A chegada da inteligência artificial generativa está redesenhando os modelos tradicionais de desenvolvimento de software. Assim, o que antes era um dilema estratégico entre “comprar ou construir” agora cede espaço a uma nova lógica: desenvolver com agilidade, personalização e eficiência por meio de IA e automação.
De acordo com um relatório da OutSystems em parceria com a KPMG, 75% dos executivos afirmam que o uso dessas tecnologias reduz em até 50% o tempo de entrega de soluções.
Para Fabio Seixas, CEO da Softo, o antigo dilema entre adotar uma solução pronta ou desenvolver sob medida está se tornando obsoleto.
“Com a IA generativa otimizando etapas cruciais do ciclo de desenvolvimento, como a escrita de código, os testes automatizados, a detecção de bugs e até sugestões de arquitetura, construir software sob medida deixou de ser um esforço exclusivo de grandes corporações com orçamentos robustos”, explica o CEO da empresa especializada no modelo DevTeam as a Service
Segundo Seixas, o desenvolvimento assistido por IA (AIAD) está democratizando o acesso a soluções personalizadas.
“Em vez de meses, muitas soluções hoje são entregues em semanas, e em vez de equipes internas numerosas, times enxutos e altamente especializados conseguem entregar aplicações personalizadas e escaláveis com eficiência impressionante”, afirma.
O GitHub Copilot, ferramenta de IA lançada em 2021, ilustra bem esse avanço. Um estudo conduzido pela própria plataforma mostra que desenvolvedores que utilizam a ferramenta concluíram tarefas 55% mais rápido do que os que não utilizam.
Ainda assim, Seixas ressalta que a vantagem competitiva das empresas não está mais nas linhas de código em si, mas na arquitetura das soluções e na capacidade de adaptação.
“Em um cenário em que reescrever uma aplicação inteira se tornou barato e viável, a ideia de “proteger o código” como ativo estratégico faz cada vez menos sentido”, aponta.
Outro ponto central do novo paradigma é a estratégia de desenvolvimento. Com a IA reduzindo custos e tempo, empresas enfrentam uma segunda decisão: manter o desenvolvimento internamente ou recorrer a parceiros especializados.
“Criar uma equipe própria de tecnologia exige investimento contínuo, gestão de talentos, infraestrutura e, sobretudo, tempo, o ativo mais escasso na corrida pela inovação. Para empresas cujo core business não é software, essa escolha pode ser contraproducente.”, conclui.
Personalização se tornou essencial para qualquer empresa
Sendo assim, a tendência é clara: personalização deixou de ser luxo e passou a ser exigência; escalabilidade virou pré-requisito; e a IA se consolidou como diferencial competitivo.
Na prática, o uso de IA e automação está não apenas mudando como o software é desenvolvido, mas também como ele é pensado.
Ao substituir o binarismo “comprar ou construir” por uma abordagem mais estratégica, as empresas ganham autonomia para moldar suas soluções, responder às mudanças do mercado e integrar a tecnologia ao crescimento do negócio de forma inteligente.


