Brasileiros destinam mais recursos para apostas esportivas online do que para investimentos em ações ou criptomoedas. É o que revelou um estudo realizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em parceria com a Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EBAPE).
De acordo com os dados, 14% dos entrevistados afirmaram apostar em bets, enquanto apenas 4% investem em criptomoedas – uma diferença de 3,5 vezes.
No ranking de aplicações financeiras, as apostas online ficam atrás apenas da poupança, que lidera com 26% dos investidores.
Impacto da publicidade e riscos financeiros das apostas
O estudo também apontou que a ampla divulgação de sites de apostas na TV e na internet contribuiu para o aumento do interesse nesse tipo de atividade.
No entanto, especialistas alertam que essa exposição pode levar mais pessoas a cair em esquemas fraudulentos, como pirâmides financeiras.
Para mitigar esses riscos, os pesquisadores sugerem regulamentação mais rígida para a publicidade de apostas, semelhante às restrições aplicadas a produtos como bebidas alcoólicas e cigarros.
Além disso, recomendam a ampliação da educação financeira para reduzir a vulnerabilidade de indivíduos impulsivos ou excessivamente confiantes.
Apostas movimentam bilhões e atingem todas as classes sociais
A pesquisa revelou que os brasileiros gastam cerca de R$ 21 bilhões por mês em apostas esportivas, um hábito presente em todas as classes sociais, incluindo beneficiários do Bolsa Família.
Atualmente, 22 milhões de brasileiros apostam em bets (14%), enquanto 8 milhões investem em CDBs (5%) e 4 milhões aplicam na Bolsa de Valores (2%).
Entre os principais motivos para apostar, destacam-se a expectativa de ganhar dinheiro rapidamente (40%) e a busca por altos retornos (39%).
No entanto, especialistas alertam que as apostas esportivas não são investimentos. Enquanto dois em cada dez apostadores (22%) acreditam que bets são uma forma de aplicação financeira, analistas reforçam que essas atividades se enquadram na categoria de jogos de azar, sem previsibilidade ou garantia de retorno.
Para evitar prejuízos financeiros, a recomendação é que os brasileiros busquem informações antes de investir ou apostar.
“As apostas devem ser encaradas como entretenimento, não como fonte de renda”, explica Hudson Bessa, professor universitário e especialista em investimentos.


