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Donald Trump lucrou US$ 1,4 bi em cripto enquanto regulava o setor nos EUA

Donald Trump diz não haver “nada de errado” em lucrar com memecoin e World Liberty Financial enquanto o Congresso vota legislação do setor. Setor cripto já gastou US$ 189 mi no ciclo eleitoral de 2026.

Donald Trump lucrou US$ 1,4 bi em cripto enquanto regulava o setor nos EUA

Donald Trump respondeu nesta quinta-feira às críticas sobre seu relatório financeiro de 2025, que mostra US$ 1,4 bilhão em rendimentos ligados a criptomoedas enquanto estava no cargo. Em entrevista à CNBC, o presidente afirmou não haver “nada de ilegal” nem “nada de errado” em lucrar com esses investimentos durante o mandato.

Os números colocam Trump numa posição inédita: o presidente que mais lucrou diretamente com o setor que está regulando. E o timing importa: o Congresso debate simultaneamente o CLARITY Act, a principal legislação de estrutura do mercado de ativos digitais dos EUA.

A seguir:

  • De onde vieram os US$ 1,4 bilhão e como cada produto contribuiu
  • Por que organizações de defesa classificam os investimentos como conflito de interesse estrutural
  • O peso político e financeiro do setor cripto no ciclo eleitoral americano de 2026

De onde vieram os US$ 1,4 bilhão

O relatório financeiro de 2025 foi divulgado pelo Escritório de Ética Governamental dos EUA e cobre o total de rendimentos de Trump no ano: mais de US$ 2 bilhões em negócios e investimentos, dos quais US$ 1,4 bilhão estão ligados diretamente a projetos cripto.

A composição por produto é a seguinte:

  • memecoin Official Trump (TRUMP): US$ 636 milhões.
  • World Liberty Financial (plataforma da família Trump): US$ 588 milhões em vendas.
  • Participação em empreendimento de stablecoin: US$ 197 milhões.

Na entrevista à CNBC com Joe Kernen, Trump alegou que outras pessoas eram responsáveis por seus investimentos e que ele “nem sequer sabia quem eram”, evitando responder diretamente sobre possíveis conflitos de interesse. A resposta não convenceu críticos nem reguladores.

O argumento do conflito de interesse

O problema central não é a legalidade estrita dos investimentos. É a sobreposição entre os ativos que Trump detém e as legislações que seu governo está conduzindo.

O CLARITY Act, projeto que define a estrutura regulatória do mercado de ativos digitais nos EUA, está em tramitação ativa no Congresso. Simultaneamente, um projeto que proíbe CBDCs aguarda sanção presidencial. Trump é o principal beneficiário financeiro de um ecossistema cujo marco regulatório ele tem poder direto de moldar.

Organizações de defesa do consumidor foram diretas. O Public Citizen classificou os investimentos como um “esquema” que permite ao presidente influenciar legislações relacionadas. A Consumer Citizen chamou de “obsceno” o volume de receita cripto durante o mandato e pediu ação do Congresso.

Donald está mais uma vez ultrapassando os limites e ninguém, absolutamente ninguém, está o impedindo“, disse Mary Trump, sobrinha do presidente, em entrevista à CNN na sexta-feira. “Muitas pessoas provavelmente sairão impunes de muitos crimes financeiros que causaram danos reais a pessoas que investiram nos negócios de Donald porque acreditavam nele.”

O contexto político: de “fraude” a US$ 1,4 bilhão

A trajetória de Trump com cripto é documentada e rápida. Após o primeiro mandato, chamou o Bitcoin de “fraude”. Na preparação para as eleições de 2024, aproximou-se de figuras como os cofundadores da Gemini, Cameron e Tyler Winklevoss, e de executivos de mineração e corretoras. Desde então, lançou a memecoin TRUMP, a World Liberty Financial e uma participação em stablecoin.

O resultado financeiro de 2025 torna esse reposicionamento mensurável: cripto superou imóveis como principal fonte de renda de Trump no ano.

US$ 189 milhões do setor cripto no ciclo eleitoral de 2026

O impacto político do setor vai além da figura presidencial. Segundo o Public Citizen, empresas e figuras ligadas à indústria de criptomoedas contribuíram com US$ 189 milhões para o ciclo eleitoral americano de 2026 até junho. O número representa a maior fatia dos US$ 294 milhões gastos por empresas de cripto, IA, big tech e apostas online para apoiar ou se opor a políticos no período.

Em 2024, o setor havia gastado US$ 170 milhões para apoiar candidatos considerados “pró-cripto” ao Congresso. O ciclo de 2026 já superou esse total antes do fim do ano eleitoral.

O contexto é relevante: todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado estarão em disputa nas eleições de novembro. O mandato de Trump vai até janeiro de 2029, mas a composição do Congresso eleito em 2026 definirá se o CLARITY Act avança, recua ou é reescrito.

Por fim, a posição de Trump é politicamente consistente com a narrativa que construiu desde 2024. Mas a combinação de US$ 1,4 bilhão em ganhos pessoais com poder regulatório direto sobre o mesmo setor cria um precedente que reguladores, investidores institucionais e legisladores de outros países observam de perto. Para o mercado cripto global, a questão não é apenas se é legal. É se é sustentável como base para uma regulação legítima.

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