O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu no sábado (5 de setembro) o desenvolvimento de inteligência artificial brasileira como estratégia de reduzir dependência tecnológica de potências estrangeiras.
A seguir:
- “Não quero ficar dependendo da China e nem dos EUA. Nós queremos inteligência artificial em português”
- PBIA: R$ 23 bilhões em investimentos até 2028 (infraestrutura, pesquisa, capacitação)
- Gov.br: 178 milhões de pessoas conectadas; Redata: R$ 500 bilhões em investimentos de data centers
Durante comício em São José do Rio Preto (SP), Lula afirmou:
“Eu não quero ficar dependendo da China e nem dos EUA. Nós queremos inteligência artificial em português.”
PBIA: R$ 23 bilhões até 2028
A campanha de Lula cita como avanço o PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial), lançado pelo governo federal. O plano prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028 destinados a infraestrutura, capacitação, pesquisa e desenvolvimento de soluções nacionais em IA.
Não há detalhes específicos de execução, alocação por área ou cronograma até agora. Mas a agenda é clara: reduzir dependência de GPUs importadas, modelos controlados por EUA/China e plataformas de IA estrangeiras.
Gov.br como caso de sucesso
Lula também citou o gov.br como exemplo de expansão do governo digital brasileiro. Segundo ele, 178 milhões de pessoas já se conectam à plataforma, número que estaria próximo de alcançar toda a população brasileira.
A ferramenta ampla acesso a informações e serviços públicos. É parte da narrativa: o Brasil já tem capilaridade digital em escala.
Redata: R$ 500 bilhões em data centers
Lula anunciou a aprovação do Redata (Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento de Data Centers) pelo Senado. Segundo ele, a medida pode atrair R$ 500 bilhões em investimentos para instalação de data centers no Brasil.
A vantagem competitiva: o Brasil tem energia barata e abundante. As empresas que instalarem centros de dados serão obrigadas a produzir sua própria energia. Isso reduz pressão na rede e torna o custo operacional mais previsível.
Marco da IA em discussão
O Congresso também debate o PL 2.338 de 2023, o Marco da IA. O texto já foi aprovado pelo Senado e aguarda votação na Câmara dos Deputados. Há divergências sobre forma de regulação e fiscalização, mas a agenda é estabelecer regras nacionais.
Soberania vs competitividade
A narrativa é de soberania tecnológica. Mas há tensão subjacente: desenvolver IA em português em escala global é caro e desafiador. Modelos de grande escala (GPT-4, Claude, etc) custam bilhões em treinamento e infraestrutura. Investimento de R$ 23 bilhões é material, mas modesto comparado a gastos de gigantes de IA (Meta, OpenAI, Google investem dezenas de bilhões anuais).
A estratégia brasileira parece focar em:
- Soberania de dados: manter dados brasileiros sob controle brasileiro via data centers locais
- Localização: modelos treinados com viés linguístico e cultural português
- Adoção estatal: usar IA em gov.br e serviços públicos como caso de uso


