A OranjeBTC (OBTC3), maior empresa de tesouraria de Bitcoin da América Latina, lançou o Digital Yield ETF (DIGY11). Segundo comunicado oficial da companhia divulgado em 12 de agosto de 2026, é o primeiro ETF da B3 dedicado a ações preferenciais internacionais de empresas do ecossistema Bitcoin.
A seguir:
- OranjeBTC lança o DIGY11, primeiro ETF da B3 com ações preferenciais de empresas que guardam Bitcoin em caixa.
- O fundo projeta renda mensal em reais de CDI + 3% a 5% ao ano — sem garantia de rentabilidade.
- A estreia expõe o investidor brasileiro a uma classe de ativo recém-criada nos EUA, batizada de “Digital Credit”.
O produto chega num momento em que a Selic segue em patamar elevado no Brasil e as chamadas “Bitcoin treasury companies” ganham força nos Estados Unidos. Dessa forma, o DIGY11 tenta traduzir essa tendência para um veículo listado, em reais, na bolsa brasileira.
O que é o DIGY11 e como o ETF vai funcionar na B3
O fundo terá gestão da 3R Investimentos, índice de referência calculado pela MarketVector, braço de índices do grupo VanEck, e administração fiduciária do Banco Daycoval. A estreia na B3 está prevista para o início de setembro de 2026, segundo a OranjeBTC.
O DIGY11 fará distribuições mensais em reais, com proteção cambial e liquidez diária. Os dividendos pagos em dólar pelos ativos da carteira serão convertidos e repassados aos cotistas todo mês, descontadas as despesas do fundo.
A carteira inicial reunirá dois instrumentos:
- STRC, ação preferencial perpétua da Strategy (ex-MicroStrategy). Segundo a página oficial da Strategy, o STRC paga dividendo-alvo de 12% ao ano, ajustado mensalmente, em junho de 2026, a taxa vigente foi de 11,5%.
- SATA, ação preferencial da Strive. Conforme documento arquivado na SEC, o SATA paga dividendo diário desde 16 de junho de 2026, a uma taxa anualizada de 13%.
No entanto, vale notar que ambos os papéis não investem diretamente em Bitcoin; eles geram renda a partir de companhias que o mantêm em caixa.
A tese por trás do fundo: “Digital Credit” lastreado em Bitcoin
A Strategy foi pioneira nessa categoria, hoje chamada de “Digital Credit” pelo mercado americano. São ações preferenciais perpétuas, sem vencimento, estruturadas para pagar renda recorrente em dólar. Assim, essas ações são valores mobiliários patrimoniais, e não títulos de dívida.
Nas condições atuais, a OranjeBTC estima distribuições anuais equivalentes ao CDI acrescido de 3 a 5 pontos percentuais, sem considerar a variação da cota.
A Selic está em 14% ao ano desde a decisão do Copom em 5 de agosto de 2026, conforme o Banco Central, e o CDI costuma acompanhar a Selic de perto.
Dessa forma, a estimativa da gestora implica um retorno nominal de referência na casa de 17% a 19% ao ano nas condições atuais.
Além disso, a cobertura patrimonial em caixa e Bitcoin dos emissores não é segregada para os cotistas, e a parcela em Bitcoin varia com o preço do ativo. O DIGY11 é um fundo de renda variável, sem garantia do FGC, sujeito a riscos de mercado, crédito e liquidez.
Onde o DIGY11 se encaixa entre os ETFs de criptomoedas da B3?
O DIGY11 não é o primeiro produto de criptomoedas listado na bolsa brasileira. A B3 já negocia ETFs de exposição direta a Bitcoin, como o QBTC11 e o BITH11. A diferença do DIGY11 é não investir no ativo em si, mas em papéis de renda lastreados por empresas que o acumulam.
Dessa forma, o novo produto da OranjeBTC testa se o investidor brasileiro tem apetite por uma segunda camada de exposição ao Bitcoin: não o preço do ativo, mas a renda gerada por quem o carrega no balanço.


