Um estudo do CoinGecko com snapshots anuais de 2014 a 2026 mostra como o ranking das maiores criptomoedas se transformou. Em 1° de junho, o HYPE superou o DOGE. XRP é o único ativo não-Bitcoin presente em todos os anos.
A seguir:
- O que mudou de 2014 para 2026: Bitcoin ainda domina, mas stablecoins ocupam mais de 11% do top 10
- Por que a entrada do Hyperliquid é historicamente relevante e o que ela diz sobre o mercado de 2026
- A trajetória do XRP durante 13 anos no top 10, incluindo o período do processo com a SEC
Em 2014, o top 10 das criptomoedas por capitalização de mercado incluía Solarcoin, Peercoin, Namecoin e Blackcoin. Nenhum deles existe com relevância hoje. Doze anos depois, o mesmo ranking inclui duas stablecoins, um protocolo DeFi de derivativos e um ativo tokenizado de hipoteca residencial.
O CoinGecko publicou esta semana um estudo com snapshots anuais do top 10 por capitalização de mercado, sempre em 1° de junho de cada ano, de 2014 a 2026. O retrato dos 12 anos é revelador sobre o que sobreviveu, o que desapareceu e o que mudou de estrutura.

HYPE entra, DOGE sai e o mercado manda recado
O grande destaque de 2026 foi a entrada do Hyperliquid (HYPE) no top 10 em 1° de junho, superando o Dogecoin (DOGE) com capitalização de US$16,0 bilhões. É apenas a segunda vez na história que um protocolo DeFi puro entrou no top 10, depois do Uniswap (UNI) em 2021, no pico da DeFi Summer.
A diferença entre as duas entradas é estrutural. O UNI entrou no boom e saiu com ele. O HYPE entrou num mercado em contração: o total de capitalização cripto está em US$2,49 trilhões em 3 de junho de 2026, com Bitcoin caindo abaixo de US$67.000 no início da semana e mais de US$1,35 bilhão em liquidações de posições compradas.
O Hyperliquid é uma blockchain layer-1 otimizada para derivativos perpétuos e spot descentralizados. Opera com finalidade de transação abaixo de um segundo, order book on-chain e trading sem taxas de gas. Gerou mais de US$1,16 bilhão em receita acumulada desde o lançamento. Não é narrativa. É fluxo de caixa verificável.

O que o Bitcoin perdeu e o que ainda domina
Em junho de 2014, o Bitcoin representava 87,0% da capitalização combinada do top 10. Em junho de 2026, esse número caiu para 64,9%: queda de 22,1 pontos percentuais em 12 anos.
Mas esse recuo não representa ameaça à dominância relativa. Nenhum outro ativo chegou perto de desafiar a posição absoluta do Bitcoin. O que dilui o percentual do BTC não são altcoins competindo com ele, mas principalmente as stablecoins, categoria que não existia no ranking em 2014.
A Tether (USDT) entrou no top 10 em 2020 com 3,9% de share. Em 2026, ocupa 8,3%. O USD Coin (USDC) entrou em 2021 e permanece. Juntas, as duas stablecoins somam 11,6 pontos percentuais do top 10 hoje, uma categoria não especulativa que dilui a participação relativa de todos os outros ativos, incluindo o Bitcoin.

O Ethereum e a mudança mais consequente da década
A chegada do Ethereum em 2016 foi a mudança estrutural mais consequente na composição do top 10. Estreando direto na 2ª posição com 11,1% de share, o ETH estabeleceu imediatamente um núcleo de dois ativos que persiste até hoje.
No pico de 2021, durante a mania de DeFi e NFTs, o Ethereum chegou a 23,5% do top 10. Em 2026, esse número recuou para 10,6% à medida que concorrentes layer-1 como Solana e BNB Chain erodiam sua participação relativa.
XRP: 13 anos sem sair do top 10
Nenhum ativo não-Bitcoin tem uma trajetória comparável à do XRP. A Ripple é a única criptomoeda a ter mantido posição no top 10 todos os anos de 2014 a 2026, uma sequência ininterrupta de 13 anos.
Em 2014, o XRP era o 8° colocado com US$32,0 milhões de market cap e 0,3% de share do top 10. Em 2025, chegou ao 4° lugar com US$127,9 bilhões e 4,3% de share. Mais de 4.000x de crescimento em valor absoluto ao longo de 11 anos.
O mais impressionante: o XRP manteve essa presença durante o processo da SEC, de 2020 a 2023, que ameaçou sua listagem nas exchanges americanas. Saiu do processo e continuou no ranking.
Os que sumiram e o caso curioso do Dogecoin
O top 10 de 2014 incluía nomes que hoje não existem com nenhuma relevância: Solarcoin, NXT, Peercoin, Namecoin e Blackcoin. O Litecoin, terceiro maior em 2014 com 3,5% de share, sumiu do ranking a partir de 2021.
O Dogecoin conta uma história diferente. Ausente do top 10 entre 2017 e 2020, voltou em 2021 com 3,2% durante o ciclo de meme coins e se manteve até 2025. Em 2026, o HYPE tirou sua cadeira.
A entrada do HYPE deslocando o DOGE reflete uma preferência do mercado de 2026 por tokens com receita clara e utilidade on-chain verificável, em contraste com ativos impulsionados por especulação e narrativa



