A seguir:
- A Kaspersky identificou 26 apps maliciosos no iPhone que imitam carteiras de criptomoedas legítimas para roubar fundos de usuários em qualquer país.
- Os apps maliciosos instalam perfis de desenvolvedor no iOS para distribuir carteiras comprometidas, afetando tanto hot wallets quanto cold wallets de criptomoedas.
- Para se proteger de apps maliciosos que roubam criptomoedas, nunca instale perfis de desenvolvedor e jamais insira sua frase de recuperação fora do dispositivo principal.
A Kaspersky acaba de identificar uma ameaça séria que já preocupa quem guarda criptomoedas no celular: 26 aplicativos fraudulentos circulam ativamente no ecossistema iOS, se passando por carteiras digitais legítimas para roubar fundos de usuários desprevenidos.
A campanha está em operação desde pelo menos o quarto trimestre de 2025 e não tem restrição geográfica, qualquer pessoa, em qualquer país, pode ser vítima.
O esquema funciona de forma sofisticada. Inicialmente, o usuário encontra um app aparentemente inofensivo, jogos simples, calculadoras ou gerenciadores de tarefas e o instala normalmente.
Esses aplicativos, no entanto, exibem apenas funcionalidades básicas para parecerem legítimos, servindo unicamente como isca. Quando executados, eles abrem uma página da web que imita a App Store e incentivam o download de uma “carteira de criptomoedas” para gerenciar ativos digitais.
Como os apps maliciosos comprometem carteiras de criptomoedas
O processo de infecção segue uma lógica bem estruturada. Ao acessar a página falsa, o usuário recebe instruções para instalar um perfil de desenvolvedor no dispositivo.
Esse passo é central para todo o ataque: com o perfil instalado, o iPhone passa a aceitar aplicativos externos à loja oficial, abrindo a porta para a instalação de carteiras comprometidas com malware.
A técnica é similar ao funcionamento do SparkKitty, malware para iOS já documentado pela própria Kaspersky, que utiliza ferramentas de desenvolvimento corporativo para distribuir aplicativos maliciosos fora dos canais oficiais.
A semelhança não é coincidência, indica que os criminosos aprimoraram métodos já validados em campanhas anteriores.
Cada aplicativo malicioso detectado replica fielmente a identidade visual da carteira original que imita, copiando ícones, nomes e até interfaces internas.
A maioria dos alvos identificados até agora era composta por usuários chineses de iOS, embora as ferramentas usadas no ataque não tenham qualquer restrição regional.
Hot wallets e cold wallets: nenhuma está imune
Um ponto que chama atenção nessa campanha é a amplitude dos alvos. Os aplicativos maliciosos conseguem comprometer tanto hot wallets, carteiras conectadas à internet, mais práticas para o dia a dia, quanto cold wallets, dispositivos físicos que armazenam criptomoedas offline e que muitos consideram invioláveis.
No caso das carteiras online, o malware age durante momentos críticos: intercepta informações exibidas na tela enquanto o usuário cria ou recupera a carteira.
Basta capturar a frase de recuperação uma única vez para que os criminosos obtenham acesso irrestrito a todos os fundos.
Já com os dispositivos físicos, a abordagem muda, mas o resultado é igualmente devastador.
Os criminosos criam páginas falsas que simulam o processo de configuração do hardware e solicitam códigos de recuperação que o aplicativo original jamais pediria. O usuário, sem perceber a fraude, entrega voluntariamente a chave de acesso completa aos seus ativos.
Kaspersky recomenda atenção redobrada ao gerenciar criptomoedas
Leandro Cuozzo, analista de segurança do time Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina, reforça que o perigo existe mesmo em dispositivos que o usuário considera seguros.
“Ao pagar uma taxa e configurar uma conta de desenvolvedor, os cibercriminosos conseguem atingir qualquer dispositivo iOS”, explica o especialista, acrescentando que a expectativa é de que o golpe continue evoluindo com novos aplicativos maliciosos.
Diante desse cenário, a Kaspersky divulgou um conjunto de recomendações práticas para quem usa criptomoedas no iPhone:
- Desconfie de links que aparecem inesperadamente dentro de aplicativos, especialmente se redirecionarem para páginas externas;
- Nunca instale perfis de desenvolvedor sem orientação direta do seu empregador ou de uma fonte absolutamente confiável;
- Insira sua frase de recuperação apenas no dispositivo principal — o aplicativo legítimo jamais vai solicitá-la em outra tela;
- Verifique sempre a identidade do desenvolvedor antes de instalar qualquer app, mesmo que ele esteja disponível na App Store. Confirme os links de download diretamente no site oficial.
Vale reforçar que a Kaspersky já reportou todos os 26 aplicativos identificados às autoridades competentes. Ainda assim, a melhor defesa continua sendo a atenção do próprio usuário: entender como esses golpes funcionam é o primeiro passo para não cair neles.


