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Tether esconde US$ 8 bilhões em ouro na Suíça e desafia regulação cripto global

Tether revela US$ 8 bilhões em ouro físico na Suíça e planeja ampliar sua reserva, fortalecendo a segurança das stablecoins em meio à nova regulação.

Tether (USDT), stablecoin.

A Tether, emissora da stablecoin USDT, confirmou possuir quase 80 toneladas de ouro, avaliadas em US$ 8 bilhões, em um cofre próprio e ultra-seguro na Suíça. 

Isso a coloca entre os maiores detentores privados de ouro do mundo, superada apenas por bancos centrais e nações soberanas.

Repercussão no mercado de stablecoins

Essa revelação muda completamente a percepção sobre o papel das stablecoins no sistema financeiro global.

A Tether, que já tem US$ 159 bilhões em circulação via USDT, está agora se posicionando como uma das maiores detentoras privadas de ouro do planeta, fora do setor bancário.

Cofre próprio e economia de custódia

O cofre é próprio e ultra-seguro, segundo o CEO Paolo Ardoino. Além disso, a empresa detém quase 80 toneladas de ouro que representam apenas cerca de 5% das reservas da Tether.

Porém a empresa ainda não passou por auditoria externa completa, o que levanta dúvidas sobre os 95% restantes das reservas que não estão em ouro.

A decisão de ter cofre próprio foi motivada por economia de custos — se o XAUT crescer, a Tether economiza milhões em taxas de custódia.

Críticas da comunidade cripto

Parte da comunidade cripto critica a empresa por focar no cofre de ouro enquanto evita divulgar detalhes sobre o restante dos ativos que sustentam o USDT.

Somado a isso, a empresa também emite o XAUT, token lastreado em ouro físico, que pode ser resgatado diretamente na Suíça.

CEO da Tether defende o ouro como ativo seguro

Paolo Ardoino, CEO da Tether e CTO da Bitfinex afirma:

“O ouro deveria ser logicamente um ativo mais seguro do que qualquer moeda nacional.”

Além disso, com bancos centrais dos BRICS comprando ouro em massa, a Tether está se antecipando a uma possível mudança estrutural na confiança global em moedas fiduciárias.

No entanto, essa jogada pode entrar rota de colisão com reguladores dos EUA e da União Europeia, que proíbem o uso de ouro como lastro para stablecoins. 

Essa tensão entre a Tether e os reguladores dos EUA e da União Europeia reflete diretamente a nova fase de amadurecimento do mercado cripto onde transparência, liquidez e controle regulatório estão se tornando exigências centrais.

Assim, a Tether teria que vender parte de suas reservas de ouro para operar nesses mercados e as regras exigem que stablecoins sejam lastreadas apenas por dinheiro ou títulos públicos de curto prazo.

Marcos regulatórios e exigências legais

Nos Estados Unidos, o avanço do GENIUS Act estabelece um marco regulatório federal para stablecoins. Dessa forma, exige que as reservas sejam 100% garantidas por dinheiro ou títulos públicos de curto prazo e que haja auditorias mensais e licenciamento federal. 

Por fim, também é requerido que as emissores estejam em conformidade com regras de combate à lavagem de dinheiro (AML).

Outro ponto relevante é que o uso de ouro como lastro não é permitido, pois o ativo é considerado menos líquido e mais volátil em situações de resgate rápido.

Isso significa que, para continuar operando nos EUA, a Tether teria que reduzir ou eliminar sua exposição ao ouro físico.

O que diz o MiCA na União Europeia

Por outro lado, vale destacar que a União européia (UE) implementou o regulamento MiCA (Markets in Crypto-Assets), que também proíbe o uso de ativos físicos como ouro para stablecoins classificadas como EMTs (Electronic Money Tokens).

Segundo o sistema regulatório, os emissores devem ser autorizados pelo banco central. Em adição, devem publicar um white paper aprovado além de garantir resgate imediato e pelo valor nominal.

Stablecoins com lastro em ouro não se enquadram nesses critérios, pois o ouro não pode ser resgatado com a mesma agilidade que moeda fiduciária ou que os títulos públicos.

Dessa forma, isso coloca a Tether em rota de colisão com o MiCA, especialmente se quiser operar legalmente na Europa.

Riscos e possível reposicionamento global

A Tether está tentando se posicionar como alternativa ao sistema bancário tradicional, com reservas físicas e tokens como o XAUT, lastreado em ouro.

No entanto, além de limitar sua atuação em mercados regulados, essa estratégia pode forçar a venda de parte das reservas de ouro. Além de reduzir a confiança institucional caso não se adeque às novas regras.

Paolo Ardoino já expressou ceticismo sobre a regulação europeia, afirmando que ela pode afastar emissores do continente.

Dessa maneira, a Tether desafia a regulação global ao manter US$ 8 bilhões em ouro físico na Suíça, reforçando sua estratégia de segurança para stablecoins. Mas, enfrentando pressão de EUA e UE que exigem lastro exclusivamente em dinheiro ou títulos públicos.

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