Em 2025, o setor cripto vive um dos seus momentos mais vulneráveis. Segundo a Chainalysis, são mais de US$ 2 bilhões roubados apenas no primeiro semestre, com projeções que ultrapassam US$ 4,3 bilhões até dezembro. Diante desse cenário alarmante, Mitchell Amador, CEO da Immunefi, propõe uma abordagem revolucionária para a segurança digital.
O colapso silencioso da segurança Web3
Esses dados não são apenas estatísticas alarmantes, eles revelam uma falha estrutural na forma como a segurança é tratada na Web3.
A maioria dos projetos enxerga a segurança como uma etapa pontual, realizada antes do lançamento de contratos inteligentes. Além disso, auditorias são feitas, relatórios são publicados, e o projeto é lançado. Mas depois disso, o código evolui, integra novos oráculos, muda estruturas de governança e ninguém revisita os riscos originais. Como resultado, essa negligência pós-implantação abre brechas que são exploradas por atacantes cada vez mais sofisticados.
A visão do CEO da Immunefi Mitchell Amador: segurança como infraestrutura
Mitchell Amador, CEO da Immunefi, a principal plataforma de segurança Web3, propõe uma mudança radical: tratar a segurança como infraestrutura contínua, e não como um “seguro contra acidentes”.
Inclusive, em entrevista ao BeInCrypto, ele afirma que a mentalidade de “construir rápido” encontrou seu limite em 2025. Com bilhões fluindo para ecossistemas onchain, a segurança precisa acompanhar esse ritmo.
Segundo Amador, a segurança deve ser dinâmica, com monitoramento em tempo real, protocolos de resposta conscientes e ferramentas que evoluem junto com o código. “A segurança precisa passar de estática para contínua”, afirma. Isso significa que cada atualização, cada pull request, cada integração deve ser acompanhada por uma revisão especializada.
O impacto dos bugs: bilhões salvos por hackers éticos
Uma das soluções mais eficazes, segundo Amador, são os programas de recompensa por bugs. Esses programas oferecem prêmios para hackers éticos que identificam vulnerabilidades antes que elas sejam exploradas por agentes maliciosos. Além disso, a Immunefi já distribuiu mais de US$ 120 milhões em recompensas, e estima-se que essas ações tenham evitado mais de US$ 25 bilhões em perdas.
Esses “caçadores de bugs” são especialistas que analisam contratos inteligentes, testam limites e simulam ataques. Sendo assim, ao invés de depender exclusivamente de auditorias tradicionais, os projetos passam a contar com uma rede global de pesquisadores que atuam de forma proativa. Dessa forma, uma abordagem descentralizada para um problema que, ironicamente, ameaça a própria descentralização.
O caso Bybit e o alerta para o setor
O maior hack de 2025 até agora destaca a Bybit, que expôs falhas críticas em contratos atualizados sem nova auditoria. No entanto, esse ataque não é resultado de erro humano ou fraude interna, mas uma violação de infraestrutura.
Vale ressaltar que A TRM Labs revelou que mais de 80% dos fundos roubados neste ano vieram de falhas técnicas, e não de ações maliciosas internas.
Portanto, isso mostra que o problema não está apenas na intenção dos agentes, mas na arquitetura dos sistemas. Além disso, a segurança precisa ser pensada como parte do design, da operação e da manutenção contínua dos projetos. Sem isso, cada nova funcionalidade pode se tornar uma nova vulnerabilidade.
Por que os ataques aumentaram em 2025?
- Crescimento acelerado de protocolos DeFi
- Integrações complexas com oráculos e bridges
- Falta de revisão após atualizações de contratos inteligentes
- Governança descentralizada sem mecanismos de resposta rápida
A TRM Labs revelou que 80% dos fundos roubados vieram de falhas na infraestrutura.
O papel da Immunefi na revolução da segurança Web3
A Immunefi não é apenas uma plataforma de recompensas, ela está redesenhando a forma como a segurança é implementada. Com integração direta ao GitHub, cada pull request pode ser revisado por especialistas da comunidade, antes mesmo de aprovado. Além disso, isso cria um ciclo virtuoso de revisão, correção e prevenção.
Dessa forma, a Immunefi conta com os All Stars, um grupo de elite com mais de 1.000 pesquisadores que identificaram bugs críticos em mainnets e evitaram danos a milhões de usuários. Portanto, uma abordagem que une automação, comunidade e especialização, três pilares que tornam a segurança escalável e adaptável.
Segurança como diferencial competitivo
Em um mercado cada vez mais competitivo, a segurança deixou de ser um custo e passou a ser um diferencial estratégico.
Igualmente, projetos que investem em segurança contínua atraem mais usuários, mais liquidez e mais confiança. Os que negligenciam essa área enfrentam não apenas perdas financeiras, mas danos reputacionais irreversíveis.
O futuro da segurança Web3
O que está em jogo não é apenas a proteção de fundos, é a viabilidade da Web3 como modelo econômico. Se os usuários não se sentirem seguros, eles não vão confiar, não vão investir, não vão participar. A segurança é o alicerce da descentralização, da governança comunitária e da inovação aberta.
Por fim, a Immunefi mostra que é possível construir esse alicerce de forma colaborativa, transparente e eficaz. Para isso, é preciso abandonar a mentalidade de “segurança como etapa”. Só assim é possível evitar bilhões em perdas e garantir que a Web3 cumpra a promessa de transformação.


