A seguir:
- Buenos Aires publicou edital de licitação para contratar plataforma tecnológica voltada à fiscalização de criptomoedas e ao combate à evasão de divisas na Argentina
- A ferramenta de fiscalização de criptomoedas permitirá que promotores identifiquem fraudes, bloqueiem ativos e reforcem acusações com relatórios extraídos diretamente da blockchain
- A adoção massiva de criptomoedas como fuga do peso argentino acelerou a decisão do governo de investir em tecnologia avançada de fiscalização do mercado digital
O Ministério Público Fiscal (MPF) de Buenos Aires deu um passo concreto rumo ao controle das finanças digitais no país: publicou um edital de licitação para contratar um software forense capaz de monitorar transações em criptomoedas realizadas por pessoas físicas e jurídicas na Argentina.
A medida evidencia uma virada importante na postura do Estado argentino diante do crescimento acelerado do mercado descentralizado.
O documento chegou ao público na última quarta-feira (1) e estabelece regras claras para empresas interessadas em fornecer a plataforma tecnológica.
Além disso, o prazo para envio das propostas se encerra nesta quinta-feira (9), o que torna o cronograma bastante comprimido e demonstra a urgência do governo em fechar o contrato.
Como funciona o rastreamento de criptomoedas previsto no edital
A Oficina de Administração Financeira (OAF) centraliza o recebimento das propostas comerciais em formato digital.
Dessa forma, empresas estrangeiras também podem participar do certame sem as barreiras burocráticas comuns em processos presenciais.
Cada candidata precisa apresentar os dados corporativos completos junto às especificações técnicas exigidas pelas autoridades portenhas.
O caderno de encargos fica disponível gratuitamente no portal oficial do órgão. Após o prazo de envio, os funcionários do setor financeiro abrem os arquivos e avaliam a viabilidade de cada solução submetida.
A escolha recai, portanto, sobre o sistema que melhor atender aos requisitos de inteligência investigativa cibernética definidos pelo MPF.
Alejo Folgueira, chefe do Ministério Público Fiscal, assinou a norma interna que autoriza e valida o prosseguimento da licitação.
Folgueira quer equipar os peritos da instituição com ferramentas capazes de identificar fraudes milionárias em mercados sem controle central, acelerando o processo para garantir a instalação do software no menor prazo possível.
Rastreamento de criptomoedas como resposta à evasão de divisas
A Argentina convive com uma adoção massiva de criptomoedas, impulsionada diretamente pela instabilidade crônica do peso argentino.
Muitos cidadãos transferem parte da renda para ativos digitais como forma de proteger o patrimônio fora do alcance imediato do sistema financeiro tradicional.
Essa migração de capitais pressiona o tesouro e força o Estado a buscar respostas tecnológicas mais sofisticadas.
Nesse contexto, o software que o MPF pretende contratar vai muito além de um simples monitor de transações.
A plataforma cruza registros imutáveis gravados nas blockchains e consegue identificar os proprietários reais de saldos mantidos em carteiras anônimas, incluindo aquelas vinculadas a paraísos fiscais ou estruturas societárias opacas.
O rastreamento de criptomoedas, assim, atinge diretamente quem usa ativos digitais para ocultar movimentações ao fisco.
Além disso, a ferramenta mapeia interações em diferentes protocolos e detecta remessas que não aparecem nas declarações contábeis convencionais.
Com isso, o Estado argentino amplia sua capacidade de tributar movimentações que, até então, passavam invisíveis aos grandes bancos e às autoridades fiscais.
Criptomoedas na mira: impacto no combate à lavagem de dinheiro
Um dos objetivos centrais da iniciativa envolve coibir o uso do sistema descentralizado por grupos criminosos dedicados à lavagem de dinheiro.
Os softwares forenses disponíveis no mercado entregam painéis visuais com alertas automáticos para infrações graves, o que facilita o trabalho dos auditores e reduz o tempo de investigação.
Os promotores de justiça podem anexar esses relatórios diretamente aos processos e robustecer as acusações perante os juízes, tornando as investigações mais sólidas e as condenações mais prováveis.
A tecnologia, portanto, não serve apenas para fiscalizar, ela fortalece toda a cadeia do sistema de justiça criminal voltado a crimes financeiros.
A Argentina se junta, assim, a outros países que já adotaram soluções semelhantes para rastrear criptomoedas em investigações oficiais.
O movimento reforça uma tendência global: governos ao redor do mundo enxergam a análise de blockchain como ferramenta indispensável para a segurança financeira e a arrecadação tributária.
Para o Brasil, vizinho direto com mercado cripto igualmente aquecido, o caso argentino funciona como um sinal de alerta e, possivelmente, como modelo a seguir.


