ZCash Brasil no Discord.

Bancos da América Latina adotam stablecoins como infraestrutura financeira, aponta BitGo

Instituições como Santander e B3 integram stablecoins à infraestrutura financeira. Entenda o movimento que redefine bancos e cripto na América Latina.

Stablecoins impulsionando integração entre bancos e criptomoedas

A seguir:

  1. Grandes bancos da América Latina, incluindo Santander Brasil, BCP Peru e B3, estão integrando ativos digitais nas suas operações cotidianas
  2. Stablecoins já representam 90% do fluxo cripto no Brasil, segundo dados do Banco Central citados pela BitGo
  3. Empresa de custódia digital obteve licença federal nos EUA e projeta nova geração de produtos financeiros baseados em stablecoins na região

A relação entre bancos tradicionais e o mercado de criptomoedas atravessa uma virada histórica na América Latina. 

Instituições que tratavam ativos digitais com desconfiança passaram a incorporá-los como componente central da infraestrutura financeira. 

Nomes como BCP Peru, Banco Santander Brasil, Tower Bank, BCP Bolívia, Caja de Valores e B3 já oferecem ou estudam produtos com ativos digitais, movimento que, segundo a BitGo, empresa americana de custódia e infraestrutura cripto, marca o início de uma nova fase de convergência entre bancos e stablecoins.

Stablecoins lideram a adoção cripto no Brasil e na região

O crescimento não acontece de forma abstrata. Dados recentes mostram que o fluxo de criptomoedas na América Latina cresceu 800% entre 2021 e 2024, impulsionado sobretudo pelo uso cotidiano de stablecoins, moedas digitais atreladas a ativos estáveis, como o dólar americano. 

Em julho de 2025, elas respondiam por 90% das participações cripto na região, ante 60% em 2022.

No Brasil, o peso das stablecoins é ainda mais expressivo. O Banco Central registrou que mais de 90% dos fluxos locais de criptomoedas estão relacionados a esses ativos, dentro de um volume que chegou a US$ 318,8 bilhões em 2024, quase um terço de todo o mercado latino-americano. 

Essa concentração indica que as stablecoins deixaram de ser produto especulativo e assumiram função de infraestrutura.

BitGo aponta três pilares para o crescimento regional

Segundo Luis Ayala, Diretor Executivo e Head da América Latina na BitGo, a transformação parte dos usuários, não das estratégias corporativas.

“Os usuários mostraram às instituições que a cripto é uma solução adaptável e que reduz custos”, afirma Ayala. “Agora, para empresas como a BitGo, que operam a infraestrutura entre instituições e usuários, nossa missão é fornecer a base regulada que permite a fusão desses dois mundos.”

A empresa identificou três pilares que sustentam esse avanço. O primeiro é o apoio institucional: provedores regulados podem ajudar bancos e órgãos reguladores a construir padrões de conformidade, governança e gestão de riscos.

A BitGo recebeu aprovação do OCC (Escritório do Controlador da Moeda, regulador bancário americano) para operar como banco fiduciário nacional com licença federal nos EUA, credencial que reforça sua capacidade de estabelecer esse tipo de estrutura.

O segundo pilar é a segurança de nível institucional. Bancos não precisam mais desenvolver sozinhos a infraestrutura para lidar com ativos digitais. 

Ao contar com provedores especializados, conseguem oferecer experiências integradas e seguras tanto para suas equipes internas quanto para os clientes finais, sem a necessidade de soluções improvisadas.

O terceiro é a integração operacional. Por meio de APIs, é possível conectar ativos digitais diretamente aos sistemas bancários existentes, eliminando silos entre as áreas. Essa abordagem evita a sobreposição de camadas sobre sistemas legados — um dos maiores entraves para a modernização financeira na região.

Modelo baseado em ativos substitui lógica de mensageria do SWIFT

Além dessas frentes, a mudança tecnológica mais profunda envolve a migração do modelo de mensageria financeira, representado pelo sistema SWIFT, usado em transferências internacionais, para um modelo baseado em ativos, no qual as stablecoins viabilizam liquidação atômica. 

Nesse formato, o pagamento e sua confirmação final ocorrem simultaneamente, eliminando o intervalo de dias úteis típico das transferências convencionais.

Essa lógica abre espaço para produtos que antes eram inviáveis: contas com rendimento em stablecoins, folhas de pagamento internacionais instantâneas e remessas transfronteiriças com custo reduzido. 

“O objetivo agora não é apenas ajudar bancos a adquirir cripto”, conclui Ayala. “É fornecer a infraestrutura para a próxima geração de produtos financeiros, dentro de um ambiente regulado em que possam confiar.”

Ao mesmo tempo, iniciativas como o Drex,  o real digital do Banco Central do Brasil, e a capilaridade do Pix criam condições favoráveis para que essa convergência avance com mais velocidade no país do que em outros mercados. 

A combinação de infraestrutura regulatória madura e alta penetração de stablecoins posiciona o Brasil como um dos territórios mais estratégicos para essa nova fase da integração entre bancos e criptomoedas.

Avatar de Mirian Romão

Escrito por