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Brasil já tem 8 stablecoins: veja quais são e suas diferenças

Stablecoins em reais já são realidade no mercado financeiro brasileiro. Com oito projetos em circulação e a regulação do Banco Central se aproximando, entender as diferenças entre eles virou uma necessidade para investidores e empresas.

Brasil já tem 8 stablecoins: veja quais são e suas diferenças

A seguir: 

  1. O Brasil já tem 8 stablecoins em reais, com lastros, auditorias e proteções muito diferentes entre si
  2. O uso dessas moedas cresce por conta da tokenização de ativos e do mecanismo de pagamento simultâneo (DVP)
  3. A regulação do Banco Central deve filtrar projetos, e a B3 já estuda entrar no mercado

O mercado brasileiro de criptomoedas atreladas ao real cresceu em silêncio e, hoje, já conta com pelo menos oito projetos em circulação. Fintechs, exchanges e empresas de infraestrutura financeira lançaram suas próprias versões de stablecoins em reais, disputando espaço antes que o Banco Central consolide a regulamentação do setor. Embora todas prometam paridade de 1 para 1 com a moeda brasileira, os modelos são muito mais diferentes entre si do que parecem à primeira vista.

O que são as criptomoedas atreladas ao real e por que elas crescem

As stablecoins em reais funcionam como versões digitais da moeda nacional que circulam em redes blockchain. Diferentemente do Bitcoin, essas criptomoedas não têm valor volátil — pelo contrário, mantêm equivalência fixa com o real.

Isso as torna instrumentos úteis para pagamentos digitais, liquidação de operações financeiras e, principalmente, para o ecossistema crescente de tokenização de ativos reais como imóveis, créditos e dívidas.

Quando um ativo físico se transforma em token digital e passa a circular em blockchain, o pagamento também precisa acontecer nessa mesma rede.

É justamente nesse ponto que as criptomoedas atreladas ao real ganham relevância prática, funcionando como a versão digital do dinheiro nessas transações.

Quais são as principais criptomoedas atreladas ao real em circulação

Entre os projetos em operação, a BRZ, da Transfero, é a mais antiga — lançada em dezembro de 2018 e consolidada como referência entre plataformas institucionais.

Em seguida vieram a BRLA, da Avenia, focada em finanças descentralizadas (DeFi); a BBRL, do banco de câmbio Braza Bank; e a VRL, da fintech ResolvePay, voltada ao varejo.

Em 2025, um consórcio formado por Mercado Bitcoin, Foxbit, Bitso e Cainvest lançou a BRL1, com foco em reduzir fricções entre plataformas.

No final do mesmo ano, surgiram a BRLV, da Crown, e a BRLN, da Núclea — empresa que já fornece infraestrutura para o sistema financeiro brasileiro. A mais recente é a BRLD, da Liqi, especializada em tokenização de ativos, lançada em janeiro de 2026.

Por que as diferenças entre criptomoedas atreladas ao real são decisivas

Apesar do nome parecido e da promessa comum, os projetos divergem em pontos críticos para quem utiliza ou investe. O tipo de lastro é um deles: enquanto alguns emissores mantêm reservas predominantemente em títulos públicos federais de alta liquidez, outros combinam caixa, depósitos bancários e instrumentos de curto prazo com diferentes níveis de risco.

A transparência também varia bastante. Emissores como BRLA, BBRL, BRLV e BRLD já realizam auditorias independentes e publicam relatórios periódicos sobre suas reservas. Outros, como BRZ e VRL, ainda não adotam essas práticas.

Além disso, os mecanismos de proteção em caso de insolvência do emissor diferem entre contas segregadas com respaldo jurídico e estruturas que ainda estão em desenvolvimento.

Para quem negocia ou utiliza essas moedas digitais, essa diferença não é apenas técnica — ela determina o risco real ao qual o usuário está exposto.

Dinheiro programável e comércio exterior: os casos de uso das stablecoins em reais

Um dos argumentos mais fortes a favor das criptomoedas atreladas ao real está na chamada programabilidade do dinheiro. O mecanismo de delivery versus payment (DVP) permite que pagamento e transferência de ativo ocorram simultaneamente, eliminando o risco de inadimplência em operações como compra de imóveis ou veículos tokenizados.

Adicionalmente, empresas como a Matera enxergam potencial no uso dessas moedas em transações internacionais. Importadores estrangeiros poderiam manter tesouraria em real digital para adquirir produtos brasileiros, facilitando o comércio exterior e ampliando a presença do real fora do país.

Porém, para que isso se concretize, o chamado efeito de rede precisa funcionar: sem liquidez suficiente e adoção em larga escala, a moeda existe no blockchain, mas não tem utilidade prática.

Regulação do Banco Central deve redefinir o mercado de stablecoins em reais

Todos os emissores aguardam com expectativa a regulamentação do Banco Central. Em outubro de 2025, o BC abriu a consulta pública 126/2025, que discute exigências como lastro majoritariamente em ativos líquidos e garantia de resgate em prazo definido.

A percepção do mercado é que a regulação atuará como filtro natural, favorecendo projetos com estrutura mais robusta e afastando aqueles com baixo nível de transparência.

Nesse contexto, a B3 — controladora da bolsa brasileira — anunciou que estuda lançar sua própria criptomoeda atrelada ao real, integrada à infraestrutura tradicional do mercado de capitais.

Com participantes institucionais de peso entrando no jogo, a disputa tende a migrar da corrida por pioneirismo para uma competição baseada em liquidez, confiança e escala.

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