O cenário das finanças descentralizadas (DeFi) para 2026 desenha um ecossistema que finalmente deixou a fase de “experimentação” para trás.
O que vemos agora é um setor muito mais robusto, onde a entrada pesada de investidores institucionais e a digitalização de ativos reais ditam o ritmo do jogo.
A seguir:
- O salto dos RWAs e a entrada das instituições
- Crédito onchain e o mercado de derivativos
- O desafio da composabilidade
O ano de 2026 consolida o DeFi como um competidor de peso frente ao modelo bancário convencional, fruto de uma evolução que começou lá atrás, em 2025, e que agora deve colher os frutos de uma infraestrutura muito mais resiliente e profissional.
Nesse cenário, investidores, empresas e desenvolvedores passam a enxergar o DeFi não mais como experimento, mas como infraestrutura financeira em evolução.
Ao longo de 2025, o DeFi avançou em sua curva de maturidade. Além disso, o setor apresentou ciclos de crédito mais claros, maior entrada de capital institucional e mercados de negociação mais eficientes.
Como resultado, as perspectivas para 2026 apontam para um ecossistema mais resiliente, porém mais sensível a riscos sistêmicos.
A retomada do crédito onchain
Se 2026 consolida o DeFi, o crédito onchain é, sem dúvida, o combustível desse motor. Olhando para o retrovisor, 2025 foi um ano de resiliência: os empréstimos em protocolos descentralizados saltaram mais de 37%.
Embora esse crescimento tenha sido um pouco mais tímido que a explosão das stablecoins, o segundo semestre de 2025 deixou claro que o “apetite pelo risco” voltou à mesa. Não se trata apenas de volume, mas de como esse crédito está sendo distribuído.
A batalha pela liquidez
O mercado atual assiste a uma dinâmica interessante de forças:
- A hegemonia da Aave: A gigante reforçou seu trono, não apenas aumentando sua fatia de mercado, mas fincando bandeira em múltiplas redes.
- A agilidade da Morpho: Por outro lado, vemos protocolos como a Morpho ganhando terreno ao “comer pelas bordas”, explorando novos mercados e canais de distribuição que antes eram ignorados.
Essa briga é excelente para o usuário final. Com mais concorrentes, a concentração diminui e as taxas tornam-se muito mais competitivas.
O avanço sobre o mundo Corporativo
Talvez a mudança mais significativa seja a fronteira do crédito privado. Plataformas como a Maple provaram que o DeFi não é apenas para “nativos cripto”. Ao trazer empréstimos corporativos para dentro da blockchain, elas abriram as portas para empresas tradicionais buscarem capital de forma mais ágil.
Perspectivas do DeFi em 2026 impulsionadas pelos RWAs tokenizados
Outro pilar central das perspectivas do DeFi em 2026 envolve os ativos do mundo real tokenizados, conhecidos como RWAs. Em 2025, esse mercado ultrapassou um ponto de inflexão. O valor de RWAs públicos tokenizados mais que triplicou, alcançando cerca de US$ 16,7 bilhões.
Instituições financeiras passaram a utilizar blockchains como canal legítimo de emissão e distribuição. Produtos lastreados em títulos do Tesouro dos EUA, commodities e fundos institucionais ganharam tração.
Nesse contexto, o fundo tokenizado BUIDL, da BlackRock, tornou-se uma peça-chave, servindo como ativo de reserva para diversos produtos onchain.
Assim, as perspectivas mostram que a tokenização deixou de ser promessa e passou a funcionar como tecnologia de distribuição financeira em escala.
Crescimento dos derivativos onchain
Se as finanças tradicionais sempre tiveram nos derivativos seu maior volume, no DeFi em 2026 essa regra se consolidou com força total. O ano de 2025 foi o grande divisor de águas, com as DEXs de contratos perpétuos (Perps) triturando recordes históricos de movimentação.
O dado mais impressionante é a “invasão” do espaço antes dominado pelas corretoras centralizadas (CEXs): a proporção de derivativos onchain em relação aos centralizados praticamente triplicou.
Isso não é apenas um número; é a prova de que a infraestrutura descentralizada atingiu um nível de eficiência que muitos duvidavam ser possível.
Embora nomes como a Hyperliquid tenham sido os grandes maestros desse movimento inicial, ditando as regras e o ritmo do jogo, o cenário que encontramos em 2026 é de uma concorrência real. O período de hegemonia tranquila acabou; o que vemos agora é uma disputa agressiva por cada centavo de liquidez no mercado.
- O jogo bruto dos incentivos: esqueça os airdrops vagos do passado. Agora, as estratégias de rewards são cirúrgicas, focadas em atrair e, principalmente, manter a liquidez onde ela é mais bem remunerada.
- Uma verdadeira “limpa” nas taxas: com a eficiência das novas camadas de infraestrutura, os custos operacionais para o trader foram podados drasticamente, tornando o DeFi a opção óbvia frente às corretoras centralizadas.
- A força do ecossistema: o diferencial agora são as alianças. Integrações nativas e diretas com carteiras populares e grandes canais de distribuição criaram um fluxo de usuários que mal percebe que está operando onchain.
Essa pressão competitiva fez o setor atingir um patamar de maturidade que a teoria sozinha não alcançaria. A experiência de uso finalmente “clicou”, e o DeFi de 2026 deve entregar uma fluidez que bate de frente com qualquer plataforma tradicional do mercado financeiro.
Mercados de previsão
Mesmo após eventos eleitorais globais, os mercados de previsão continuaram relevantes. Com isso, esse segmento tende a crescer impulsionado por maior legitimidade regulatória, novos tipos de contratos e grandes investimentos institucionais.
Plataformas como Polymarket e Kalshi expandiram suas bases de usuários, diversificaram eventos e atraíram capital expressivo. Esse movimento reforça o papel dos mercados de previsão como uma nova classe de derivativos dentro do DeFi.
O alerta vermelho: os riscos da composabilidade
Apesar do otimismo, o amadurecimento do setor traz consigo uma lupa sobre vulnerabilidades antigas. A composabilidade, a capacidade dos protocolos de se conectarem como blocos de construção, é o que torna o DeFi brilhante, mas também é o seu maior “calcanhar de Aquiles”.
O que vimos em 2025 foi um choque de realidade. Incidentes envolvendo stablecoins interconectadas não foram apenas falhas isoladas; eles serviram como prova de que o risco sistêmico é real. Quando uma peça do dominó cai, o efeito cascata entre protocolos pode ser devastador e rápido.
O que esperar do DeFi em 2026
Para que o ecossistema sobreviva ao seu próprio tamanho, o foco mudou de “lucro a qualquer custo” para gestão de risco profissional. Isso inclui:
- Monitoramento de exposição cruzada: entender o quanto um protocolo depende do outro.
- Mecanismos de resposta: botões de pânico e sistemas de segurança mais ágeis.
- Auditorias dinâmicas: deixando de lado as auditorias estáticas para análises de risco em tempo real.
Em última análise, as perspectivas para o DeFi em 2026 são um exercício de equilíbrio: de um lado, um crescimento estrutural agressivo; do outro, a urgência inadiável de criar redes de proteção que suportem esse novo peso institucional.




