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É o fim dos ciclos de 4 anos do Bitcoin, afirmam Bitwise e CryptoQuant

Especialistas apontam que a lógica dos ciclos de quatro anos do Bitcoin pode estar ultrapassada. Descubra o que está transformando o mercado.

Bitcoin ciclos de quatro anos. Imagem: IA

Durante mais de uma década, investidores em Bitcoin (BTC) seguiram com confiança uma teoria que parecia inabalável: a dos ciclos de quatro anos. Baseada nos efeitos do halving (evento que reduz pela metade a emissão de novos BTC), a lógica sustentava que os preços do ativo se comportavam de forma cíclica, alternando entre períodos de acumulação, valorização exponencial, euforia e correção.

Agora, especialistas de peso no setor afirmam: esse padrão está obsoleto.

CryptoQuant: Mudança estrutural no Bitcoin

Em uma publicação recente no X (antigo Twitter), Ki Young Ju, fundador e CEO da CryptoQuant, uma das maiores plataformas de análise on-chain do mundo, reconheceu que suas previsões baseadas nos ciclos estavam equivocadas.

“Cometi um erro ao ignorar a mudança estrutural no mercado. As baleias antigas (grandes investidores) não estão mais vendendo para o varejo, mas sim para novos investidores institucionais com perfil de longo prazo”, explicou o analista.

Por anos, Ki adotou o modelo de antecipar topos com base no comportamento das baleias e no aumento da participação do varejo. No entanto, ele agora afirma que essa abordagem perdeu eficácia.

Segundo o fundador da CryptoQuant, a natureza do mercado mudou com a entrada massiva de ETFs spot, fundos institucionais e grandes gestores como BlackRock e Fidelity.

“Estamos vendo holders de longo prazo, como ETFs e fundos institucionais, absorverem a oferta vendida por participantes antigos. Isso transforma completamente a dinâmica de mercado. O número de holders superou o de traders. Negociar parece inútil agora.”

A consequência imediata dessa institucionalização é a redução da volatilidade e a perda de força de indicadores históricos como o Stock-to-Flow, o modelo HODL Waves e o Pi Cycle Top Indicator.

Bitwise: 2026 será o ano do Bitcoin, e o ciclo morreu

Outro nome que reforça essa nova visão é Matt Hougan, diretor de investimentos da gestora Bitwise. Em vídeo publicado também no X, Hougan cravou:

“Aposto que 2026 será um ano de crescimento. Acredito que, de modo geral, teremos alguns anos bons pela frente.”

Para o executivo, o ciclo de quatro anos ‘está morto’ por diversos motivos. Um dos principais é a própria diminuição da importância do halving ao longo do tempo.

Além disso, ele cita fatores macroeconômicos como o afrouxamento da política de juros nos EUA, que tende a favorecer ativos como o Bitcoin.

“O risco de explosão é atenuado devido à melhoria da regulamentação e à institucionalização do setor.”

De acordo com Hougan, o mercado atual é dominado por forças de longo prazo, como maior clareza regulatória e adoção institucional crescente. Esses pontos tornam o comportamento clássico do Bitcoin menos previsível.

“As forças pró-cripto de longo prazo superarão as forças clássicas do ‘ciclo de quatro anos’, na medida em que elas existam, e 2026 será um bom ano.”

Dessa forma, ele acredita que o movimento de alta do Bitcoin será mais estável e sustentado, e não um superciclo agressivo. Contudo, reconhece:

“Posso estar errado e tenho certeza de que haverá volatilidade significativa.”

Fim dos ciclos de quatro anos do Bitcoin? Nem todos estão convencidos

Apesar das mudanças de cenário e da crescente institucionalização, nem todos os analistas estão prontos para enterrar os ciclos históricos.

Rekt Capital, um influente analista de criptomoedas, argumenta que ainda há espaço para que o padrão se mantenha, com base no comportamento pós-halving:

“Se o ciclo do Bitcoin seguir o padrão de 2020, o mercado provavelmente atingirá o pico em outubro, 550 dias após o halving do Bitcoin em abril de 2024.”

Bitcoin entra em nova fase com menos previsibilidade e mais maturidade

A convergência entre a adoção institucional, novas regulamentações e mudanças no comportamento dos investidores está redefinindo a forma como o mercado enxerga o Bitcoin.

Dessa forma, com menos espaço para previsões baseadas em padrões do passado, a análise de dados em tempo real e o entendimento dos fluxos institucionais se tornam ainda mais essenciais.

Assim, o que antes era um ativo guiado pela psicologia de massa e ciclos especulativos, agora se molda como uma reserva estratégica em construção — com todos os desafios e oportunidades que essa transição traz.

Por fim, seja você um trader experiente, um novo investidor ou apenas um curioso, a principal lição parece ser: o futuro do Bitcoin pode não se parecer em nada com o seu passado.

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