O protocolo World, responsável pela criptomoeda Worldcoin (WLD), anunciou uma parceria com o aplicativo de relacionamentos Tinder. A iniciativa reforça a estratégia da empresa de levar sua tecnologia para além do universo cripto e inseri-la em plataformas de grande alcance global.
Agora, o app famoso por fazer match entre pessoas desconhecidas usará a tecnologia de reconhecimento da íris ocular provida pela World para combater a criação de perfis falsos e fraudes. A ideia é adicionar uma camada extra de verificação para garantir que os usuários são humanos reais.
Por enquanto, o recurso só estará disponível para usuários no Japão, mas logo poderá ser utilizado por pessoas de outros países. O país asiático tem sido um dos principais mercados de teste para soluções de identidade digital e biometria avançada.
A íris humana, ao contrário de outras formas de biometria, como a identificação facial, por ora é impossível ou pelo menos muito difícil de falsificar. Isso faz com que esse tipo de autenticação seja visto como mais seguro em comparação com alternativas tradicionais.
A utilização da biometria ocular, portanto, faz parte do dispositivo de “prova de humanidade” que a startup Tools for Humanity, responsável pelo World, realiza. O objetivo é criar uma infraestrutura global capaz de diferenciar humanos de máquinas.
Prova de Humanidade
Para obter a biometria ocular, o World faz um escaneamento da íris a partir de um dispositivo redondo chamado Orb. O aparelho captura uma imagem em alta resolução do olho do usuário.

Depois disso, os dados da imagem são convertidos em um hash, ou seja, em uma sequência única de caracteres de tamanho fixo. Esse processo garante que a informação original não possa ser facilmente reconstruída.
Segundo a Tools for Humanity, nada é armazenado além do hash. A empresa afirma que a imagem original da íris é descartada logo após o processamento.
O código numérico gerado torna-se o chamado World ID. Ele funciona como uma credencial digital anônima para provar que o usuário é único e humano.
Perfis falsos no Tinder
Nos últimos anos, os perfis falsos, principalmente de golpistas no Tinder, tornaram-se cada vez mais frequentes. Esse problema se intensificou com o avanço das ferramentas de inteligência artificial.
Hoje, criminosos conseguem criar fotos e interações altamente realistas. Isso dificulta a identificação de fraudes por parte dos usuários.
Só nos Estados Unidos, os chamados golpes amorosos já geraram um prejuízo estimado em US$ 1 bilhão. Nesse tipo de crime, o golpista se passa por um interesse romântico para enganar a vítima.
Esse cenário tem pressionado plataformas digitais a investir em mecanismos mais robustos de verificação. A biometria surge como uma possível solução.
Proibição no Brasil
Por aqui, a World chegou a trazer as orbes para realizar o processo de verificação. No entanto, teve que interromper a prática após decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
A autoridade considerou arriscada a coleta de dados biométricos sensíveis por uma empresa privada. A preocupação principal envolve o uso e armazenamento dessas informações.
Outro ponto crítico foi a oferta de criptomoedas Worldcoin em troca da biometria. Para a ANPD, isso poderia incentivar decisões pouco informadas por parte da população.
Segundo o órgão, pessoas mais vulneráveis poderiam ceder seus dados apenas para receber dinheiro. Isso levantou alertas sobre possíveis abusos no modelo de negócio.
Outras parcerias da World
Além do Tinder, a World também tem parceria com a plataforma de videoconferências Zoom. A proposta é verificar, em tempo real, se os participantes são humanos.
Esse tipo de solução pode ser útil em reuniões corporativas e ambientes educacionais. Especialmente em um contexto de aumento de bots e deepfakes.
A empresa também já indicou interesse em expandir para redes sociais e jogos online. A ideia é tornar o World ID uma camada universal de identidade digital.
O projeto conta com apoio de nomes como Sam Altman, criador da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT. Isso ajuda a manter a iniciativa no centro das discussões sobre o futuro da internet e da identidade digital.


