A Bienal de São Paulo recebeu a maior edição do TokenNation em quatro anos. Dois dias, quatro palcos, 147 palestrantes e um hackathon com 22 projetos que mostram o que o Brasil está construindo em Web3 e IA.
A seguir:
- O que aconteceu nos dois dias de evento: os painéis mais relevantes e as falas que definem o momento do mercado
- O HackaNation: os projetos premiados e o que eles dizem sobre a nova geração de builders brasileiros
- Arte digital, UNICEF e obras tokenizadas de Sebastião Salgado: como o evento foi além da conferência
Nos dias 1 e 2 de junho, o Pavilhão da Bienal de São Paulo recebeu a quarta edição do TokenNation. Foram cinco mil visitantes, 147 palestrantes, 73 sessões de conteúdo distribuídas em quatro palcos e um hackathon com 22 projetos premiados com mais de R$30 mil.
A edição deixou um retrato claro do mercado em 2026: as tecnologias que há três anos eram tratadas como tendências emergentes passaram a entrar em decisões concretas de empresas, bancos, empreendedores e organizações da sociedade civil. A pergunta central nos painéis não era mais “quando isso vai chegar” mas “como integramos isso com segurança e resultado mensurável“.
Pix, cartão e stablecoin no mesmo painel
Um dos debates mais citados foi “Pix, cripto e cartão: quem vai mandar no seu dinheiro“. Executivos de pagamentos discutiram a coexistência entre diferentes meios e chegaram a uma posição clara.
“Estamos longe do fim dos cartões, e as tecnologias estão se conectando. Não vemos como uma tecnologia canibal, mas que se complementam”, disse Antônia Souza, diretora de Moedas Digitais da Visa.
A frase resume bem o tom da edição para o setor financeiro: stablecoins ganham relevância como infraestrutura adicional, não como substitutas do que já existe.
Na trilha de regulação, o argumento dominante foi de que regras claras são vetor de crescimento, não barreira.
“O cuidado daqui para frente é ser um mercado consolidado, mas não isolado”, afirmou Guilherme Sacamone, Head LatAm da OKX.
O que o UNICEF fez na abertura do segundo dia
A programação de 2 de junho começou com o encontro “Child Lens for Blockchain“, promovido pela UNICEF com apoio do TokenNation. A agenda reuniu executivos e parceiros institucionais em torno de uma questão específica: como blockchain e IA podem ampliar oportunidades para crianças e jovens.
Felipe Gonzalez, Innovation Officer do UNICEF Brasil, apresentou as iniciativas da organização e destacou o papel dos contratos inteligentes para rastreabilidade de impacto.
“A partir dos contratos inteligentes e da tokenização, é possível rastrear o impacto desse investimento. Isso amplia a confiabilidade e a transparência dessas soluções.”
Arte como linguagem, não como apêndice
A programação artística da quarta edição foi estruturada em oito pontos de experiência distribuídos pela Bienal. Galeria com curadoria dos últimos três anos do ecossistema, sala imersiva assinada por VJ Spetto e United VJs, arte generativa, realidade virtual e obras tokenizadas do acervo de Sebastião Salgado.
A escolha de Salgado não é ornamental. Tokenizar obras de um dos fotógrafos mais reconhecidos do Brasil dentro de um evento de blockchain é uma declaração de posicionamento sobre onde o mercado quer chegar: ativos de valor real, com autoria verificável e novos modelos de distribuição.
O HackaNation e o que os projetos dizem sobre o Brasil
O encerramento do HackaNation 2026 aconteceu ao vivo no palco do evento. Com 142 inscritos e 22 projetos desenvolvidos ao longo da edição, o hackathon contou com trilhas voltadas aos ecossistemas Solana e Chainlink, além de desafios relacionados a IA, DeFi, stablecoins, tokenização, sustentabilidade e ODS.
Os projetos premiados cobriram um espectro amplo: monetização de APIs e agentes de IA, pagamentos digitais, fidelização do comércio local, educação financeira, due diligence ambiental para cadeias agroexportadoras, microcrédito para trabalhadores informais e prontuários médicos com consentimento verificável e auditoria em blockchain.
Esse último é o mais revelador. Um prontuário médico com auditoria em blockchain resolve um problema real de saúde pública, consentimento e portabilidade de dados. Não é projeto de hackathon para impressionar investidor, é infraestrutura para o mundo real.
“O HackaNation mostrou, na prática, a força da comunidade brasileira de builders. Os projetos demonstram que o Brasil tem talentos preparados para construir soluções relevantes em Web3, IA, tokenização e infraestrutura digital”, afirmou Marco Antonio Affonseca, cofundador e CEO do TokenNation.
Carol Santos, Curadora do HackaNation 2026, resumiu: “Hackathon é a porta de entrada de muitos jovens na tecnologia.”


