O mercado de criptomoedas dominou os debates no primeiro dia do Web Summit Rio 2025, maior evento de tecnologia da América Latina. Um dos momentos de destaque foi a fala de Guto Antunes, head de ativos digitais do Itaú Unibanco, sobre a atuação do banco no setor cripto.
Durante uma conversa no estande da instituição, Antunes explicou por que o banco não permite que seus clientes transfiram criptomoedas para carteiras externas — o chamado serviço de “wallet out” —, mesmo após liberar a compra de criptoativos no aplicativo.
Restrições em nome da segurança
Segundo Antunes, a decisão é uma estratégia deliberada de proteção ao cliente e não uma forma de centralizar operações dentro da plataforma do Itaú. Para ele, restringir o saque de criptomoedas representa um avanço no combate ao uso indevido dos ativos digitais:
“A questão de não poder sacar criptoativo é uma evolução”, afirmou o executivo. “Cripto já foi instrumento de lavagem de dinheiro e financiamento ao crime. Era possível movimentar ativos de forma instantânea, a qualquer hora e sem rastreamento. Isso atraiu o crime organizado.”
O foco em segurança e compliance regulatório tem norteado a entrada do banco no setor. Dessa forma, o Itaú defende que a ausência de uma legislação clara sobre o uso e a custódia de criptoativos justifica medidas mais restritivas neste momento.
Criptomoedas no Itaú: o que já está disponível?
Desde dezembro de 2024, o Itaú permite a negociação de Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) para todos os clientes em seu app. Em abril de 2025, o portfólio foi ampliado para incluir USDC, Solana (SOL) e XRP.
Além disso, o banco está testando o recurso de wallet in, que permitirá que usuários transfiram criptoativos de carteiras externas para o Itaú. A expectativa é que essa funcionalidade seja lançada ainda em 2025.
Já o wallet out — que possibilitaria saques para carteiras externas — ainda está em avaliação, mas as declarações recentes indicam que a funcionalidade não deve ser liberada tão cedo.


