A seguir:
- John Daghita usou a posição do pai como CEO de empresa contratada pelo governo para acessar e roubar US$ 46 milhões em criptomoedas via Ethereum
- O investigador independente ZachXBT foi o primeiro a expor o roubo de criptomoedas, após o acusado revelar o crime em chats online
- A captura ocorreu em São Martinho, no Caribe, em operação conjunta do FBI com o exército francês; Daghita carregava dinheiro vivo e dispositivos de armazenamento cripto
Filho de executivo de TI rouba US$ 46 milhões em criptomoedas do governo dos EUA e é preso no Caribe
Um jovem americano foi preso na semana passada depois de ser acusado de roubar aproximadamente US$ 46 milhões em criptomoedas do governo dos Estados Unidos.
O caso, que chocou o mundo das finanças digitais, envolve uma operação internacional entre o FBI e forças militares francesas e levanta questões sérias sobre a segurança dos ativos digitais públicos.
Como o jovem roubou criptomoedas do governo americano
Identificado como John Lick Daghita, o acusado é filho do CEO da Command Services & Support (CMDSS), empresa contratada pelo governo federal para administrar criptoativos apreendidos pela Justiça.
Por isso, Daghita tinha acesso privilegiado às carteiras digitais do Serviço de Delegados dos EUA, órgão equivalente à Polícia Penal brasileira, responsável pela custódia de presos e proteção do sistema carcerário.
Segundo o FBI, ele aproveitou essa posição para movimentar a fortuna entre diversas contas, usando principalmente Ethereum (ETH) como meio de transferência.
Ao todo, o esquema envolveu uma série de transações digitais cuidadosamente executadas para dificultar o rastreamento. No entanto, um detalhe revelou sua identidade.
Investigador independente identificou o roubo de criptomoedas primeiro
A denúncia inicial partiu de ZachXBT, pseudônimo de um investigador independente especializado em crimes com criptomoedas. Daghita teria comentado sobre o roubo em diferentes chats da internet, onde o FBI o identificou.
Além disso, durante as investigações, ele cometeu um erro grave: enviou criptomoedas para a carteira pública do próprio investigador, em uma manobra conhecida como dusting, prática usada para rastrear ou assediar outros usuários no ambiente cripto.
Esse movimento acabou sendo decisivo para as autoridades fecharem o cerco em torno do acusado. Assim que as provas foram consolidadas, o FBI passou a coordenar a operação de captura com parceiros internacionais.
Prisão aconteceu na ilha de São Martinho, no Caribe
Daghita foi detido na ilha de São Martinho, território francês no Caribe, enquanto viajava com uma maleta cheia de dólares em espécie, além de vários discos rígidos e chaves de segurança.
A prisão aconteceu em uma operação conjunta entre o FBI e o exército francês, responsável pela segurança da ilha.
O diretor do FBI, Kash Patel, fez uma declaração contundente após a captura: a agência trabalha em parceria com aliados internacionais para rastrear e prender quem tenta fraudar o contribuinte americano, independentemente de onde a pessoa tente se esconder.
O roubo de criptomoedas e os riscos para ativos públicos
O caso expõe uma vulnerabilidade crítica na gestão de criptomoedas apreendidas pelo governo.
Afinal, quando um parente de um funcionário contratado consegue acessar carteiras digitais com bilhões em ativos, fica evidente que os controles internos precisam de revisão urgente.
O roubo de criptomoedas em escala tão grande de um órgão federal é inédito na história dos Estados Unidos.
Além disso, o episódio reforça o papel crescente de investigadores independentes, como ZachXBT, na detecção de crimes financeiros digitais.
Enquanto as autoridades tradicionais ainda se adaptam ao ambiente cripto, esses analistas muitas vezes saem na frente na identificação de atividades suspeitas.
Por fim, o caso também levanta o debate sobre como governos ao redor do mundo devem armazenar, custodiar e proteger os criptoativos que confiscam em operações policiais, uma questão que, com o crescimento do mercado cripto, tende a se tornar cada vez mais urgente.


