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Falsos policiais sequestram influenciador e roubam R$ 750 mil em cripto

Dupla se passou por policiais civis para entrar em hotel e sequestrar influenciador. Câmeras flagraram a ação. Um suspeito foi preso, outro segue foragido

Falsos policiais sequestram influenciador e roubam R$ 750 mil em cripto

Dois homens se passaram por policiais civis para sequestrar um influenciador de 18 anos em um hotel de Ribeirão Preto, São Paulo, no dia 3 de julho. A dupla roubou aproximadamente R$ 750 mil em criptomoedas antes de libertar a vítima. Um dos suspeitos foi preso no mesmo dia. O outro seguia foragido até o fechamento desta matéria.

A seguir:

  • Como o crime foi executado e o que as câmeras registraram
  • Como a polícia identificou e prendeu os suspeitos
  • O padrão crescente de crimes físicos contra detentores de cripto no Brasil e no mundo

A ação foi filmada por uma funcionária do hotel, o que acabou sendo determinante para a captura dos criminosos.

Como o crime aconteceu

A vítima foi para Ribeirão Preto passar um final de semana com a namorada. Segundo apurações do Cidade Alerta, os criminosos monitoravam a rotina do influenciador pelas redes sociais e sabiam que ele investia em criptomoedas.

Os dois suspeitos chegaram ao hotel vestindo roupas da Polícia Civil, bateram na porta do quarto e ordenaram a abertura. Ao ser questionado sobre um mandado de prisão, um dos homens respondeu:

“Você vai ver o mandado de prisão lá na delegacia, na hora que você pegar com seu advogado, tá bom, bonitão?”

Uma funcionária do hotel filmou toda a ação, incentivada pelos próprios criminosos, que queriam passar legitimidade à falsa prisão. O vídeo mostra o influenciador sendo algemado, levado de elevador e colocado no banco traseiro de um veículo comum, sem caracterização policial.

Antes de partir, um dos suspeitos ainda disse aos presentes:

“Um agente vai descer para dar uma verificada no quarto. Pode deixar do jeito que está lá. Vocês não mexam, porque provavelmente vai ter mais alguma coisa lá.”

Os criminosos roubaram R$ 750 mil em criptomoedas e liberaram a vítima em seguida.

A prisão: câmeras e reconhecimento facial

As imagens registradas no hotel mostravam claramente os rostos dos suspeitos e a placa do veículo utilizado. Com essas informações, a Polícia Militar abordou o carro na Rodovia Anhanguera.

Durante a abordagem, foram encontrados no porta-malas duas algemas e uma case vazia de arma de fogo. Ao perceberem que seriam detidos, os suspeitos reagiram. O motorista do veículo, um Nivus, tentou tomar a arma de um policial rodoviário e fugiu.

“O motorista do Nivus acabou fugindo com o Nivus após tentar tirar a arma do policial rodoviário”, explicou o delegado Robson Gonçalves ao Cidade Alerta.

Um dos suspeitos trocou tiros com a polícia em Pirassununga e conseguiu escapar inicialmente. O segundo fugiu a pé para área de mata, mas tentou chamar um aplicativo de transporte para sair do local. O reconhecimento facial permitiu identificar o veículo e prender o homem identificado como Matheus Vinícius de Jesus dos Santos.

O padrão: cripto como alvo de crimes físicos

O caso de Ribeirão Preto não é isolado. Em março de 2026, criminosos se passaram por policiais para roubar R$ 5,4 milhões em Bitcoin de um casal na França. Em julho, a Interpol prendeu mais de 5.800 pessoas em 97 países numa operação contra golpes financeiros que incluíam criptomoedas. Em Paris, a filha e o namorado do cofundador da Ledger foram sequestrados em janeiro.

O padrão é consistente: detentores de cripto com visibilidade pública em redes sociais se tornam alvos de crimes físicos planejados com base em informações abertas. Influenciadores, traders conhecidos e fundadores de projetos estão entre os perfis mais visados.

O episódio reforça o debate sobre segurança operacional (OPSEC) para quem detém ativos digitais. Divulgar publicamente que se investe em cripto, especialmente em volumes relevantes, cria um vetor de risco físico que nenhuma hardware wallet ou autocustódia resolve.

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