Elmin Redzepagic, de 25 anos, confessou à Justiça dos Estados Unidos ter desviado US$ 1,15 milhão de mais de dez investidores no estado de Connecticut ao prometer altos retornos no mercado de criptomoedas.
O dinheiro foi transferido para contas da casa de apostas Stake e perdido integralmente em apostas de alto risco. O réu responde por lavagem internacional de dinheiro e pode ser condenado a até 65 anos de prisão.
A seguir:
- Como o esquema funcionava e quais táticas foram usadas para bloquear saques das vítimas
- O que a confissão revelou sobre o fluxo dos recursos até a Stake
- Qual o calendário do processo e o que pode acontecer na sentença definitiva
O golpe durou de maio de 2021 a março de 2025. Redzepagic captava recursos prometendo lucros expressivos em ativos digitais e, em vez de operar qualquer investimento real, encaminhava os valores diretamente para sua conta na Stake. Quando investidores tentavam resgatar o dinheiro, ele criava obstáculos fictícios: inventava taxas de rede obrigatórias antes do saque e chegou a fabricar um chefe inexistente para justificar atrasos e recusas.
Redzepagic foi preso em 12 de fevereiro de 2026. Após a confissão, foi colocado em liberdade mediante fiança de US$ 500 mil. A sentença definitiva está prevista para 11 de janeiro de 2027.
Como o esquema enganava as vítimas
A mecânica do golpe combinava promessa de rentabilidade e bloqueio de retiradas. Quando um investidor pressionava pelo resgate, Redzepagic exigia o pagamento antecipado de suposta taxa de rede, um custo que não existe para simples transferências entre carteiras sob o controle de um mesmo operador.
A figura do chefe fictício servia de escudo adicional: o réu alegava que a liberação dependia de aprovação de um superior, postergando pedidos indefinidamente. As vítimas, que acreditavam ter dinheiro depositado em uma plataforma legítima, continuavam aguardando em vez de registrar queixas.
Esse tipo de fraude, em que o golpista controla toda a cadeia de comunicação com o investidor e simula uma estrutura corporativa, dificulta a identificação precoce do crime.
O rastro do dinheiro até a Stake
Toda a quantia desviada foi direcionada para contas registradas na Stake, plataforma de apostas online que aceita criptomoedas como meio de depósito. A escolha não é acidental: casas de apostas com suporte a cripto permitem movimentações rápidas e com rastreabilidade mais complexa do que uma transferência bancária convencional.
O Departamento de Justiça dos EUA registrou o prejuízo líquido em US$ 1,15 milhão, valor que considera todos os aportes das vítimas sem abatimento de eventuais pagamentos parciais feitos pelo réu. Nenhum montante foi recuperado, porque Redzepagic perdeu a totalidade nas apostas antes de ser detido.
O caso reacende o debate sobre o uso de plataformas de jogo online como canal de lavagem de recursos oriundos de fraudes com criptomoedas, prática que combina dois setores com histórico regulatório ainda em consolidação nos EUA.
Esquemas análogos, em que golpistas usam a volatilidade e a pseudonimidade das criptomoedas para ocultar rastros, têm crescido à medida que mais pessoas acessam exchanges sem orientação suficiente sobre riscos de custódia.
Próximos passos do processo
Com a confissão formalizada, o processo avança para a fase de sentença. Redzepagic permanece em liberdade mediante a fiança de US$ 500 mil até a audiência de janeiro de 2027. A pena máxima prevista é de 65 anos, mas condenações efetivas em casos de fraude a investidores tendem a ser calibradas pelo volume do prejuízo, pelo número de vítimas e pelo grau de cooperação do réu.
O desfecho do caso pode ainda influenciar como autoridades americanas tratam a responsabilidade de plataformas de apostas que recebem criptomoedas originadas de fraudes.
Perguntas frequentes
As vítimas têm chance de recuperar o dinheiro perdido?
Com o valor integralmente perdido em apostas, não há ativos remanescentes para restituição imediata. A recuperação dependeria de decisão judicial que imponha ao condenado obrigação de ressarcimento, o que costuma levar anos e exige que o réu tenha patrimônio suficiente para cobrir o débito.
A Stake teve responsabilidade legal no caso?
A investigação e a confissão narradas pelo Departamento de Justiça responsabilizam exclusivamente Redzepagic. Não há indicação, nos documentos citados, de que a Stake seja alvo de qualquer acusação relacionada ao esquema.
Como identificar se um gestor de criptomoedas é legítimo antes de investir?
Gestores que prometem retornos fixos elevados, cobram taxas antes de liberar saques ou alegam depender de aprovação de terceiros para devolver recursos são sinais de alerta. Nos EUA, gestores de investimento precisam de registro na SEC; no Brasil, na CVM. A ausência desse registro é, por si só, motivo para recusar a operação.


