Os gastos com o cartão subiram 80% no país desde o lançamento, mas a Binance não revelou quantos usuários nem quanto dinheiro isso representa.
A seguir:
- Quanto o cartão da Binance cresceu no Brasil e no resto da América Latina
- Por que o gasto avança mais rápido que a base de usuários
- O recorde global dos cartões cript, e quem ficou fora da conta
A base de usuários do Binance Card no Brasil cresceu 53% entre o lançamento, em outubro de 2025, e o segundo trimestre de 2026. No mesmo período, o volume de gastos com o cartão avançou 80%.
Em resumo, o brasileiro não só aderiu ao cartão como passou a gastar mais com ele. Contudo, a exchange divulgou apenas variações percentuais, sem números absolutos. Isso limita qualquer comparação com concorrentes.
Gasto por usuário sobe no Brasil
Transporte por aplicativo, delivery de comida, supermercados, restaurantes e assinaturas online lideram as categorias de gasto. Ou seja, o cartão entrou na rotina de despesas recorrentes.
Como o volume cresceu acima da base, o gasto médio por usuário subiu cerca de 18% no período. Segundo a FinanceFeeds, os percentuais comparam médias de usuários e de volume entre o trimestre de lançamento e o segundo trimestre de 2026.
Na América Latina, o salto foi maior: 106% em usuários e 178% em volume de gastos. Dessa forma, o gasto por usuário na região avançou cerca de 35%, quase o dobro do ritmo brasileiro. Sem a base de cada país, porém, não dá para descartar um simples efeito de base menor.
Como o Binance Card funciona no Brasil
O cartão chegou ao país em parceria com a Mastercard. Segundo o comunicado de lançamento da Mastercard, ele funciona em mais de 150 milhões de estabelecimentos no mundo e dá cashback de até 2%, conforme termos e condições.
A conversão ocorre na hora da compra ou do saque em caixas eletrônicos. O lojista recebe em moeda local, e o usuário paga com os ativos da própria conta.
No Brasil, há mais de dez criptoativos disponíveis, como USDT, USDC, FDUSD, BNB, BTC, ETH, SOL, ADA, LINK e XRP. O próprio usuário define a ordem de uso. Assim, ele pode priorizar uma stablecoin (moeda digital atrelada ao dólar), seguida de bitcoin e ether. Quando o saldo de um ativo acaba, o sistema passa automaticamente ao próximo.
Além do cartão, a exchange oferece Binance Pay e pagamentos via Pix. O TechCripto já detalhou a chegada de Pix e cashback em cripto ao cartão da Binance.
Cartões cripto batem recorde
O painel da Paymentscan registrou US$ 1,115 bilhão em gastos com cartões cripto em agosto de 2026. O número inclui dados fora da blockchain (offchain) de 24 dos 26 programas monitorados.

Em julho, o mesmo painel apontava cerca de US$ 1,04 bilhão, mais que o triplo de um ano antes, segundo a CoinDesk. Já a a16z crypto, considerando apenas dados on-chain, contou US$ 759 milhões e quase 9 milhões de compras em julho. Nesse recorte, a USDC respondeu por 58% dos gastos e a USDT por 26%.
Para agosto, a Binance cita mais de 11 milhões de transações, ante 5,6 milhões um ano antes, com base na Paymentscan.
O mercado segue concentrado. Em agosto, RedotPay, EtherFi e KAST somaram cerca de 55% do volume do painel. A a16z ressalta que os números da RedotPay são informados pela própria empresa, e não observados on-chain. A KAST, terceira colocada, disse ao TechCripto que o Brasil virou um mercado global de stablecoins.
Há um detalhe relevante: o Binance Card não aparece na lista de cartões monitorados pela Paymentscan. Portanto, o recorde de agosto não inclui o cartão da maior exchange do mundo em volume.
O que a Binance ainda não mostrou
A falta de números absolutos é a principal lacuna do anúncio. Sem saber quantos cartões estão ativos, o leitor não consegue medir o produto frente aos principais cartões cripto disponíveis no Brasil.
Além disso, cartões cripto dependem cada vez mais de stablecoins, que estão no radar regulatório. O Banco Central confirmou, via LAI, que estuda uma trava de 24 horas em stablecoins. Uma regra assim pode afetar quem usa esses ativos como saldo de pagamento.
Por fim, o próximo teste para a Binance é abrir os dados. Só com números absolutos o crescimento de 53% mostra o tamanho real do cartão no país.


