O governo brasileiro proibiu os mercados preditivos no país, com pelo menos 27 plataformas tiradas do ar pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Mesmo assim, usuários brasileiros informam nas redes sociais que ainda estão conseguindo acessá-las via redes privadas (VPNs) ou outras soluções.
Diante disso, o TechCripto testou formas de acessar os mercados preditivos para saber quais realmente estão funcionando.
Sem surpresa, as VPNs, ou redes privadas virtuais, são as que funcionam com maior grau de assertividade. VPNs geram um túnel seguro e criptografado entre o seu dispositivo e a internet, mascarando o endereço IP e sua localização real, protegendo seus dados de terceiros, provedores ou hackers.
Assim, possibilitam o acesso a sites bloqueados ou conteúdos indisponíveis por bloqueio regional. Não à toa, são bastante utilizados por quem busca filmes ou séries que não podem ser assistidos nos streamings no Brasil.
Navegador Opera e VPNs
O navegador Opera já vem com VPN integrada, então basta baixar o browser, ir em “configurações”, abrir “privacidade e segurança” e depois “VPN” e “habilitar VPN”. Fazendo isso, foi possível acessar Polymarket e Kalshi normalmente.

Também funciona ao baixar VPNs tradicionais, como NordVPN e Proton VPN. No caso da Proton, há uma versão gratuita e ilimitada, podendo ser uma solução mais acessível do que a Nord.
DoH Cloudflare
Fora das VPNs, uma ferramenta que permite esse tipo de acesso é o DOH Cloudflare, um serviço de DNS criptografado, que impede que seu provedor de internet saiba quais sites você visita.
No entanto, o restante do seu tráfego de navegação não é criptografado e seu IP real é exposto, ao contrário do que acontece nas VPNs.
Proibição dos mercados preditivos
Na última sexta-feira (24), o governo brasileiro proibiu os mercados preditivos, afirmando que este tipo de plataforma não está prevista na legislação brasileira e, portanto, é ilegal, pois se aproveitaria de uma brecha dentro das legislações para apostas esportivas para operar no país.
A proibição veio apoiada em uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que proíbe derivativos sobre contratos atrelados a eventos da vida real em política, economia, esportes etc.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o objetivo da decisão é proteger a poupança popular e evitar o aumento do endividamento. Faz parte de uma ofensiva da atual gestão contra o alto nível de dívida da população e para tentar fazer o consumo voltar a crescer.
Depois da decisão, os sites dos principais mercados preditivos foram tirados do ar e não puderam mais ser acessados via navegadores de internet e nem mesmo por meio de carteiras de criptomoedas.
O TechCripto tentou entrar no aplicativo descentralizado do Polymarket em uma carteira Phantom e na Bitget Wallet e não conseguiu acessar a plataforma.
O que são mercados preditivos?
Os mercados preditivos permitem que as pessoas coloquem dinheiro em eventos que acreditam que possuem maior probabilidade de ocorrer. Eles vão de resultados de eleições a decisões de bancos centrais e até a quantidade de postagens que o bilionário Elon Musk fará em seu perfil na rede social X (Twitter).
Um exemplo de contrato de evento real é aquele ligado às eleições brasileiras. Atualmente, as apostas na vitória do candidato de oposição Flávio Bolsonaro estão em 40% de probabilidade, superando por pouco as do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem 38%.
Muitos pesquisadores defendem os mercados preditivos pela capacidade de trazer dados para a sociedade, com um índice de acertos que às vezes supera o de pesquisas tradicionais.
Por outro lado, há também quem considere que este tipo de plataforma nada mais é do que um site de apostas online disfarçado.
Vale lembrar que as bets autorizadas pelo governo continuam podendo operar no Brasil, e só os mercados preditivos foram tirados do ar.


