A seguir:
- Ataques hackers em freezers: Criminosos manipularam temperaturas de equipamentos industriais em pelo menos 12 países, causando perdas de alimentos.
- Riscos à infraestrutura crítica: Os ataques a sistemas de refrigeração também atingiram equipamentos de um banco de sangue francês, enquanto os EUA investigam incidentes em bases militares.
- Alerta de segurança: O governo norte-americano recomenda reforçar senhas, atualizar sistemas e reduzir a exposição de equipamentos industriais à internet.
Agências de segurança dos Estados Unidos identificaram uma ameaça cibernética contínua contra sistemas de refrigeração industrial. Ataques já atingiram supermercados, instalações militares e equipamentos de um banco de sangue na Europa.
O governo dos Estados Unidos emitiu, nesta quinta-feira (5), um alerta sobre uma série de ataques hackers contra sistemas de refrigeração industrial conectados à internet. Os incidentes atingem equipamentos responsáveis pela conservação de alimentos, medicamentos e outros produtos que dependem de temperaturas controladas.
A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA), o FBI e outros departamentos federais afirmam que os criminosos conseguem alterar remotamente a temperatura de refrigeradores e freezers, provocando prejuízos financeiros e colocando em risco produtos essenciais.
Além disso, as autoridades alertam que as invasões representam uma ameaça à infraestrutura crítica. Isso porque supermercados, hospitais, transportadoras e centros de armazenamento dependem desses equipamentos para manter suas operações.
Ataques hackers contra sistemas de refrigeração atingem vários países
Nas últimas semanas, uma sequência de ataques hackers contra sistemas de refrigeração atingiu estabelecimentos no Reino Unido e em outros países europeus. Segundo os relatos, criminosos manipularam as configurações de temperatura de equipamentos industriais em pelo menos 12 países.
Como consequência, supermercados perderam alimentos congelados e produtos perecíveis após o aumento inesperado da temperatura. Os ataques demonstram que uma invasão digital pode provocar danos físicos e comprometer diretamente o abastecimento de produtos.
Entre os equipamentos afetados aparecem sistemas de refrigeração com controle remoto fabricados pela empresa dinamarquesa Danfoss. De acordo com a reportagem original, a fabricante havia interrompido o fornecimento de atualizações de segurança para determinados equipamentos utilizados pelos clientes.
Esse cenário preocupa especialistas porque sistemas antigos, principalmente aqueles que continuam conectados à internet, podem apresentar vulnerabilidades sem correção. Assim, criminosos encontram oportunidades para acessar equipamentos e modificar seu funcionamento.
Ataques hackers contra sistemas de refrigeração ameaçam hospitais
Os incidentes também chegaram ao setor de saúde. Na França, hackers atacaram equipamentos utilizados por um banco de sangue e conseguiram elevar a temperatura das unidades responsáveis pelo armazenamento de doações.
Entretanto, a resposta ao incidente impediu que o ataque comprometesse os estoques de sangue. O caso reforça a preocupação das autoridades com a segurança de instalações que armazenam materiais médicos sensíveis.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Defesa também investiga uma série de incidentes envolvendo freezers utilizados em instalações militares. Segundo informações divulgadas pela Reuters, as autoridades analisam a possibilidade de que ataques cibernéticos tenham provocado problemas nesses equipamentos.
O risco vai além da perda de alimentos: alterações indevidas na temperatura podem comprometer estoques médicos, interromper operações e gerar situações perigosas para trabalhadores e consumidores.
Governo dos EUA investiga origem dos ataques hackers
Apesar da dimensão dos incidentes, o governo norte-americano ainda não atribuiu oficialmente os ataques a um grupo criminoso ou país específico.
Pesquisadores de segurança apontam possíveis ligações com o Irã. Além disso, relatos indicam que autoridades dos Estados Unidos também consideram essa hipótese durante as investigações.
No entanto, as suspeitas sobre uma possível participação iraniana ainda não representam uma confirmação oficial de responsabilidade. Por enquanto, as autoridades concentram esforços na proteção dos sistemas e na identificação das vulnerabilidades exploradas.
A preocupação aumentou porque os criminosos não precisam necessariamente interromper completamente o funcionamento dos equipamentos. Em alguns casos, basta alterar os ciclos de refrigeração para provocar perdas significativas.
CISA recomenda medidas contra ataques hackers em refrigeradores
Diante dos incidentes, a CISA, o FBI e os departamentos de Agricultura, Saúde e Serviços Humanos e Transportes divulgaram recomendações para empresas que utilizam sistemas industriais de refrigeração.
Entre as principais orientações estão retirar sistemas de controle remoto da exposição direta à internet, fortalecer senhas e instalar atualizações de segurança sempre que possível.
As agências também recomendam substituir equipamentos antigos que não recebem mais suporte dos fabricantes. Dessa forma, as empresas podem reduzir a exposição a vulnerabilidades conhecidas e dificultar novas invasões.
Outro risco envolve a manipulação contínua dos ciclos de aquecimento e descongelamento. Segundo o alerta federal, hackers podem forçar os equipamentos a executar essas operações repetidamente, causando perdas de estoque e riscos ao próprio sistema.
Chris Butera, chefe interino de segurança cibernética da CISA, destacou que qualquer organização que dependa de refrigeração e monitoramento de temperatura deve considerar a possibilidade de se tornar alvo.
Portanto, os ataques hackers contra sistemas de refrigeração mostram como a segurança digital passou a influenciar diretamente a conservação de alimentos, o transporte de medicamentos e a continuidade de serviços essenciais.


