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USDC supera USDT em volume de transações pela primeira vez em 7 anos

O USDC superou o USDT em volume ajustado de transações em 2026 e lidera em países como Brasil, Alemanha e Colômbia. Entenda o que está mudando no mercado de stablecoins.

Gráfico comparando o volume de transações do USDC e do USDT em 2026, com o USDC liderando pela primeira vez desde 2019

A seguir: 

  1. O USDC superou o USDT em volume ajustado de transações em 2026, processando US$ 2,2 trilhões contra US$ 1,3 trilhão do rival, segundo o Mizuho Financial Group, a primeira virada desse tipo desde 2019.
  2. Em países como Brasil, Alemanha e Colômbia, mais pessoas possuem USDC do que USDT, segundo pesquisa do BVNK com YouGov, refletindo o avanço do USDC em mercados com maior apetite regulatório.
  3. O mercado global de stablecoins atingiu US$ 315 bilhões em março de 2026, com o USDC impulsionado por fuga de capitais, demanda institucional e conformidade regulatória com MiCA e o GENIUS Act dos EUA.

Enquanto o Tether (USDT) ainda lidera o mercado de stablecoins com uma capitalização de mercado de aproximadamente US$ 184 bilhões, o USDC, da Circle, vem conquistando terreno de forma consistente em 2026.

Pela primeira vez desde 2019, o USDC superou o USDT em volume ajustado de transações, o que representa uma virada significativa na disputa entre as duas maiores stablecoins do mercado global.

Juntas, USDT e USDC respondem por cerca de 93% de toda a capitalização de mercado do setor de stablecoins, segundo dados do TRM Labs.

Portanto, o movimento do USDC não é apenas uma mudança de posicionamento entre concorrentes, é uma reorganização no núcleo do ecossistema cripto mundial.

USDC registra crescimento explosivo de oferta em 2026

De acordo com dados da CoinMarketCap, o fornecimento circulante do USDC saltou de pouco mais de US$ 70 bilhões no início de fevereiro para US$ 81 bilhões em março de 2026, um ritmo de expansão entre os mais rápidos já registrados por uma stablecoin relevante.

Esse avanço reflete não apenas adoção crescente, mas também confiança institucional em alta.

Além disso, uma pesquisa do Mizuho Financial Group, publicada em 13 de março, revelou que o USDC processou aproximadamente US$ 2,2 trilhões em volume ajustado de transações no acumulado do ano, contra US$ 1,3 trilhão do USDT.

Isso coloca o USDC com cerca de 64% do volume combinado entre as duas moedas, revertendo uma tendência histórica em que o USDC respondia por apenas 30% desse total.

O Mizuho define volume ajustado como transferências que envolvem exchanges centralizadas, exchanges descentralizadas e outras entidades identificadas, excluindo atividades automatizadas ou repetitivas sem valor econômico real. Trata-se, portanto, de uma métrica que capta transações genuínas.

USDC lidera em países como Brasil, Alemanha e Colômbia

Por outro lado, a batalha entre USDC e USDT não se resolve de forma uniforme no mundo. Um levantamento do relatório BVNK Stablecoin Utility Report 2026, conduzido com a YouGov em 15 países e 4.658 respondentes, mostra que a disputa se fragmenta em batalhas regionais.

O pesquisador Leon Waidmann destacou que, em cinco mercados, a taxa de posse de USDC já supera a de USDT.

Na Colômbia, 29% dos entrevistados possuem USDC contra 25% com USDT. Na África do Sul, a proporção é de 29% contra 23%. Na Alemanha, 17% contra 15%; no Brasil, 16% contra 14%; e nos Estados Unidos, 26% contra 22%.

Esses números indicam que o posicionamento regulatório exerce influência direta sobre a adoção.

O USDC, emitido pela Circle Internet Group, mantém licenças de conformidade sob o regulamento MiCA da Europa e se alinha com o framework do GENIUS Act nos Estados Unidos.

O Tether, por sua vez, optou por não buscar conformidade com o MiCA, concentrando seu crescimento em mercados asiáticos e em economias com moedas voláteis.

Fuga de capital e demanda institucional impulsionam o USDC

Outro fator que contribui para o avanço do USDC é a fuga de capitais em mercados emergentes e economias ricas em petróleo.

O analista Rami Al-Hashimi, baseado em Dubai, apontou que mesas de balcão na cidade enfrentaram dificuldades para atender à demanda por USDC, em meio a uma queda de cerca de 31% no índice imobiliário da Bolsa de Dubai (DFM Real Estate Index).

Dessa forma, quando investidores em economias petrolíferas migram para USDC em vez de contas bancárias em dólar, isso sinaliza que a versão digital do dólar passa a competir diretamente com sua versão física. Essa é uma transformação profunda no comportamento financeiro global.

Em resposta a esse cenário, os analistas Dan Dolev e Alexander Jenkins, do Mizuho, elevaram o preço-alvo das ações da Circle de US$ 100 para US$ 120, citando a expansão do uso do USDC em mercados de previsão e no chamado “comércio agêntico”, sistemas automatizados que realizam transações sem intervenção humana direta.

Mercado global de stablecoins atinge recorde histórico

Vale destacar que o mercado total de stablecoins atingiu US$ 315 bilhões em meados de março de 2026, o maior nível já registrado. Esse crescimento reflete a demanda institucional crescente, tanto em aplicações de trading quanto em usos não financeiros, como pagamentos e liquidação de contratos.

A questão central daqui para frente é se o USDC conseguirá sustentar sua vantagem em volume enquanto reduz a diferença de capitalização em relação ao USDT.

Os dados de 2026 sugerem que a resposta dependerá, cada vez mais, das escolhas regulatórias e dos padrões de adoção regional — e que não haverá um único vencedor global, mas sim líderes distintos em cada mercado.

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