Marlon Ferro, 20 anos, foi sentenciado a 6 anos e meio de prisão por invadir residências e roubar hardware wallets, o “plano B” de uma gangue que desviou mais de US$ 250 milhões em criptomoedas.
A seguir:
- O papel inusitado de Ferro na gangue: quando o golpe digital falhava, ele entrava em cena com um tijolo
- Como o grupo usou uma conta do iCloud para monitorar a vítima antes da invasão
- A sentença vai além da prisão: restituição de US$ 2,5 milhões e 3 anos de liberdade assistida
O Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) anunciou na quarta-feira (6) a condenação de Marlon Ferro, natural de Santa Ana, Califórnia, a 78 meses de prisão federal.
Segundo o comunicado oficial do DoJ, Ferro atuou como invasor e lavador de dinheiro em uma organização criminosa que roubou mais de US$ 250 milhões em criptoativos entre o final de 2023 e o início de 2025.
Além da pena privativa de liberdade, o juiz federal Colleen Kollar-Kotelly determinou o pagamento de US$ 2,5 milhões em restituição e a concessão de três anos de liberdade assistida após o cumprimento da pena.
Ferro havia se declarado culpado em outubro de 2025 por participação em uma organização criminosa, nos termos do RICO (Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act).
Quando o golpe online falhava, Ferro entrava em cena
A gangue, focada em roubo de Bitcoin, operava com membros especializados em funções distintas: invasão de bancos de dados, identificação de alvos, ligações fraudulentas e lavagem de dinheiro. O grupo mirava indivíduos com grandes volumes de criptoativos e os manipulava para entregar acesso às suas carteiras digitais.
O problema surgia quando a vítima usava uma hardware wallet — dispositivo físico que armazena chaves privadas offline e não pode ser acessado remotamente. Nesse cenário, conforme aponta o DoJ, Ferro era acionado para invadir a residência e roubar o aparelho diretamente.
Do iCloud ao tijolo: a tática de invasão da gangue que desviou US$ 250 milhões
Em julho de 2024, Ferro viajou ao Novo México e passou dias monitorando uma residência. Seus cúmplices rastrearam os movimentos do dono por meio de sua conta do iCloud hackeada. Assim que confirmaram a ausência da vítima, Ferro quebrou uma janela com um tijolo e vasculhou a casa em busca da hardware wallet.
Toda a invasão foi registrada pelas câmeras de segurança da residência. Além do Novo México, Ferro também invadiu uma casa em Winnsboro, Texas, em fevereiro de 2024, roubando uma hardware wallet com cerca de 100 bitcoins — avaliados em mais de US$ 5 milhões na época, segundo o DoJ.
Ostentação e lavagem de dinheiro: como os lucros do crime bancavam noites de US$ 500 mil
O papel de Ferro ia além das invasões. Ele utilizava documentos de identidade falsos para abrir contas em plataformas de pagamento digital restritas geograficamente, permitindo que membros da gangue gastassem criptomoedas roubadas em lojas físicas e boates.
Ferro comprou mais de US$ 255 mil em roupas de grife em nome de seus cúmplices. Chegou a adquirir bolsas Hermès Birkin para a namorada do líder da organização, mesmo após a prisão deste, em setembro de 2024.
A organização criminosa como um todo gastou o dinheiro roubado de forma extravagante. Segundo os autos do processo, os membros pagavam até US$ 500 mil por noite em boates, alugavam mansões em Los Angeles, Miami e Hamptons por US$ 40 mil a US$ 80 mil mensais, contratavam segurança privada e mantinham uma frota de carros exóticos avaliados entre US$ 100 mil e US$ 3,8 milhões.
Investigação, prisão e mensagem do DoJ
Ferro foi preso em 13 de maio de 2025, quando as autoridades encontraram em sua posse duas armas de fogo — um fuzil 9mm e uma pistola Glock 19 — além de um documento de identidade falso.
No total, 14 suspeitos foram indiciados em setembro de 2024 e maio de 2025 por conspiração RICO envolvendo mais de 4.100 bitcoins.
Sendo assim, esta condenação se soma à de Evan Tangeman (22), de Newport Beach, sentenciado em abril de 2026 a 70 meses de prisão por lavagem de recursos do mesmo esquema.
“Não é um crime sem vítimas”
A procuradora federal Jeanine Ferris Pirro foi direta na leitura da sentença. Ela afirmou que Ferro era o “último recurso” da organização: quando nenhum método digital funcionava, ele invadia casas fisicamente. Portanto, a sentença serve como alerta ao setor cripto.
“Fraude com criptomoedas não é um crime sem vítimas nem sem consequências, cometido com segurança atrás de uma tela. É conduta criminosa grave que leva à prisão federal”, declarou Pirro.


