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Google lança sistema MPC para proteger custódia de criptoativos

O Google Multi-Party Compute promete blindar bancos e gestoras contra ataques de IA e computação quântica.

Um cofre-forte de aço de grande porte, com a porta parcialmente aberta, sendo substituído por fragmentos de chave separados e espalhados em várias caixas metálicas idênticas dispos

O Google vai apresentar o Google Multi-Party Compute (MPC), um sistema de segurança para custódia de criptoativos e ativos tokenizados, no seu primeiro simpósio de ativos digitais, em Nova York.

A seguir:

  • Como o Google MPC funciona e quem já está testando
  • Por que ataques de IA e computação quântica aceleram o lançamento
  • Quando o serviço estará disponível comercialmente

O Google MPC está em pré-visualização privada e foi projetado para ajudar bancos e instituições financeiras a proteger e movimentar criptomoedas e ativos tokenizados com mais segurança.

Vários parceiros de design e instituições financeiras de grande porte já participam dos testes. A própria Alphabet, controladora do Google, utiliza o sistema para resguardar seus ativos digitais nas blockchains Ethereum e Solana.

O serviço suporta assinaturas ECDSA e Ed25519, dois dos esquemas criptográficos mais usados por redes blockchain para autorizar transações. Quando uma transação é confirmada em uma blockchain, ela não pode ser revertida, o que torna a proteção da chave privada o ponto mais crítico de toda a cadeia de custódia.

Rich Widmann, diretor de estratégia de ativos digitais do Google Cloud, explicou a urgência do lançamento:

“A adoção de ativos digitais e a tokenização estão em um ponto de inflexão. À medida que instituições financeiras reguladas começam a adotar blockchains e tokenização, elas precisam de infraestrutura escalável e comprovada para proteger os ativos de seus clientes.”

Rich Widmann, diretor de estratégia de ativos digitais do Google Cloud, em entrevista ao CoinDesk

O lançamento comercial do Google MPC está previsto para o início de 2027.

Computação multipartidária como resposta à crise de chaves privadas

A lógica por trás do MPC é distribuir o controle de uma chave privada entre múltiplas partes, de forma que nenhum participante isolado tenha acesso completo ao segredo criptográfico. Para assinar uma transação, todas as partes precisam cooperar, o que elimina o ponto único de falha que torna os ataques a carteiras e custodiantes tão devastadores.

Esse modelo responde diretamente ao aumento de roubos por comprometimento de chave privada.

Exploits como o ataque ao NEAR Intents, que resultou em prejuízo de US$ 3,8 milhões, ilustram o tamanho do problema quando a infraestrutura de custódia não é suficientemente segura. Hackers com acesso à chave privada conseguem drenar ativos sem deixar rastro imediato.

O Google posicionou o MPC como resposta a dois vetores de ameaça que vêm crescendo em paralelo: ataques cibernéticos potencializados por inteligência artificial e a perspectiva de que computadores quânticos suficientemente poderosos possam quebrar a criptografia convencional.

Nenhum dos dois é hipotético: o chefe do Google DeepMind alertou publicamente para riscos de falhas de segurança em sistemas de IA que podem causar incidentes graves.

Quem está no centro dos testes

A Alphabet, além de oferecer o serviço a terceiros, usa o próprio Google MPC para guardar seus ativos digitais em Ethereum e Solana. Essa escolha de expor o próprio balanço à tecnologia funciona como validação interna antes do produto chegar ao mercado.

Os parceiros de design envolvidos nos testes são instituições financeiras de grande porte, o que indica que o foco do Google não é o varejo de criptomoedas, mas o segmento institucional: bancos, gestoras e custodiantes regulados que precisam comprovar controles de segurança para reguladores e clientes.

O movimento chega num momento em que o interesse institucional por ativos tokenizados cresce de forma acelerada. O DTCC, espinha dorsal de liquidação de Wall Street, anunciou iniciativas para aproximar títulos de US$ 30 trilhões do blockchain, o que amplia dramaticamente a superfície de ataque que sistemas como o MPC precisam cobrir.

Próximos passos e o que muda para o mercado

Com o lançamento comercial previsto para o início de 2027, o Google MPC ainda passará meses de testes com os parceiros atuais antes de estar disponível para contratação. A pré-visualização privada permite ao Google ajustar o produto com base em casos de uso reais de grandes instituições, reduzindo o risco de falhas após o lançamento.

Para o mercado de custódia institucional, a entrada do Google Cloud representa uma alternativa às soluções proprietárias de custodiantes especializados e aos módulos de segurança de hardware tradicionais.

A infraestrutura de nuvem do Google oferece escala e integração com outros serviços corporativos, o que pode reduzir o custo de implementação para bancos que já operam no Google Cloud.

O suporte a ECDSA e Ed25519 garante compatibilidade com as principais redes públicas, incluindo Ethereum, Solana e outras blockchains que adotam esses padrões de assinatura, sem exigir adaptações específicas por protocolo.

Perguntas frequentes

O Google MPC substitui carteiras de hardware ou custodiantes como Coinbase Custody?

O MPC é uma camada de segurança para instituições financeiras, voltada para bancos e gestoras que precisam de infraestrutura escalável em nuvem. Carteiras de hardware e custodiantes especializados continuam sendo opções para outros perfis de usuário e podem coexistir com soluções MPC.

Quais blockchains são compatíveis com o sistema?

O Google MPC suporta assinaturas ECDSA e Ed25519, os esquemas usados por Ethereum, Solana e outras redes principais. Qualquer blockchain que adote esses padrões pode ser coberta pelo serviço sem necessidade de adaptação específica.

Computação quântica já representa uma ameaça real para quem guarda criptoativos?

Computadores quânticos capazes de quebrar a criptografia atual ainda não existem em escala comercial. O Google posicionou a resistência quântica como preparação para uma ameaça futura, não imediata, mas o prazo para adoção de novas proteções é curto dado o tempo de implantação em infraestruturas reguladas.

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