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ETFs no Brasil crescem 70% em oferta e chegam a R$ 91 bilhões

Patrimônio em ETFs no Brasil saltou de R$ 54 bi para R$ 91 bi em 2025. Número de fundos cresceu 70% entre jan/2025 e mar/2026. Covered call, cripto e exposição internacional lideram expansão.

ETFs no Brasil crescem 70% em oferta e chegam a R$ 91 bilhões: o que está mudando

O mercado brasileiro de ETFs está crescendo em número, mas a mudança mais significativa não é quantitativa, é qualitativa.

A seguir:

  • O que são ETFs de covered call e por que estão crescendo no Brasil
  • Como exposição internacional e ativos temáticos estão mudando o perfil do investidor
  • O que a complexidade crescente dos produtos exige de quem investe

O patrimônio sob gestão via ETFs no Brasil saltou de R$ 54 bilhões para R$ 91 bilhões ao longo de 2025. O número de investidores passou de pouco mais de 700 mil para 919 mil em dezembro do mesmo ano. Entre janeiro de 2025 e março de 2026, o número de fundos de índice listados na B3 cresceu 70%, segundo dados da própria bolsa.

Mas o crescimento da oferta não é o dado mais relevante. O que está mudando é o tipo de ETF sendo lançado.

De replicação passiva para geração de renda

Por muito tempo, ETFs no Brasil eram sinônimo de um produto: comprar o índice, pagar pouca taxa, não se preocupar. BOVA11, IVVB11, SMAL11. Exposição passiva a carteiras amplas.

Esse modelo ainda existe e ainda cresce. Mas a expansão recente da indústria está sendo puxada por estruturas mais sofisticadas, em especial pelos ETFs de renda recorrente apoiados em estratégias de covered call (venda coberta de opções).

O mecanismo funciona assim: o fundo mantém uma carteira de ações e, simultaneamente, vende opções de compra sobre esses ativos. O prêmio recebido pela venda das opções gera um fluxo periódico de rendimentos distribuído ao investidor. Em troca, o fundo limita parte do potencial de valorização em cenários de alta forte do mercado.

Para o investidor que busca renda recorrente sem precisar montar a estratégia por conta própria, o produto resolve um problema prático. Para quem está posicionado para uma alta expressiva dos ativos subjacentes, a estrutura pode ser subótima.

“Existe uma demanda crescente por produtos que conciliem acesso a mercados globais, distribuição de renda e simplicidade operacional. Isso tem levado a indústria a desenvolver estruturas mais amplas do que os ETFs tradicionalmente conhecidos apenas pela replicação de índices amplos”, afirmou Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista Capital.

Exposição internacional e ativos temáticos

Outro vetor de crescimento é a diversificação além do Brasil. Produtos que oferecem exposição a ações globais, commodities, ativos digitais e mercados específicos ampliaram o acesso a mercados que antes exigiam contas internacionais ou estruturas mais complexas.

A B3 já abriga ETFs com exposição a tecnologia, inteligência artificial, infraestrutura, criptoativos e commodities. O lançamento recente dos três índices de NTN-B da B3, com ETFs correspondentes da Nubank (NB0211, NB0511 e NB1011), e das opções sobre futuros de Bitcoin, Ethereum e Solana, ilustra a velocidade com que a bolsa está expandindo a prateleira de produtos estruturados.

“O desenvolvimento dos ETFs ocorre pela diversificação dos objetivos desses produtos. Hoje, existem estruturas voltadas à renda, proteção, exposição internacional ou acesso a setores específicos da economia, ampliando as possibilidades de composição de carteira”, explicou Nobile.

O que a expansão exige do investidor

O crescimento da indústria tem um lado positivo claro: mais acesso, mais opções, mais sofisticação disponível a custos menores do que fundos ativos equivalentes.

Mas há um lado que merece atenção. Nem todo ETF é simples. Um fundo de covered call tem uma mecânica de risco completamente diferente de um fundo que replica o S&P 500. Um ETF de criptoativos tem volatilidade estruturalmente diferente de um ETF de renda fixa indexado ao IPCA.

A expansão da oferta aumenta a complexidade do ambiente e exige que o investidor entenda o que está comprando, não apenas o nome do produto ou o rendimento distribuído no mês anterior.

“Os ETFs vêm deixando de ocupar apenas uma função de exposição passiva para atender estratégias mais específicas dentro do portfólio do investidor. O avanço da indústria indica uma ampliação das possibilidades de acesso a diferentes mercados, perfis de risco e objetivos financeiros”, concluiu Nobile.

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