A seguir:
- IA amplia o roubo de criptomoedas ao permitir ataques automatizados mais sofisticados.
- Alucinações da IA comprometem decisões corporativas e análises estratégicas.
- Empresas precisam reforçar governança, validação e segurança digital em 2026.
A inteligência artificial aumenta riscos de roubo de criptomoedas e amplia preocupações com as chamadas alucinações em decisões estratégicas, segundo análises recentes.
Relatórios e estudos indicam que, ao mesmo tempo, em que a tecnologia impulsiona eficiência, ela também cria novas fragilidades no ambiente corporativo, financeiro e digital.
De acordo com um relatório divulgado pela Moody’s, a inteligência artificial acelera o risco cibernético em 2026, com impacto direto sobre o roubo de criptomoedas, ataques automatizados e falhas de segurança em larga escala.
Além disso, especialistas alertam que as alucinações da IA já afetam processos decisórios, especialmente em empresas que dependem de análises automatizadas.
IA aumenta riscos de roubo de criptomoedas em ataques automatizados
O relatório da Moody’s aponta que a inteligência artificial se torna cada vez mais eficiente para lançar ataques cibernéticos automatizados, inclusive no ecossistema cripto.
A tecnologia permite que criminosos digitais aprimorem malwares, criem ataques adaptativos e evitem sistemas tradicionais de detecção.
Além disso, plataformas baseadas em IA já conseguem executar ataques em larga escala, com respostas dinâmicas a defesas digitais.
Esse avanço amplia o risco de roubo de criptomoedas, especialmente em exchanges, protocolos de finanças descentralizadas (DeFi) e aplicações construídas sobre blockchain.
A agência destaca que parte relevante dos ataques ocorre fora da rede blockchain, explorando falhas no armazenamento, na custódia e na gestão de ativos digitais.
Esse cenário expõe fragilidades de segurança justamente em um momento de crescente adoção institucional das criptomoedas.
Roubo de criptomoedas cresce com adoção institucional
O aumento do roubo de criptomoedas reflete um ambiente mais complexo e atrativo para criminosos digitais. Em 2025, grandes plataformas cripto registraram violações significativas, com perdas financeiras relevantes.
À medida que bancos, fundos e empresas ampliam sua exposição ao mercado cripto, o impacto potencial desses ataques também cresce.
Segundo a Moody’s, empresas maiores permanecem mais expostas, pois operam redes complexas e concentram volumes elevados de ativos digitais.
Além disso, a maior capacidade de pagamento de resgates aumenta o interesse dos atacantes.
O relatório indica que ataques de ransomware causam impacto menor em pequenas e médias empresas, após queda na criptografia bem-sucedida de dados ao longo de 2025.
IA intensifica riscos com alucinações em decisões corporativas
Além do roubo de criptomoedas, especialistas alertam para outro risco crescente: as alucinações da inteligência artificial.
O livro “Híbridos: o futuro do trabalho entre humanos e máquinas”, do filósofo e cientista de dados Ricardo Cappra, analisa como erros de interpretação de dados pela IA podem gerar decisões corporativas equivocadas.
Segundo o autor, humanos e algoritmos vivem uma relação de interdependência cada vez mais profunda.
Essa convivência cria o que ele define como “seres híbridos”, nos quais o pensamento humano já se mistura à intervenção constante dos dados e da inteligência artificial.
Nesse contexto, as alucinações da IA comprometem a credibilidade das análises automatizadas, sobretudo quando gestores utilizam essas ferramentas sem supervisão adequada.
Alucinações da IA exigem novos protocolos de controle
Ricardo Cappra defende que o desafio não envolve competir com a tecnologia, mas aprender a utilizá-la de forma consciente.
Para ele, empresas precisam manter o controle das decisões estratégicas, usando a inteligência artificial como apoio, e não como substituição do julgamento humano.
O autor destaca que mitigar os riscos das alucinações da IA exige protocolos claros de validação, auditorias frequentes e sistemas de alerta rápido.
Além disso, profissionais devem compreender como a tecnologia processa dados, reconhecendo suas limitações e vieses.
Segundo a análise, 2026 deve marcar um avanço desses mecanismos de governança, especialmente em setores sensíveis como finanças, saúde, infraestrutura e segurança digital.
Infraestrutura em nuvem amplia riscos sistêmicos
O relatório da Moody’s também chama atenção para interrupções recentes em serviços de computação em nuvem, como AWS, Azure e Cloudflare.
Embora essas falhas tenham origem técnica, elas evidenciam riscos sistêmicos relevantes.
A crescente dependência de ambientes em nuvem amplia o impacto potencial de falhas operacionais ou ataques cibernéticos, especialmente quando combinadas ao uso intensivo de inteligência artificial.
Por fim, a Moody’s destaca que o esforço global para harmonizar regras de cibersegurança avança lentamente.
O mosaico regulatório entre diferentes países cria complexidade operacional e riscos de conformidade para empresas globais, dificultando a resposta coordenada às ameaças digitais.




