O Itaú Unibanco, maior banco privado da América Latina, está avaliando a possibilidade de lançar sua própria stablecoin atrelada ao real ou ao dólar.
Segundo Guto Antunes, head de ativos digitais do banco, a instituição acompanha de perto a evolução do setor de criptoativos e estuda formas de oferecer soluções inovadoras para seus clientes.
Antunes destacou a importância da blockchain para a liquidação atômica de transações e ressaltou que stablecoins podem ser um instrumento fundamental nesse processo.
“Sempre esteve no radar do Itaú essa questão das stablecoins. Não podemos ignorar a força da blockchain para tornar transações mais rápidas e seguras”, afirmou.
Demanda do mercado e regulação são fatores decisivos
Para o Itaú, dois fatores serão essenciais para a tomada de decisão sobre stablecoins: a demanda dos clientes e a regulamentação estabelecida pelo Banco Central e pelos Estados Unidos.
Antunes revelou que o banco estuda a criação de stablecoins atreladas tanto ao real quanto ao dólar.
“Estamos sempre abertos a entender se faz sentido para o cliente ter uma stablecoin dentro do Itaú. O mercado está evoluindo rapidamente, e nossa estratégia precisa estar alinhada com as necessidades dos consumidores”, explicou o executivo.
Nos Estados Unidos, um projeto de lei em discussão no Congresso pode autorizar bancos a emitirem stablecoins próprias. Se aprovado, esse precedente pode influenciar o mercado global e abrir novas possibilidades para instituições financeiras brasileiras.
Itaú defende autocustódia para stablecoins
Um dos principais pontos de debate na regulamentação do mercado de stablecoins é a questão da autocustódia. O Banco Central, por meio da Consulta Pública 111/2024, propõe restrições para a transmissão de ativos virtuais para carteiras autocustodiadas.
No entanto, o Itaú defende a liberdade dos usuários para armazenar seus criptoativos em carteiras próprias.
Antunes sugeriu que o Banco Central adote um sistema de lista de aprovação, permitindo o uso de stablecoins sem comprometer o combate à evasão fiscal e à lavagem de dinheiro.
Segundo ele, a autocustódia é um aspecto fundamental para garantir maior autonomia e segurança para os investidores.
“As stablecoins já são uma realidade e trazem benefícios claros para os clientes. Precisamos estabelecer um equilíbrio entre regulação e inovação, permitindo o desenvolvimento do mercado de forma segura e eficiente”, concluiu.
Stablecoins e o futuro do Drex
No Brasil, o Banco Central avança no desenvolvimento do Drex, uma moeda digital de banco central (CBDC) voltada para transações no atacado. A expectativa é que bancos possam emitir stablecoins próprias para os consumidores finais, criando um ecossistema financeiro mais dinâmico.
A consulta pública sobre a regulamentação de stablecoins foi encerrada em 28 de fevereiro, e o Banco Central agora analisa as propostas enviadas. As novas regras devem definir o futuro do setor e o papel que bancos como o Itaú poderão desempenhar nesse mercado emergente.
Com a crescente adoção institucional das criptomoedas e a evolução das regulações, o Itaú busca se posicionar como protagonista nesse segmento, equilibrando inovação, segurança e conformidade regulatória.


