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Sistema financeiro entra em nova era impulsionado por stablecoin 

Stablecoin deixa de ser tendência e passa a integrar a infraestrutura financeira global, impulsionando pagamentos e transferências internacionais.

Stablecoin conectando sistemas financeiros globais e pagamentos internacionais por blockchain.

A seguir:

  1. As stablecoins deixaram a fase experimental e passaram a atuar como infraestrutura relevante para pagamentos, liquidação financeira e movimentação internacional de recursos.
  2. A tecnologia reduz custos, diminui o tempo de liquidação e oferece mais agilidade para operações cross-border realizadas por empresas e instituições financeiras.
  3. Segundo Giuliano Kohler Silva, bancos possuem vantagens regulatórias, experiência em gestão de risco e acesso à liquidez global para liderar a nova infraestrutura financeira.

As stablecoins vêm ganhando espaço de forma consistente no mercado financeiro internacional. Embora durante anos tenham sido tratadas como uma inovação promissora dentro do universo dos ativos digitais, a realidade atual mostra que essas moedas digitais já desempenham um papel relevante na infraestrutura financeira global.

Na avaliação de Giuliano Kohler Silva, Head of Crypto / FX Desk do Banco Braza, o mercado ultrapassou a fase de experimentação. 

Segundo o especialista, as stablecoins passaram a operar nos bastidores do sistema financeiro, oferecendo mais eficiência para pagamentos, liquidação de operações e transferências internacionais.

Stablecoin impulsiona transformação nos pagamentos internacionais

Enquanto boa parte das discussões sobre criptomoedas ainda gira em torno da volatilidade do Bitcoin e de outros ativos digitais, o avanço das stablecoins ocorre de maneira mais discreta. No entanto, seu impacto já pode ser observado em diversas áreas do mercado financeiro.

As stablecoins são ativos digitais atrelados a moedas fiduciárias, como dólar e real. Por essa característica, elas conseguem oferecer previsibilidade de valor e, ao mesmo tempo, aproveitar a agilidade proporcionada pela tecnologia blockchain.

De acordo com dados da Chainalysis, o volume movimentado por stablecoins alcançou aproximadamente US$ 28 trilhões em 2025. O número evidencia uma mudança estrutural importante e demonstra que o mercado passou a enxergar essas moedas digitais como uma ferramenta prática para movimentação de recursos em escala global.

Além do crescimento expressivo em volume, a adoção das stablecoins apresenta um padrão relevante. 

Países emergentes lideram parte desse movimento, principalmente em regiões onde empresas e investidores buscam acesso mais eficiente a moedas fortes e operações internacionais com custos reduzidos.

Stablecoin reduz custos e aumenta eficiência operacional

Uma das principais razões para o crescimento das stablecoins está diretamente relacionada às limitações do sistema financeiro tradicional.

Atualmente, transferências internacionais costumam envolver múltiplos intermediários, taxas elevadas e longos períodos de liquidação. Em muitos casos, uma simples remessa internacional pode levar dias para ser concluída.

Nesse cenário, as stablecoins surgem como uma alternativa capaz de simplificar processos. A tecnologia permite liquidação praticamente instantânea, redução de custos operacionais e acesso mais eficiente à liquidez global.

Segundo Giuliano Kohler Silva, esse modelo funciona como um atalho operacional para empresas e instituições que realizam operações cross-border com frequência. 

Dessa forma, a tecnologia contribui para aumentar a competitividade e reduzir barreiras em mercados cada vez mais conectados.

Além disso, a busca por eficiência financeira tem levado companhias de diferentes setores a analisar a integração dessas soluções em suas operações diárias.

Regulação fortalece mercado de stablecoin

Outro fator que vem acelerando a adoção das stablecoins é o avanço regulatório observado nos últimos anos.

Durante muito tempo, a ausência de regras claras representou um dos principais obstáculos para a expansão desse mercado. 

Entretanto, diversas jurisdições passaram a desenvolver estruturas regulatórias específicas para emissão, custódia e utilização desses ativos digitais.

Na visão de Giuliano Kohler Silva, esse processo mudou completamente a dinâmica do setor. Em vez de representar uma barreira, a regulação passou a funcionar como um elemento de segurança para investidores, empresas e instituições financeiras.

Com regras mais claras, bancos e demais participantes do mercado encontram um ambiente mais favorável para desenvolver produtos e serviços baseados em stablecoins. Como resultado, a adoção tende a crescer de forma ainda mais acelerada nos próximos anos.

Bancos podem liderar a nova infraestrutura baseada em stablecoin

À medida que o mercado amadurece, uma nova discussão ganha força: quem irá liderar a infraestrutura financeira baseada em stablecoins? Para Giuliano Kohler Silva, os bancos possuem vantagens competitivas importantes nesse cenário. 

Diferentemente de empresas de tecnologia, as instituições financeiras já operam em ambientes altamente regulados e contam com experiência consolidada em gestão de risco, compliance e liquidez.

Além disso, os bancos mantêm relacionamento direto com clientes corporativos e possuem acesso aos principais sistemas financeiros globais. Essas características podem acelerar a integração das stablecoins aos serviços financeiros tradicionais.

Isso não significa que as big techs estejam fora da disputa. Empresas de tecnologia continuam apresentando vantagens relacionadas à escala e à experiência do usuário. 

Contudo, quando o assunto envolve movimentação de recursos em larga escala, confiança institucional e conformidade regulatória tendem a exercer papel determinante.

Stablecoin avança de forma silenciosa no sistema financeiro

Diferentemente de outras inovações tecnológicas que chegam ao consumidor final com grande exposição midiática, as stablecoins evoluem principalmente nos bastidores.

Grande parte dos usuários sequer percebe quando uma operação utiliza essa infraestrutura. Ainda assim, a tecnologia vem transformando processos internos, reduzindo custos e aumentando a eficiência de diversas operações financeiras.

Apesar do avanço, especialistas ressaltam que desafios importantes permanecem em desenvolvimento. 

Questões relacionadas à interoperabilidade entre sistemas, harmonização regulatória global e gerenciamento de riscos continuam exigindo atenção do mercado.

Mesmo assim, Giuliano Kohler Silva acredita que o estágio atual já demonstra uma mudança estrutural significativa. Para ele, o debate deixou de ser sobre o potencial das stablecoins e passou a focar na melhor forma de incorporá-las ao sistema financeiro de maneira segura e eficiente.

Diante desse cenário, instituições financeiras que conseguirem integrar essa tecnologia com rapidez e conformidade regulatória poderão conquistar vantagens competitivas relevantes em um mercado que passa por um processo contínuo de transformação.

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