A Seguir:
- A fabricação da Shein no Brasil não avançou devido a custos incompatíveis e exigências de preços baixos.
- Fabricantes brasileiros encerraram contratos ao não conseguirem sustentar o modelo fast-fashion da Shein.
- A empresa adotou uma estratégia mais seletiva, mas mantém o Brasil como mercado estratégico.
A tentativa da Shein de fabricar no Brasil não avançou como o esperado e gerou frustração entre confecções nacionais.
Fabricantes relatam pressão por preços inviáveis, dificuldades logísticas e exigências que não dialogam com a realidade da indústria local.
Diante disso, a própria empresa reconheceu que o plano de nacionalização enfrentou entraves estruturais relevantes.
Além disso, o caso reacende o debate sobre a viabilidade do modelo fast-fashion da Shein no Brasil, especialmente em um cenário de custos elevados, legislação trabalhista rígida e baixa integração industrial quando comparado ao modelo chinês.
Shein admite dificuldades na fabricação no Brasil
Em comunicado à agência Reuters, a Shein admitiu que a fabricação no Brasil não deu certo conforme o planejamento inicial.
A empresa explicou que o processo produtivo local exigiu mais tempo para amadurecer.
Segundo a companhia, as diferenças de infraestrutura industrial entre Brasil e China tornaram a expansão mais lenta do que o previsto.
Ainda assim, a Shein destacou que segue comprometida com o mercado brasileiro. No entanto, a empresa deixou claro que precisou rever sua estratégia de produção local diante dos desafios enfrentados pelas confecções parceiras.
Pressão por preços inviáveis afasta fabricantes brasileiros
Fabricantes brasileiros afirmam que o modelo de preços da Shein no Brasil se mostrou incompatível com os custos locais.
De acordo com empresários entrevistados, a empresa exigiu reduções significativas nos valores de atacado logo após os primeiros pedidos.
Um empresário do Rio Grande do Norte relatou que a Shein solicitou a redução do preço de uma saia de R$ 50 para R$ 38, enquanto uma jaqueta deveria cair de R$ 65 para R$ 45. Segundo ele, a conta simplesmente não fechou, o que levou ao encerramento do contrato.
Além disso, outros executivos confirmaram que a produção local da Shein não atingiu as metas estabelecidas, o que reforçou a decisão de interromper as parcerias.
Modelo fast-fashion da Shein não se adapta ao Brasil
O modelo fast-fashion da Shein depende de custos extremamente baixos e prazos curtos. No entanto, a indústria brasileira enfrenta desafios estruturais que dificultam essa adaptação.
Custos trabalhistas mais elevados, carga tributária complexa e menor escala de produção comprometem a competitividade.
Segundo representantes do setor, a tentativa de replicar no Brasil o mesmo modelo produtivo da China ignora diferenças fundamentais entre os dois mercados. Como resultado, a fabricação da Shein no Brasil perdeu força rapidamente.
Falta de integração prejudica a produção da Shein no Brasil
Outro fator decisivo envolve a falta de integração entre fábricas e fornecedores no Brasil. Na China, a Shein opera com uma rede de cerca de 7 mil fábricas, localizadas próximas a fornecedores de insumos como botões, tecidos e zíperes.
No Brasil, essa integração não existe. A dispersão geográfica das fábricas, somada às exigências legais e logísticas, impede a reprodução do modelo chinês. Para especialistas do setor, esse cenário compromete a eficiência e eleva os custos operacionais.
Fernando Pimentel, diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), resumiu a situação ao afirmar que produzir no Brasil exige uma lógica completamente diferente da China, o que inviabilizou o avanço do projeto.
Quando a Shein iniciou a fabricação no Brasil
A Shein iniciou sua operação produtiva no Brasil em 2023, prometendo investir cerca de US$ 150 milhões e gerar 100 mil empregos até 2026.
A estratégia ganhou força em 2024, após a criação da taxa de 20% sobre importações de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”.
Naquele momento, a empresa anunciou a meta de nacionalizar 85% das vendas no país. Ao final do primeiro ano, a Shein informou parcerias com 336 fábricas brasileiras, sinalizando otimismo com o projeto.
Shein adota estratégia mais seletiva no Brasil
Com as dificuldades enfrentadas, a Shein decidiu adotar uma estratégia mais seletiva no Brasil.
A empresa afirmou que seguirá trabalhando apenas com fábricas consideradas mais capacitadas para atender aos seus padrões de custo e escala.
Apesar do recuo na fabricação em massa, o Brasil permanece como o segundo maior mercado da Shein fora dos Estados Unidos.
Segundo a empresa, o marketplace continua ativo com mais de 45 mil vendedores locais, mantendo a relevância do país em sua operação global.




