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Riachuelo ameaça demitir e migrar produção para Ásia após fim da taxa das blusinhas

André Farber avisa que a Riachuelo pode demitir parte dos 33 mil funcionários e migrar para cross-border asiático após o governo Lula revogar a taxa das blusinhas. Entenda o impacto.

Riachuelo ameaça demitir e migrar produção para Ásia após fim da taxa das blusinhas

O CEO da Riachuelo, André Farber, afirmou que a empresa pode ser forçada a demitir parte de seus 33 mil funcionários (e até migrar operações para a Ásia), caso o governo mantenha a revogação da taxa das blusinhas.

A seguir:

  • O que o CEO da Riachuelo disse sobre demissões e cross-border após o fim da alíquota
  • Por que a revogação ampliou a assimetria tributária para 60% — e o que isso significa para o varejo nacional
  • O que o setor exige do governo como contrapartida para manter empregos e investimentos no Brasil

A Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 12 de maio de 2026 extinguiu a alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — conhecida como “taxa das blusinhas” ou Remessa Conforme. A medida havia sido instituída em agosto de 2024.

A decisão pegou o setor de surpresa. Segundo Farber, nem a Abvtex (Associação Brasileira de Varejo Têxtil) nem o IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) foram consultados. Nenhuma das grandes varejistas foi ouvida antes da assinatura.

A ameaça: demissões ou migração para a Ásia

Em entrevista ao NeoFeed, Farber foi direto: “Se a gente chegar à conclusão que esta decisão será mantida, vamos ter que começar a demitir pessoas. Não tem milagre.”

A Riachuelo opera 450 lojas no Brasil e faturou R$ 2,3 bilhões em receita líquida no primeiro trimestre de 2026, alta de 6,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Farber não descartou adotar o mesmo modelo usado por Shein, Shopee, Temu e AliExpress: o comércio eletrônico fronteiriço (cross-border), com envio de pequenos pacotes diretamente da Ásia.

“Nada nos impede de fazer cross-border. Eu instalo uma empresa lá, começo a trazer e mandar no formato de pequenos pacotes, que pagam muito menos impostos”, afirmou.

Contudo, ele reconhece o custo: a operação brasileira seria desmobilizada, gerando ainda mais demissões.

Como os impostos funcionam na prática

Farber explicou a diferença de carga tributária com um exemplo concreto. Um casaco da Riachuelo que custa R$ 100 carrega entre 80% e 90% de imposto total: 35% de taxa de importação via contêiner, PIS/Cofins e ~20% de ICMS.

Sendo assim, o produto chega às prateleiras a cerca de R$ 150, antes de qualquer margem.

O que mudou com a revogação

Antes da Remessa Conforme, plataformas asiáticas pagavam zero de imposto de importação. Com a taxa, passaram a recolher 20% — além do ICMS.

Com a revogação, os 20% voltam a zero. A assimetria tributária, que já era de 40% entre varejistas nacionais e plataformas estrangeiras, saltou para 60%.

No dia seguinte à decisão, as ações de Riachuelo, Renner e C&A caíram na B3. O fim da cobrança amplia a diferença de preços entre varejistas nacionais e sites estrangeiros.

O contexto político e o que o setor exige

Questionado sobre a timing político da medida (anunciada junto com o fim da escala 6×1 e o programa Desenrola), Farber foi enfático: “Isso é tão claro como a água é H₂O.”

Cerca de 50 entidades do setor haviam publicado manifesto alertando que a revogação colocaria em risco R$ 100 bilhões em investimentos no Brasil.

Para Farber, o argumento do governo de que a medida democratiza o consumo “não se sustenta” sem contrapartida tributária.

“Se o governo tem essa bandeira, eu topo. Mas ele deveria baixar os nossos impostos”, afirmou. No entanto, ele diz estar aberto ao diálogo, desde que as regras valham para todos os lados.

Por fim, o executivo resume a posição da empresa: “Somos uma empresa brasileira, que faz 79 anos em 2026, e que tem um compromisso com o Brasil. Mas se ficar claro que a regra do jogo é essa, a gente vai precisar sobreviver.”

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