O Itaú afirmou que as criptomoedas não entraram em um bear market e podem apresentar pontos de compra no início de 2026.
A avaliação consta em relatório recente do banco, que analisa o comportamento técnico de alguns dos principais criptoativos e do principal fundo negociado em bolsa (ETF) negociado na B3.
Segundo os analistas, as altas registradas em dezembro afastaram os preços de regiões que indicariam o início de uma tendência de baixa mais prolongada.
A análise foi assinada por Lucas Piza e Fábio Perina e utilizou ferramentas gráficas para avaliar o ETF HASH11, da Hashdex, além de bitcoin (BTC), ether (ETH), XRP e solana (SOL).
O documento aponta que, apesar da volatilidade, os ativos seguem em zonas que não caracterizam um mercado de baixa estrutural no curto prazo.
Análise dos ativos
No caso do HASH11, o relatório indica que o fundo segue sem uma tendência definida. O ETF negocia próximo da resistência em R$ 71,50. Caso supere esse patamar, os analistas projetam uma trajetória de alta até R$ 78,70 e, posteriormente, R$ 87,25. Por outro lado, o suporte mais relevante está em R$ 58,70.
O bitcoin também aparece como indefinido no curto prazo. Em reais, a próxima resistência relevante está em R$ 512.625. A criptomoeda era negociada a R$ 491.790 no momento da redação deste texto.
Segundo o Itaú, se o ativo romper esse nível, pode configurar um ponto de compra e abrir espaço para buscar resistências mais altas, em R$ 569.415 e R$ 615.460. O relatório destaca ainda a importância do suporte em R$ 450 mil em eventuais correções ao longo de janeiro.
Para o ether, os analistas apontam que a primeira resistência relevante está em R$ 18.240. Caso esse patamar seja superado, o ativo entraria em tendência de alta e passaria a apresentar um ponto de compra, com objetivos em R$ 22.250 e R$ 26.250, que corresponde à máxima histórica da criptomoeda. O principal suporte está em R$ 13.015.
O XRP também evitou um cenário de baixa em dezembro, segundo o Itaú. O token deixou uma nova resistência em R$ 13,10. Se esse nível for rompido, o ativo pode entrar em uma tendência de alta de curto prazo, com objetivos em R$ 14,40 e R$ 16,80. O suporte está em R$ 9,80.
No caso da solana, o banco avalia que a criptomoeda apresentou recuperação no mês passado e se aproximou da resistência em R$ 780. Caso supere esse patamar, pode ganhar um ponto de compra e avançar até resistências em R$ 906,55 e R$ 1.085. A solana tem suporte em R$ 610,30.
Artigo recente
A leitura técnica apresentada no relatório está alinhada com a forma como o Itaú vem se posicionando em relação às criptomoedas nos últimos meses.
Em artigo publicado no mês passado, Renato Eid, sócio da Itaú Asset e head de Estratégias Beta e Investimento Responsável, defendeu o papel do bitcoin como instrumento de diversificação dentro de carteiras de investimento.
No texto, Eid destacou que o ambiente global segue marcado por volatilidade, choques macroeconômicos e incertezas geopolíticas e monetárias. Nesse contexto, ativos com dinâmica própria e baixa correlação com mercados domésticos ganham relevância.
Segundo ele, o bitcoin se enquadra nesse perfil por não se comportar como renda fixa, ações tradicionais ou ativos locais, além de oferecer potencial de proteção cambial.
O executivo também relembrou a trajetória do bitcoin em 2025, quando a criptomoeda saiu de cerca de US$ 95 mil, recuou para a região de US$ 80 mil durante a crise das tarifas, atingiu um recorde próximo de US$ 125 mil e, posteriormente, voltou a oscilar em torno do patamar inicial.
Eid argumenta que essa combinação de volatilidade global e variação cambial reforça a dificuldade de tentar acertar o momento ideal de entrada no mercado. Por isso, defende uma alocação estratégica e moderada em criptoativos.
Na avaliação do executivo, uma exposição entre 1% e 3% pode contribuir para diversificação internacional, proteção parcial contra a desvalorização cambial e potencial de valorização no longo prazo, sem transformar o ativo no núcleo da carteira.


