O preço do ouro disparou alcançando uma nova máxima histórica nos contratos futuros. A escalada ocorre após os Estados Unidos imporem tarifas sobre barras de ouro importadas da Suíça, principal centro global de refino do metal.
A medida surpreendeu o mercado e reacendeu preocupações sobre o impacto das políticas comerciais americanas. Assim sendo, o ouro reforça seu papel como ativo de proteção em tempos de incerteza.
EUA impõem tarifas sobre ouro suíço e mercado reage com força
A decisão da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) de reclassificar barras de ouro de 1 kg e 100 onças como produtos sujeitos a tarifas gerou ondas de choque no mercado global. Até então, esses formatos estavam isentos de taxas, o que favorecia o comércio entre Suíça e Estados Unidos. Dessa forma, a nova classificação tributária passou a incluir o código 7108.13.5500, sujeito a tarifas, substituindo o anterior 7108.12.10, que era livre de impostos.
Além disso, a tarifa de 39% sobre importações suíças, anunciada na semana passada, já havia elevado o custo de entrada do metal nos EUA. Inclusive, os contratos futuros de ouro para dezembro atingiram o recorde de US$ 3.534,20 por onça-troy, antes de recuarem para US$ 3.490,80, com alta de 1,1% no dia.
Impacto direto sobre a Suíça e o comércio global
A Suíça exportou cerca de US$ 61,5 bilhões em ouro para os EUA nos 12 meses até junho. Com as novas tarifas, esse volume pode sofrer acréscimos de até US$ 24 bilhões em impostos adicionais. Sendo assim, refinarias suíças já começaram a suspender embarques, diante da incerteza sobre quais produtos ainda podem ser isentos.
Christoph Wild, presidente da Associação Suíça de Fabricantes e Comerciantes de Metais Preciosos, classificou a medida como “mais um golpe” para o comércio bilateral. Em resumo, o formato de 1 kg — o mais usado na Comex, principal mercado futuro de ouro — tornou-se economicamente inviável para exportação.
Fatores que sustentam a alta do ouro
Além das tarifas, outros elementos vêm impulsionando o metal precioso. A valorização acumulada desde o fim de 2024 já chega a 27%, refletindo uma combinação de fatores econômicos e geopolíticos.
- Expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve, o que reduz a atratividade dos títulos do Tesouro americano
- Crescimento acentuado dos ETFs expostos ao ouro, com aumento líquido de 170 toneladas no segundo trimestre
- Pressões da Casa Branca sobre o Fed para flexibilizar a política monetária
- Enfraquecimento do dólar como moeda de reserva global
- Aumento da demanda por ativos de refúgio em meio a tensões comerciais
O banco ING revisou sua projeção para o ouro, estimando que o preço pode atingir US$ 3.550 no segundo trimestre de 2026. Dessa forma, o teto ainda parece distante, com analistas prevendo novas máximas nos próximos meses.
Reações do mercado e ajustes globais
A decisão dos EUA de aplicar tarifas sobre barras de ouro suíças provocou uma reação imediata nos mercados.
Assim sendo, os contratos futuros de ouro dispararam, enquanto refinarias suíças suspenderam embarques e investidores correram para se proteger da volatilidade.
Volatilidade e impacto nos preços
O contrato mais líquido do ouro na Comex fechou a US$ 3.491,30 por onça-troy, com alta de 1,09% no dia e 3,5% na semana. Além disso, o preço intradiário chegou a US$ 3.534,20, o maior já registrado. O mercado reagiu com força à incerteza regulatória e aos custos adicionais para importadores americanos.
Diante da turbulência, a Casa Branca anunciou que emitirá uma ordem executiva para esclarecer a aplicação das tarifas. Inclusive, a medida visa acalmar os mercados e corrigir o que chamou de “desinformação” sobre a classificação aduaneira das barras. Por fim, essa sinalização pode reduzir a diferença entre os preços futuros em Nova York e os preços à vista em Londres, que chegou a ultrapassar US$ 100 por onça.
Projeções para o ouro em 2025 e além
As perspectivas para o ouro seguem positivas, mesmo com ajustes técnicos e incertezas comerciais. Dessa forma, bancos e analistas revisaram suas estimativas para cima, refletindo o novo cenário.
- ING projeta US$ 3.550 por onça no segundo trimestre de 2026
- BNP Paribas estima US$ 3.685 no terceiro trimestre de 2025
- Bank of America aponta para US$ 3.200 até o fim do ano
- Goldman Sachs trabalha com US$ 3.100 como base
O consenso é que o ouro continuará valorizado, com suporte técnico e demanda sólida.
Fatores que sustentam a alta
- Expectativa de cortes de juros pelo Fed
- Crescimento dos ETFs de ouro (170 toneladas no 2º trimestre)
- Desvalorização do dólar como moeda de reserva
- Incerteza fiscal nos EUA e risco de estagflação
- Demanda física da China e bancos centrais
Em resumo, o ouro mantém seu papel como reserva de valor em meio à instabilidade global.
Consequências para investidores e o cenário global
A imposição de tarifas sobre barras de ouro suíças não afeta apenas o comércio bilateral. Igualmente, ela altera a dinâmica global do metal, com reflexos sobre liquidez, demanda e estratégias de investimento.
O fluxo tradicional de ouro — que circula entre Londres, Nova York e Suíça — pode ser comprometido. Sendo assim, o formato de 1 kg, preferido nos EUA, enfrenta obstáculos logísticos e tributários que podem redirecionar o comércio para outros centros.
Em resumo, o ouro reforça sua posição como ativo defensivo. Com a instabilidade nas cadeias globais e a política comercial agressiva dos EUA, investidores buscam segurança no metal. Por fim, a valorização contínua pode atrair ainda mais capital para o setor, especialmente em momentos de volatilidade.


