Com a casa cheia, o principal evento de blockchain do Brasil deu o tom da temporada 2026 antes mesmo de abrir as portas oficialmente.
A seguir:
- Blockchain.RIO 2026 realizou seu pré-evento de lançamento com executivos de Visa e KAST em São Paulo
- O debate revelou onde o setor financeiro tradicional e o cripto estão convergindo — e onde ainda divergem
- Fraude digital emergiu como o risco mais subestimado do setor, segundo a própria Visa
O Blockchain.RIO 2026 deu a largada à sua temporada com o pré-evento de lançamento realizado na última quinta-feira (14) em São Paulo, no hub do Bradesco.
Como o principal evento de blockchain, tokenização, e ativos digitais do país, o evento funciona como um termômetro do setor para entender os temas que devem liderar o mercado nos próximos meses.
Painel reúne Visa e mercado de criptomoedas para discutir futuro dos pagamentos globais

Entre temas como regulamentação e políticas anti-lavagem de dinheiro, o painel “Do legado aos trilhos em Blockchain: a transformação dos pagamentos globais” reuniu executivos do setor financeiro e das criptomoedas para debater o estado atual e os próximos passos dos pagamentos digitais no Brasil e no mundo.
O debate reuniu Antônia Souza, Diretora de Produtos e Head de Blockchain e Cripto da Visa no Brasil; Israel Buzaym, Country Manager do Brasil da KAST; Rocelo Lopes, CDCI da Rezolve AI; e Leandro Pereira, VP LATAM da Dfns.
Com uma narrativa institucional e pró-regulamentação, temas centrais foram mudança geracional, integração blockchain-TradFi, IA em pagamentos e fraude digital.
O que o setor financeiro está dizendo sobre stablecoins
Souza apresentou um número que resume a mudança comportamental em curso. Segundo ela, pesquisa interna da Visa aponta que 69% da Geração Z preferiria receber stablecoin como presente de Natal no lugar de dinheiro tradicional.
Nesse sentido, o dado posiciona a adoção de stablecoins menos como uma questão técnica e mais como uma questão de identidade financeira geracional.
IA agêntica: a Visa já opera, o mercado ainda não percebeu
Além disso, a executiva revelou que a Visa já transaciona em comércio agêntico — modelo em que agentes de IA realizam compras automaticamente em nome do usuário, do início ao pagamento.
“Não é daqui a cinco anos. É daqui a alguns meses”, afirmou Souza, ao projetar o horizonte de adoção massiva desse modelo.
Fraude: o risco que o setor ainda subestima
Os números da Visa que o mercado deveria conhecer
O painel trouxe um dos alertas mais diretos da temporada. Souza revelou que a Visa já investiu mais de US$ 13 bilhões em inteligência artificial voltada à detecção de fraudes.
Como resultado, apenas em 2025, a tecnologia da companhia detectou US$ 40 bilhões em transações fraudulentas.
O ponto cego das fintechs cripto
No entanto, o alerta mais importante veio na sequência: a maioria das startups e fintechs cripto ainda opera com governança insuficiente em privacidade, AML e prevenção a fraudes.
“Os níveis de políticas de privacidade, lavagem de dinheiro e proteção a fraude nem sempre são os maiores”, afirmou Souza.
Blockchain invisível como estratégia de adoção
Um padrão que emergiu no debate foi a estratégia de remover fricção cognitiva pelo renome de ativos. Segundo Rocelo Lopes, sua empresa já retirou os termos técnicos no front-end:
“A gente não chama mais de USDT, a gente chama de dólar. A gente não chama mais de stablecoin, a gente chama de real.”
Regulação e confiança como habilitadores centrais
Por fim, os participantes convergiram em um ponto: inovação tecnológica não é suficiente. Confiança, proteção de dados e maturidade regulatória são os habilitadores reais da próxima fase de crescimento do setor.


