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Brasil é o 8º país mais barato para minerar Bitcoin com custo de US$ 111.862 por BTC

Levantamento da BestBrokers coloca Brasil entre os mercados mais competitivos para mineração de Bitcoin. Indonésia lidera com US$ 61.940. Reino Unido é o mais caro: US$ 265.873.

Brasil é o 8º país mais barato para minerar Bitcoin com custo de US$ 111.862 por BTC

O Brasil aparece na 8ª posição entre os países mais baratos para minerar Bitcoin num levantamento da BestBrokers com os 20 maiores mercados da atividade. O custo estimado de eletricidade para produzir 1 BTC no país é de US$ 111.862, abaixo de mercados como Estados Unidos (US$ 123.973), Alemanha e Singapura (ambos acima de US$ 200 mil).

A seguir:

  • O ranking completo dos países mais baratos e mais caros
  • Por que o custo de energia americano já supera o preço do Bitcoin
  • O impacto ambiental global da mineração e o caso extremo do Cazaquistão

O dado chega num momento de pressão crescente sobre a rentabilidade do setor: o halving de 2024 cortou pela metade as recompensas aos mineradores, e o Bitcoin segue abaixo das máximas de US$ 126.080 registradas em outubro de 2025. Com o BTC negociado em torno de US$ 65 mil, mineradores em mercados caros operam próximos ou abaixo do ponto de equilíbrio.

O ranking: quem minera mais barato

Apenas sete países apresentam custo menor que o Brasil para produzir um Bitcoin. O ranking dos mais competitivos:

  • 1º Indonésia: US$ 61.940 — tarifa: US$ 0,07/kWh.
  • 2º Cazaquistão: US$ 66.563 — US$ 0,07/kWh.
  • 3º Noruega: US$ 66.630 — US$ 0,07/kWh.
  • 4º Suécia: US$ 86.285 — US$ 0,09/kWh.
  • 5º Canadá: US$ 97.070 — US$ 0,11/kWh.
  • 6º Rússia: US$ 100.768 — US$ 0,11/kWh.
  • 7º China: US$ 105.391 — US$ 0,11/kWh.
  • 8º Brasil: US$ 111.862 — US$ 0,12/kWh.
  • 9º Tailândia: US$ 121.107 — US$ 0,13/kWh.
  • 10º EUA: US$ 123,973 — US$ 0,13/kWh.

Do outro lado do espectro, o Reino Unido é o mercado mais caro: US$ 265.873 por BTC. Alemanha, Singapura e Irlanda também superam os US$ 200 mil.

A situação americana: custo de energia já supera o preço do BTC

O caso dos Estados Unidos merece atenção especial. Com custo de US$ 123.973 por BTC e apenas o gasto de energia chegando a US$ 106 mil, os mineradores americanos operam num ambiente onde o custo de produção supera o preço de mercado da criptomoeda.

O estudo ressalva que isso não significa que todos os mineradores americanos operem com prejuízo. Contratos de energia mais baratos, máquinas mais eficientes, economia de escala e receitas adicionais de taxas de transação mudam o cálculo individual. Mas a pressão é real: os EUA concentram 38% de todo o consumo de energia da mineração global, com 132,6 GWh por dia, equivalente a 1,1% do consumo diário nacional de eletricidade.

O Brasil no contexto global

As operações brasileiras minam aproximadamente 1,49 BTC por dia e consomem cerca de 1,38 GWh de eletricidade diariamente. Com tarifa empresarial média estimada em US$ 0,12 por kWh, o gasto diário de energia da mineração no país chega a aproximadamente US$ 166.539.

O posicionamento competitivo do Brasil decorre principalmente do custo de energia. A matriz elétrica brasileira, com forte participação de hidrelétricas, oferece tarifas industriais mais competitivas que mercados desenvolvidos como EUA, Alemanha e Reino Unido, sem a vantagem adicional de energias ultra-baratas encontradas em Noruega, Islândia ou regiões específicas do Cazaquistão.

O impacto ambiental: 128 TWh e 34,5 milhões de toneladas de CO₂

O levantamento dimensiona o consumo energético global da mineração de Bitcoin: aproximadamente 128 TWh por ano, volume que supera ligeiramente a demanda total de eletricidade de países como Filipinas ou Países Baixos em 2025.

A pegada de carbono estimada é de 34,53 milhões de toneladas de CO₂ por ano, equivalente às emissões produzidas por mais de 7,5 milhões de carros com motores a combustão circulando durante um ano inteiro. O cálculo usa a premissa de que cada 1.000 kWh produzidos em 2026 emite, em média, 270 kg de CO₂.

O caso do Cazaquistão é o mais extremo: a mineração de Bitcoin representa mais de 14% de toda a demanda de eletricidade do país, levantando questionamentos sobre distribuição de recursos energéticos e estabilidade da rede elétrica nacional.

Os dez maiores consumidores em ordem de emissões anuais de CO₂:

  1. EUA (13,1 mi t),
  2. China (7,3 mi t),
  3. Cazaquistão (4,6 mi t),
  4. Canadá (2,2 mi t),
  5. Rússia (1,6 mi t),
  6. Alemanha (1,1 mi t),
  7. Malásia (866 mil t),
  8. Irlanda (680 mil t),
  9. Singapura (676 mil t),
  10. Tailândia (331 mil t).

A equação que está mudando

Alan Goldberg, da BestBrokers, resume a tensão do momento:

“Quando os preços do Bitcoin disparavam, o custo ambiental frequentemente ficava ofuscado pela rentabilidade. Em 2026, essa equação está mudando. Margens menores pressionam os mineradores menos eficientes, mas também levantam uma questão mais ampla: se os incentivos financeiros enfraquecem, o custo ambiental se torna mais difícil de justificar?”

Nesse sentido, o Brasil ocupa uma posição interessante. Com custo competitivo e matriz elétrica predominantemente renovável, o país oferece uma equação mais favorável que a média global tanto em rentabilidade quanto em impacto ambiental.

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