Há algum tempo a inteligência artificial (IA) está deixando de ser apenas uma tendência e se consolidando como um dos principais vetores de transformação do setor financeiro.
Em 2025, oito em cada dez bancos já incorporam a IA generativa em suas operações, com 38% apontando um aumento de eficiência acima de 20%, segundo pesquisa da Febraban realizada pela Deloitte.
De plataformas hiperpersonalizadas a jornadas 100% digitais, a tecnologia tem reformulado a forma como os bancos operam e se relacionam com seus clientes.
Hoje, quem fica na linha de frente dessa revolução, aposta em um futuro onde a experiência será tão fluída que o banco “desaparecerá” na rotina dos usuários — é o que afirma Abdul Assal, Diretor de Desenvolvimento de Negócios da Galileo no Brasil.
Em entrevista ao TechCripto, Assal descreve a tecnologia como um “catalisador para experiências mais intuitivas e personalizadas”. Como exemplo dessa revolução, o executivo destaca soluções como o Cyberbank Konecta — plataforma de IA generativa conversacional da Galileo que permite aos bancos criar assistentes virtuais customizados para interações mais humanas e eficientes.
Infraestrutura ainda é gargalo para integração da IA ao sistema financeiro tradicional
Apesar dos avanços, a integração da inteligência artificial ao sistema financeiro tradicional não é tarefa simples. O maior desafio, segundo a Galileo, está na infraestrutura tecnológica dos bancos.
“É muito legal e emocionante saber tudo que se pode fazer com a IA, mas muitas instituições ainda operam com sistemas legados que não suportam a complexidade e os requisitos de soluções modernas de IA.”
Para contornar esse cenário, a empresa aposta em uma arquitetura API-first, com foco em segurança, escalabilidade e conformidade com normas como LGPD, Open Finance e AML.
IA não substituirá os seres humanos
Com mais de duas décadas de atuação e foco em APIs bancárias, a Galileo observa impactos concretos da IA no dia a dia: jornadas digitais mais intuitivas, maior engajamento do usuário e redução significativa de custos operacionais. Ainda assim, Assal reforça:
“A IA não substituirá o capital humano muito menos os serviços de profissionais certificados, mas ajudará aos bancos que consigam trazer padrão onde requer padrão e personalização onde requer personalização.”
Geração Z e Millennials trazem novas expectativas para os bancos
Atualmente, a digitalização bancária é impulsionada principalmente pelos usuários mais jovens.
Uma pesquisa recente do Fórum Econômico Mundial revelou que jovens brasileiros da Geração Z estão começando a investir mais cedo que seus pais. Além disso, cerca de 41% estão abertos a conselhos financeiros baseados em IA, e 48% confiariam em assistentes virtuais para gerenciar seus investimentos.
No entanto, esse público exige uma experiência comparável à de plataformas como Spotify e Instagram, com foco em fluidez e personalização.
“A geração mais jovem valoriza interações naturais, autonomia para resolver questões via app e jornadas que acompanhem seus hábitos e comportamentos. Essa geração quer que seu banco seja tão simples de usar quanto sua rede social.”, destaca.
Essa tendência marca o surgimento do que a Galileo chama de “banco invisível”: uma presença bancária tão integrada ao cotidiano que o usuário quase não percebe, apenas usufrui do valor entregue.
Do Open Finance ao comportamento financeiro infantil
Na prática, a Galileo já vê resultados concretos de inovação na América Latina. Um exemplo citado por Assal é o do PicPay, que, ao integrar o Open Finance, adaptou visualmente seu app para respeitar a identidade de outras instituições financeiras durante a navegação. Tudo isso, sem comprometer a experiência do usuário.
Outro caso citado é a conta Teens, que oferece uma abordagem educativa e segura para pais e filhos, integrando princípios comportamentais e dados financeiros para promover a fluência financeira desde cedo.
A tecnologia revoluciona quanto tem um propósito claro
Embora a IA concentre boa parte dos holofotes, a Galileo lembra que outras tecnologias também estão remodelando os serviços bancários.
Contudo, o verdadeiro agente de transformação, segundo a empresa, é a regulamentação.
“Hoje em dia, cada nova tecnologia vai habilitando mais funcionalidades e novidades. Mas o grande motor de inovação na minha visão tem sido outro, a regulamentação.”
Para o executivo, é primordial garantir segurança, conformidade regulatória e privacidade dos dados. Dessa forma, Assal acredita que a tecnologia gera mudanças significativas quando aplicada às novas regras implementadas pelos reguladores.
Bancos vs Big Techs: Ainda há um longo caminho a percorrer
Quando questionado se os bancos estão preparados para competir em termos de experiência digital com empresas nativas de tecnologia, Assal ressalta que, neste ponto, todos já começaram a trilhar o caminho da nova era digital.
No entanto, admite que muitos ainda enfrentam limitações estruturais e tecnológicas para competir em igualdade com empresas nativas digitais.
O futuro será invísivel
Olhando para os próximos cinco anos, a Galileo aposta em uma relação bancária cada vez mais imperceptível, digital e conectada com outros ecossistemas.
“A relação será cada vez mais digital, contextual e invisível. Estamos entrando em uma era em que o serviço financeiro se integra naturalmente ao cotidiano do usuário — muitas vezes sem que ele perceba”, conclui a Abdul Assal.
Sendo assim, o executivo acredita que o banco do futuro será “mais uma plataforma de valor do que uma instituição transacional”.
Essa perspectiva reflete uma mudança estrutural no papel das instituições financeiras: mais do que fornecer produtos, elas passam a orquestrar experiências integradas, personalizadas e acessíveis em tempo real.
Dessa forma, com o avanço do open finance, da inteligência artificial e da interoperabilidade entre plataformas, os bancos tendem a se transformar em hubs inteligentes que conectam dados, comportamento e valor.


