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Brasil virou mercado global de stablecoins, diz CEO da KAST

Dados inéditos da Receita Federal mostram que as stablecoins já dominam 80% do volume cripto declarado no país, e a KAST quer ser a porta de entrada para esse dinheiro.

Executivo trabalhando com stablecoins no Brasil. Imagem: IA.

O Brasil deixou de ser apenas um mercado relevante de criptomoedas. Para Raagulan Pathy, CEO da KAST, o país já se tornou um mercado global de stablecoins, impulsionado não apenas por investidores, mas por pessoas e empresas que precisam movimentar dinheiro entre diferentes países.

A seguir:

  • Dados da Receita Federal revelam como as stablecoins passaram a dominar o mercado cripto brasileiro.
  • CEO da KAST conta, em entrevista ao TechCripto, por que o país virou prioridade da fintech.
  • A empresa detalha os próximos passos no Brasil.

Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, o Brasil declarou R$ 1,58 trilhão em operações com criptoativos à Receita Federal. Desse total, R$ 1,13 trilhão (71,7%) foi movimentado em stablecoins. Nos meses mais recentes, essa fatia passou de 80% do volume mensal.

Para Raagulan Pathy, CEO e cofundador da KAST, esses números não são coincidência. Em entrevista exclusiva ao TechCripto, o executivo que antes liderou a expansão da Circle (USDC) na Ásia explicou por que o Brasil virou uma das apostas mais agressivas da fintech de stablecoins, e o que vem a seguir.

Por que o Brasil virou prioridade para a KAST

A visão de Pathy sobre o Brasil não considera apenas tamanho de mercado, mas também o movimento do dinheiro em uma economia que mudou muito nos últimos anos.

“Há muitos brasileiros, e eles gostam de viajar, são muito globais por natureza”, afirmou o executivo, destacando também que muitos brasileiros prestam serviços a empresas internacionais ou constroem seus próprios negócios além do mercado nacional.

Os dados oficiais sustentam essa leitura. Em 2019, as stablecoins representavam apenas 3,5% do volume de criptoativos declarado ao Fisco. No entanto, esse número saltou para 79,7% em 2022, antes de se estabilizar em 80% no final de 2025.

O avanço também aparece no número de operações. Foram 185,7 milhões de transações com stablecoins declaradas no período, com pico de 18,2 milhões só em novembro de 2024.

Esse cenário coloca o Brasil no topo da América Latina. Segundo a Chainalysis, o país recebeu cerca de US$ 318 bilhões em valor on-chain entre julho de 2024 e junho de 2025; quase um terço de todo o volume da região.

A tese da KAST: um híbrido entre stablecoin e sistema bancário local

Mas Pathy reforça que esse comportamento não é exclusivo do Brasil. Mesmo usuários nos Estados Unidos, onde o dólar já é a moeda local, continuam recorrendo a stablecoins para mover dinheiro pelo mundo de maneira mais rápida, barata, e menos burocrática.

A tese não é substituir o dinheiro tradicional por criptomoedas, mas sim fazer com que os dois sistemas funcionem juntos.

Na prática, um usuário pode manter recursos em uma stablecoin atrelada ao dólar e, ao mesmo tempo, utilizar uma infraestrutura local para pagar ou receber dinheiro em reais.

“As pessoas estão buscando esse híbrido entre stablecoin e fiat”, afirmou o executivo.

De acordo com Pathy, é exatamente esse tipo de experiência que a KAST vem tentando construir. Pensando nisso, a empresa lançou suporte ao Pix no Brasil em novembro de 2025, permitindo depósitos e saques em reais diretamente pela plataforma.

Do público cripto nativo ao mercado de massa

A KAST nasceu como uma plataforma financeira baseada em stablecoins. Hoje, sua estratégia atual envolve pagamentos, cartões, transferências e serviços para empresas.

Segundo Pathy, não foi só o escopo de produtos da empresa que mudou; sua base de usuários, majoritariamente cripto nativa no início, hoje já é mais diversa.

“Estamos indo para o mercado de massa”, apontou o executivo, contando que a empresa passou a investir em colaborações com criadores de conteúdo para alcançar um público mais amplo.

Essa mudança importa porque o crescimento das stablecoins depende de elas deixarem de exigir conhecimento técnico sobre blockchain. Como resultado, a tecnologia por trás da operação tende a ficar em segundo plano para o usuário final.

Real digital ainda não engatou no Brasil, mas não é o fim do BRL

Apesar do crescimento acelerado do mercado de stablecoins, essa demanda não significa que o brasileiro queira abandonar o real. Para Pathy, um usuário pode movimentar reais localmente e usar stablecoins para acessar outros mercados.

Hoje, o mercado brasileiro já tem pelo menos oito projetos de stablecoins atreladas ao real. Entre eles estão BRZ, BRLA, BBRL, VRL, BRL1, BRLV, BRLN e BRLD.

Ainda assim, o dólar digital domina o volume declarado. A USDT respondeu por 88,7% de todo o volume em stablecoins entre 2019 e 2025, segundo a Receita Federal. A USDC ficou com 7,1%. Enquanto isso, a BRZ, a mais antiga stablecoin em reais do país, teve 3,4%.

Ao ser questionado sobre o que falta para a KAST “vencer” no Brasil, Pathy citou quatro prioridades: melhorar a experiência com Pix, lançar stablecoins em reais, oferecer produtos com recompensas em dólar e ampliar contas empresariais.

Investimento em compliance e expansão para América Latina

O crescimento das stablecoins acontece junto com o aumento do controle regulatório. A partir de julho de 2026, operações com criptoativos passaram a ser informadas à Receita Federal pela DeCripto, que também alcança prestadoras estrangeiras direcionadas ao mercado brasileiro.

Para a KAST, que já soma mais de 1 milhão de usuários e processa cerca de US$ 5 bilhões em volume anualizado em transações, o licenciamento virou parte central da estratégia em escala global.

“Investimos muito em licenças. Achamos isso fundamental para construir uma empresa maior”, disse Pathy.

Os dados da Receita Federal mostram uma transformação que já aconteceu nos bastidores do mercado cripto brasileiro, mas a aposta da KAST é que essa transformação ainda está apenas começando.

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