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USDT cresce no Brasil como proteção cambial em 2026

Dados da Receita Federal mostram que o USDT já supera o Bitcoin em volume no Brasil. Entenda como empresas usam stablecoins para proteção cambial.

USDT em destaque como proteção cambial no mercado brasileiro.

A seguir:

  1. Volume de operações com USDT no Brasil já supera o do Bitcoin em quatro vezes, segundo dados da Receita Federal
  2. Tensões logísticas no Estreito de Ormuz elevaram custos de energia e pressionaram a inflação, intensificando a busca por ativos dolarizados
  3. Empresas brasileiras usam stablecoins para pagamentos internacionais, proteção cambial e gestão de caixa

A volatilidade do real e a pressão inflacionária crescente no Brasil estão mudando a forma como empresas e investidores lidam com seus recursos. 

Dados recentes da Receita Federal registram expansão expressiva nas operações com USDT (Tether), a stablecoin lastreada no dólar que ganhou espaço como instrumento de proteção cambial e eficiência operacional. 

O movimento se intensificou após as tensões logísticas no Estreito de Ormuz elevarem os custos globais de energia e pressionarem cadeias de transporte e alimentação no país.

USDT ultrapassa Bitcoin em volume negociado no Brasil

O crescimento das operações com USDT no mercado brasileiro surpreende até especialistas. Levantamentos baseados em dados da Receita Federal mostram que o volume movimentado com a stablecoin já supera o do Bitcoin em aproximadamente quatro vezes no país. 

O total negociado ultrapassou R$ 271 bilhões no período analisado, com pico mensal acima de R$ 32 bilhões — números que evidenciam uma virada no perfil de uso dos criptoativos no Brasil.

Além disso, o número de CNPJs envolvidos em operações com criptoativos cresceu de forma relevante nos últimos anos, acompanhando a expansão financeira do setor. 

Esse dado reforça que a adoção do USDT deixou de ser fenômeno restrito a investidores individuais e passou a integrar a estratégia operacional de empresas de diferentes portes.

Empresas adotam stablecoins para reduzir custos com câmbio

Companhias expostas ao comércio exterior buscam cada vez mais instrumentos que ofereçam previsibilidade cambial e liquidez imediata.

Nesse contexto, o USDT se tornou uma alternativa concreta ao câmbio tradicional. Pagamentos internacionais, proteção de margem e redução de custos operacionais figuram entre as principais motivações para o uso corporativo das stablecoins.

Para Cleverson Pereira, head educacional da OnilX, a mudança é estrutural.

“O mercado passou a enxergar o USDT menos como ativo especulativo e mais como instrumento de proteção cambial e eficiência operacional. Em momentos de estresse econômico, a busca por previsibilidade aumenta significativamente”, afirma o executivo.

Cenário macroeconômico acelera demanda por dolarização

A combinação entre inflação persistente, instabilidade geopolítica e desvalorização do real ampliou a procura por ativos atrelados ao dólar. 

O cenário inflacionário também reacendeu práticas como a shrinkflation, redução do tamanho de produtos sem alteração nominal de preço, sinalizando que os efeitos da pressão econômica já chegam ao cotidiano do consumidor.

Por isso, a busca por mecanismos alternativos de dolarização rápida via stablecoins ganhou tração tanto no setor corporativo quanto entre pessoas físicas. 

A facilidade de acesso, a liquidez e a agilidade das transações estão entre os fatores que explicam o crescimento da adoção no Brasil, segundo Pereira.

Stablecoins entram no radar de investidores individuais

Ao mesmo tempo em que cresce o uso empresarial, investidores individuais também passam a utilizar stablecoins como estratégia de preservação de valor. 

Em períodos de desvalorização do real, manter parte do patrimônio em USDT se tornou uma forma acessível de se proteger da instabilidade econômica sem depender dos mecanismos tradicionais do mercado financeiro.

No entanto, especialistas alertam para a necessidade de cautela: operar stablecoins em plataformas com liquidez confiável, evitar concentração excessiva em um único ativo e monitorar indicadores macroeconômicos são práticas recomendadas para quem deseja usar criptoativos como proteção cambial de forma responsável.

O avanço do USDT no Brasil reflete uma transformação mais ampla no mercado de criptoativos nacional. 

O que antes era visto como território exclusivo de especuladores agora integra o planejamento financeiro de empresas e investidores que buscam eficiência, previsibilidade e proteção diante da volatilidade econômica

O amadurecimento desse mercado tende a pressionar reguladores e instituições financeiras tradicionais a oferecer alternativas equivalentes ao crescente público dolarizado.

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