo prazo.
Colapso no fim do ano acelerou mortes de criptomoedas
Outro fator decisivo para o aumento das criptomoedas mortas em 2025 ocorreu no último trimestre. Somente entre outubro e dezembro, 7,7 milhões de tokens colapsaram, representando cerca de 35% de todas as mortes registradas no ano.
Segundo o relatório, esse movimento se intensificou após a cascata de liquidações de 10 de outubro, quando aproximadamente US$ 19 bilhões em posições alavancadas foram eliminados em apenas 24 horas. O evento marcou a maior desalavancagem diária da história do mercado cripto.
A partir desse ponto, projetos frágeis não resistiram, acelerando ainda mais o desaparecimento de tokens sem base econômica sólida.
Bitcoin escapa e reforça papel como reserva de valor
Enquanto milhões de altcoins desapareceram, o Bitcoin apresentou um desempenho curioso em 2025.
Mesmo enfrentando desvalorização ao longo do ano, a principal criptomoeda do mercado não registrou nenhuma morte pública, reforçando sua maturidade e resiliência.
Esse contraste evidencia uma separação cada vez mais clara entre ativos consolidados e projetos puramente especulativos, tendência que deve continuar nos próximos ciclos.
Billy Markus, cofundador da Dogecoin e conhecido como Shibetoshi Nakamoto, comentou o cenário atual de criptomoedas mortas.
Para ele, a comunidade cripto perdeu coesão devido ao excesso de tokens lançados sem propósito.
Segundo Markus, o auge da comunidade ocorreu em 2021. Desde então, o mercado passou a conviver com spam de novos projetos, fragmentação e perda de engajamento.
Ele ainda destacou um ponto central: não existe dinheiro e atenção suficientes para sustentar milhões de tokens ao mesmo tempo.
“Isso é matemática básica. O excesso só gera ruído”, afirmou.


