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Ataque à Coldcard rouba 1.367 BTC e provoca maior onda de transferências desde a FTX

Ataque à Coldcard impulsiona a maior movimentação de carteiras com menos de 1 BTC desde a FTX e revela falha de segurança que permaneceu oculta por cinco anos.

Ataque à Coldcard expõe falha em carteira de hardware e leva usuários de Bitcoin a movimentarem milhares de BTC para proteger seus ativos.

A seguir

  1. Ataque à Coldcard provoca recorde de movimentações de Bitcoin
  2. Falha na Coldcard permaneceu escondida durante cinco anos
  3. Ataque à Coldcard reacende debate sobre autocustódia

O ataque à Coldcard continua provocando impactos no mercado de criptomoedas e já desencadeou uma das maiores ondas de movimentação de Bitcoin dos últimos anos. Dados divulgados pela CryptoQuant mostram que usuários transferiram 39,6 mil BTC em transações inferiores a 1 Bitcoin, volume que não era registrado desde os dias seguintes ao colapso da FTX, em novembro de 2022.

Ao mesmo tempo, novas descobertas sobre uma vulnerabilidade presente há cinco anos nos dispositivos da fabricante ampliaram as preocupações sobre a segurança das carteiras de hardware e reacenderam o debate em torno da autocustódia.

A combinação entre o avanço do ataque e a revelação de uma falha antiga transformou a Coldcard no centro das atenções da comunidade cripto. Enquanto milhares de investidores correm para proteger seus ativos, pesquisadores continuam monitorando novas vítimas e rastreando os valores desviados.

Ataque à Coldcard impulsiona recorde de movimentações de Bitcoin

O aumento das pequenas transferências de Bitcoin chamou a atenção dos analistas da CryptoQuant. Segundo Julio Moreno, chefe de pesquisa da empresa, 39.600 BTC foram movimentados em um único dia por usuários que possuem menos de 1 BTC, um comportamento que não acontecia desde a quebra da FTX.

Na prática, o movimento indica que investidores de varejo decidiram agir rapidamente para reduzir riscos. Em vez de manter os ativos em endereços potencialmente comprometidos, muitos passaram a transferir seus Bitcoins para novas carteiras consideradas mais seguras.

O volume registrado ficou apenas 300 BTC abaixo do pico observado em novembro de 2022, período marcado pelo colapso da FTX. Para especialistas, esse comportamento demonstra que os investidores estão mais atentos aos riscos de segurança e reagem com maior rapidez diante de possíveis ameaças.

Galaxy Research identifica novas perdas durante o ataque

Enquanto usuários movimentavam seus fundos, pesquisadores continuavam investigando o avanço do incidente. A Galaxy Research informou que uma nova onda de ataques drenou aproximadamente 207,7 BTC, elevando o total estimado para 1.367 BTC roubados, distribuídos em 4.585 endereços afetados.

Além disso, a equipe de pesquisa destacou que o ataque permanecia ativo, motivo pelo qual diversos especialistas recomendaram que usuários transferissem imediatamente os recursos armazenados em endereços gerados pelos dispositivos vulneráveis.

Segundo Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy Digital, novas carteiras comprometidas continuam sendo identificadas diariamente. Os relatos enviados pela comunidade também ajudam investigadores e autoridades a acompanhar o caminho percorrido pelos Bitcoins roubados, aumentando as chances de rastreamento dos recursos.

Falha na Coldcard permaneceu escondida por cinco anos

Ao mesmo tempo em que o ataque ganhava proporções maiores, outra descoberta elevou ainda mais as preocupações do mercado.

A Coinkite, fabricante da Coldcard, revelou que uma falha existente desde março de 2021 alterou o processo de geração das frases-semente utilizadas pelos dispositivos. Durante uma atualização do software, a carteira passou a utilizar um gerador pseudoaleatório menos robusto em determinadas situações, em vez do gerador de números verdadeiramente aleatórios desenvolvido pela empresa.

O problema permaneceu oculto durante cinco anos porque as auditorias verificavam apenas a existência do mecanismo de segurança, mas não confirmavam se ele realmente era utilizado pelo firmware final entregue aos usuários.

Essa descoberta levantou questionamentos sobre a eficiência das auditorias independentes realizadas em carteiras de hardware e abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre os padrões de segurança adotados pelo setor.

Especialistas defendem auditorias mais rigorosas

Nick Percoco, diretor de segurança da Kraken, afirmou que o episódio deve servir como um alerta para toda a indústria de autocustódia.

Segundo ele, fabricantes de carteiras de hardware precisam adotar processos semelhantes aos utilizados em outros segmentos da segurança digital, nos quais laboratórios independentes verificam não apenas a existência dos mecanismos criptográficos, mas também sua utilização efetiva no produto comercializado.

Percoco lembrou que setores como meios de pagamento e módulos criptográficos seguem padrões internacionais de validação da fonte de entropia, enquanto o mercado de carteiras de hardware ainda não exige esse tipo de verificação de ponta a ponta.

Para o especialista, a autocustódia de ativos digitais não deveria operar com exigências inferiores às adotadas em outras áreas críticas da segurança da informação.

Debate sobre autocustódia volta ao centro do mercado

O caso também reacendeu uma discussão antiga dentro da comunidade de criptomoedas: afinal, a autocustódia continua sendo a alternativa mais segura?

Embora parte dos investidores tenha questionado esse modelo, diversos especialistas defenderam que o problema está relacionado à implementação específica da Coldcard e não ao conceito de autocustódia em si.

Nick Neuman, CEO da Casa, afirmou que milhares de usuários conseguiram proteger seus Bitcoins justamente porque controlavam suas próprias chaves privadas e puderam agir rapidamente após a divulgação do incidente. Em sua avaliação, a quantidade de ativos preservados pode ser várias vezes superior ao volume efetivamente roubado.

Por outro lado, defensores dos ETFs de Bitcoin argumentaram que produtos negociados em bolsa oferecem uma alternativa mais prática para investidores que preferem delegar a custódia a instituições especializadas.

Fabricante suspende envios enquanto investigação continua

Após confirmar a vulnerabilidade, a Coinkite informou que interrompeu temporariamente todos os envios de novos dispositivos e destruiu as unidades que ainda continham o firmware afetado.

Apesar disso, a empresa orientou os usuários que possuem dispositivos vulneráveis a não descartá-los, já que eles podem ser importantes durante eventuais investigações ou processos de recuperação dos ativos.

O ataque à Coldcard mostra que a segurança no mercado de criptomoedas depende não apenas da tecnologia utilizada, mas também da qualidade das auditorias, da rapidez na resposta aos incidentes e da atenção constante dos próprios investidores. O episódio também reforça que a evolução da infraestrutura de segurança continuará sendo um dos principais desafios para a adoção em larga escala do Bitcoin e da autocustódia.

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