A seguir:
- O MJSP assinou contrato de R$ 170 mil com a Iafis para rastrear bitcoin e outras criptomoedas por meio da tecnologia blockchain.
- O Ministério Público ampliou o rastreio de bitcoin para sete estados brasileiros com a plataforma Reactor da Chainalysis.
- Os sistemas permitem identificar transações suspeitas, quebrar o anonimato de criminosos e gerar provas documentais para inquéritos.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) assinou, na terça-feira (28), um novo contrato para monitorar transações com Bitcoin e criptomoedas em todo o território nacional.
O valor repassado à empresa fornecedora chega a R$ 170 mil nesta fase inicial, dentro de um acordo maior homologado em R$ 8,67 milhões.
A medida reforça a estratégia do governo federal no combate ao crime organizado que se utiliza de ativos digitais para movimentar recursos ilícitos.
A Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) conduziu todo o processo de licitação eletrônica até a formalização do contrato.
A empresa vencedora, Iafis Systems do Brasil Ltda (Iafis), atendeu a todos os requisitos do edital e teve o acordo referendado pela diretora do fundo de segurança, Camila Pintarelli, por meio da plataforma federal de compras públicas.
Tecnologia blockchain no centro do rastreio de bitcoin
O software adquirido pelo governo foca especificamente em movimentações registradas em redes de tecnologia blockchain.
Além do acesso à plataforma, o contrato prevê a transferência de conhecimento técnico para os agentes públicos responsáveis pelas investigações, o que aumenta a capacidade operacional das forças de segurança a médio e longo prazo.
O representante da Iafis, Marcelo Luiz Faust, assinou o documento e se comprometeu a garantir suporte tecnológico por três anos consecutivos.
Essa cláusula protege o Estado contra falhas imprevistas no sistema e assegura continuidade nas operações de monitoramento de bitcoin e outros criptoativos.
O contrato também impõe regras rígidas de sigilo. A fornecedora não poderá divulgar dados obtidos durante operações policiais, ficando sujeita a multas em caso de falhas ou descumprimento das obrigações previstas. A vigência inicial cobre doze meses a partir da data de assinatura, com possibilidade de prorrogação via aditivos contratuais.
Rastreio de criptomoedas como resposta ao crime digital organizado
Crimes cibernéticos com pedido de resgate em bitcoin causam prejuízos crescentes aos cofres públicos e a empresas privadas.
Com a nova ferramenta, a SENASP amplia seu aparato investigativo para acompanhar a evolução das fraudes financeiras e dar suporte às forças estaduais de segurança em todo o país.
O software busca quebrar o anonimato de suspeitos ao mapear transações executadas fora da lei. Por meio do cruzamento de dados em tempo real, os agentes conseguem identificar a troca de propriedade de contas e rastrear o destino final de valores desviados.
Os relatórios gerados pela plataforma servem como provas documentais nos inquéritos conduzidos pelas autoridades de justiça.
Antes deste contrato, o governo já havia publicado acordos similares em dezembro de 2025, demonstrando uma política estruturada de investimento em tecnologia para monitoramento do mercado de bitcoin e criptomoedas no Brasil.
Ministério Público expande rastreio de bitcoin para sete estados com a Chainalysis
Paralelamente às ações do MJSP, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) formalizou a adesão de novos órgãos estaduais a um acordo para rastrear fundos ilícitos em redes de bitcoin e outros criptoativos.
A parceria com a empresa americana Chainalysis Inc. garante acesso ao software Reactor para procuradores de diversas regiões do país.
O Diário Oficial Eletrônico publicou os extratos dos termos de adesão na terça-feira (28). Sete novas unidades estaduais assinaram o acordo, incluindo os ministérios públicos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Maranhão, Amazonas, Goiás e Mato Grosso do Sul. A parceria também abrange a estrutura investigativa do Ministério Público Militar (MPM).
A plataforma Reactor decodifica endereços digitais e revela os vínculos entre contas sob suspeita, transformando códigos complexos em evidências visuais utilizáveis nos processos judiciais.
Além disso, o contrato estabelece treinamentos específicos para os servidores públicos habilitados, nivelando o conhecimento técnico das equipes em relação às movimentações diárias com bitcoin.
O compartilhamento da tecnologia entre diferentes órgãos reduz os custos operacionais e evita o desperdício de recursos na compra de sistemas isolados.
A formalização seguiu o artigo 184 da lei federal de licitações de 2021, garantindo o respaldo legal necessário para as adesões estaduais.


