O criador da rede Ethereum, Vitalik Buterin, fez um post na rede social X (Twitter) detalhando um plano para tornar a blockchain resistente à computação quântica.
A possibilidade de computadores quânticos quebrarem a criptografia das blockchains, permitindo que hackers acessem as criptomoedas dos investidores, é atualmente uma das maiores preocupações do setor cripto.
No começo do ano, o pesquisador e cofundador da empresa de venture capital Castle Island Ventures, Nic Carter, afirmou que a queda do bitcoin nos últimos meses estava ligada a esse risco.
Isso porque, para Carter, assessores financeiros olham para a possibilidade de quebra da blockchain pela computação quântica e limitam a pequenas ou nulas as alocações dos clientes em cripto.
Vale lembrar, contudo, que a computação atual não permite que isso aconteça e a preocupação é com o avanço tecnológico dos computadores no longo prazo.
Em sua postagem, Vitalik apontou quatro áreas expostas a ataques quânticos.
1. Assinaturas BLS
As assinaturas BLS na camada de consenso permitem que vários participantes assinem mensagens diferentes ou até a mesma mensagem e que alguém agregue todas essas assinaturas de maneira compacta.
É uma ferramenta fundamental na arquitetura do Ethereum, pois permite que 1.000 validadores assinem um bloco e as mil assinaturas sejam combinadas em uma, reduzindo o tamanho dos dados.
Para Vitalik, as assinaturas BLS poderiam ser substituídas por assinaturas baseadas em hash. Ele mencionou variantes de Winternitz como candidatas e protocolos STARKs para a agregação, já que Winternitz não tem agregação como propriedade nativa.
Isso mudaria a matemática que protege o sistema, pois um computador quântico não consegue quebrar a função hash de Winternitz como pode fazer com o BLS.
2. Disponibilidade de dados
Já na disponibilidade de dados, a solução seria migrar da tecnologia KZG para garantir que os dados foram codificados corretamente para STARKs.
A ideia seria a mesma de substituir a segurança por curvas elípticas pela tecnologia de funções hash. As STARKs exigem provas maiores e escalam com a complexidade do cálculo, sendo mais resistentes à computação quântica.
No entanto, Vitalik aponta que isso implicaria em um custo maior nas taxas da rede. Ele reconheceu também que a migração exigirá um grande esforço de engenharia.
3. Assinaturas EOA
Para as assinaturas de contas externas, o criador do Ethereum defendeu a adoção de contas com abstração nativa. O problema, novamente, são as chamadas taxas de gás, que encareceriam a rede.
“A solução a longo prazo é a agregação recursiva de assinaturas e provas na camada de protocolo, o que poderia reduzir esses custos de gás a quase zero”, propõe.

4. Provas
Por fim, na parte das provas ele defende o uso de uma STARK resistente a ataques quânticos.
Ele defende que a agregação de provas poderia resolver o problema dos custos desta solução ao incluir algo que chamou de “quadro de validação” nas transações.
“Dessa forma, um bloco poderia ‘conter’ mil quadros de validação, cada um contendo uma assinatura de 3 kB ou até mesmo uma prova de 256 kB, mas esses 3-256 MB (e o cálculo necessário para verificá-los) nunca seriam incorporados à blockchain”, explicou.
Reforma à prova de computação quântica
Com esse roteiro, Vitalik posiciona o Ethereum para enfrentar um cenário em que computadores quânticos se tornem viáveis. Ele reconhece que a ameaça ainda não é imediata. Porém, prefere agir antes que a tecnologia avance.
As declarações vêm em momento propício para amenizar os temores do mercado, uma vez que o ether, criptomoeda da rede Ethereum, está em queda de 35% desde o início do ano.
Durante a baixa, Vitalik vendeu 19.326 unidades de tokens ETH, algo que já tinha avisado que faria. Com as vendas, ele acumulou US$ 39,4 milhões.
Agora, a pressão vendedora deve diminuir. Além disso, a possibilidade de seguir seu plano para salvar o Ethereum da computação quântica pode trazer otimismo para o protocolo.


