A seguir:
- O BORA utiliza blockchain para transformar interações digitais em benefícios concretos, permitindo que usuários recebam recompensas por assistir conteúdos, responder pesquisas e indicar produtos.
- A plataforma chegou a 1 milhão de usuários e projeta mais de 900 milhões de transações, consolidando sua atuação dentro da economia da atenção.
- Além do reconhecimento ligado ao Pacto Global da ONU, o BORA levou o debate sobre economia da atenção ao Cannes Lions 2026, ampliando sua projeção global.
Enquanto gigantes da tecnologia disputam cada segundo da atenção dos usuários, uma iniciativa brasileira quer discutir quem realmente se beneficia dessa dinâmica. A proposta vem do BORA, aplicativo criado pelas empresas CORE e Wibx, que utiliza blockchain para recompensar pessoas por ações comuns na internet, como assistir conteúdos, responder pesquisas e indicar produtos.
A discussão chega em um momento oportuno. O tempo gasto em redes sociais, aplicativos e plataformas digitais continua crescendo no Brasil, um dos países que mais passam horas conectados diariamente. Apesar disso, a maior parte do valor gerado por esse engajamento permanece concentrada nas empresas que operam esses ambientes digitais.
Foi justamente essa percepção que motivou a criação do BORA. Lançada em setembro de 2025, a plataforma alcançou a marca de 1 milhão de usuários e projeta ultrapassar 900 milhões de transações ao longo do primeiro ano de funcionamento.
A lógica do aplicativo parte de uma pergunta simples: se empresas lucram com a atenção das pessoas, por que os próprios usuários não participam dessa cadeia de valor?
Economia da atenção impulsiona novo modelo de engajamento
O conceito conhecido como economia da atenção ganhou força nos últimos anos à medida que plataformas digitais passaram a disputar o tempo dos usuários. Nesse cenário, curtidas, compartilhamentos, visualizações e interações se tornaram ativos valiosos para marcas e anunciantes.
O BORA tenta ocupar um espaço pouco explorado nesse mercado. Em vez de concentrar recompensas apenas em criadores de conteúdo ou influenciadores de grande alcance, a plataforma direciona benefícios para usuários comuns.
Na prática, os participantes recebem moedas digitais Wibx ao realizar atividades específicas dentro do aplicativo. As operações utilizam tecnologia blockchain, que registra cada movimentação e permite rastrear as recompensas distribuídas.
Segundo Ricardo Podval, CSO do BORA, a proposta busca ampliar o acesso de diferentes públicos às oportunidades criadas pela transformação digital.
Para os usuários, os créditos acumulados podem ser utilizados em diferentes serviços e produtos. Entre as possibilidades estão vouchers, ingressos, compras em estabelecimentos parceiros e transferência de valores via Pix.
Recomendações pessoais ganham espaço na estratégia
Ao contrário das campanhas tradicionais de marketing de influência, o modelo desenvolvido pelo BORA aposta no potencial das conexões cotidianas.
A plataforma trabalha com dinâmicas como “Assista e Ganhe”, “Responda e Ganhe” e “Indique e Ganhe”. Dessa forma, recomendações feitas entre amigos, familiares e conhecidos passam a integrar uma estrutura de engajamento recompensado.
A estratégia acompanha uma mudança observada no comportamento do consumidor. Em muitos casos, indicações feitas por pessoas próximas possuem maior poder de convencimento do que campanhas conduzidas por grandes influenciadores.
Para as empresas parceiras, a proposta oferece acesso a uma audiência engajada. Já para os usuários, abre a possibilidade de gerar benefícios financeiros a partir de hábitos que já fazem parte da rotina digital.
Projeto concentra esforços no chamado Brasil Real
Outro aspecto que diferencia o BORA é o foco nas classes C, D e E. A empresa afirma que o projeto foi desenvolvido para alcançar públicos que frequentemente ficam fora das principais iniciativas de inovação tecnológica.
Para aproximar a comunicação dessa realidade, a plataforma mantém encontros periódicos voltados à avaliação da linguagem utilizada nas campanhas. O objetivo é garantir que as mensagens façam sentido para diferentes perfis de usuários.
Entre os participantes dessas discussões já estiveram representantes de comunidades, lideranças sociais e personalidades ligadas à cultura popular.
A iniciativa também conta com a participação do empreendedor social Raull Santiago, conhecido por sua atuação no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
Reconhecimento da ONU amplia visibilidade do projeto
Em 2026, o BORA recebeu reconhecimento relacionado às iniciativas realizadas em conjunto com a Wibx dentro do contexto do Pacto Global da ONU.
O destaque ocorreu por ações alinhadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 2, voltado para Fome Zero e Agricultura Sustentável.
Segundo a empresa, a tecnologia pode funcionar como instrumento de inclusão econômica ao permitir que mais pessoas tenham acesso a benefícios gerados por atividades digitais.
Cannes Lions coloca economia da atenção em debate
A inscrição do projeto no Cannes Lions 2026 representa mais um passo na estratégia de expansão da plataforma.
Considerado um dos principais eventos globais de criatividade, marketing e comunicação, o festival reúne anualmente profissionais, empresas e especialistas de diferentes países.
No evento, o BORA pretende levar uma reflexão que vem ganhando espaço no mercado digital: qual deve ser o papel do usuário dentro da economia da atenção?
A discussão não envolve apenas tecnologia ou publicidade. Ela também passa por temas como distribuição de valor, inclusão digital e novas formas de participação econômica em ambientes online.
Ao apresentar sua proposta em um palco internacional, a plataforma brasileira busca mostrar como blockchain, engajamento e recompensas podem coexistir dentro de um modelo que procura dividir parte do valor gerado pelos próprios usuários.


