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Argentina contrata software para rastrear Bitcoin em investigações

Ministério Público da Argentina escolheu a empresa Vec para fornecer licenças de software de rastreamento de Bitcoin e criptoativos a unidades de cibercrime e lavagem de dinheiro.

Argentina contrata software para rastrear Bitcoin em investigações

O Ministério Público Fiscal da Argentina concluiu na quarta-feira (1º) o processo licitatório para aquisição de um software de rastreamento de transações com criptomoedas. A empresa Vec venceu a seleção com uma proposta de aproximadamente US$ 94 mil, abaixo do orçamento aprovado de US$ 113 mil.

A contratação atende a demandas da Unidade Fiscal Especializada em Cibercrime e da unidade focada em lavagem de ativos do país. As licenças serão usadas em laboratórios forenses para rastrear movimentações de Bitcoin e outras criptomoedas em investigações criminais.

A seguir:

  • Como funcionou o processo licitatório e por que apenas duas empresas apresentaram propostas
  • O que a contratação revela sobre a capacidade investigativa cripto na Argentina
  • O contexto regional: como o Brasil e outros países da LATAM estão equipando suas autoridades

O processo licitatório

O Boletim Oficial argentino publicou o parecer formal da licitação nº 12/2026. Cinco empresas foram convidadas a apresentar propostas, mas apenas duas entregaram cotações dentro do prazo.

A empresa Iafis apresentou proposta de US$ 155 mil, valor 36% acima do orçamento aprovado. A legislação argentina estabelece margem máxima de 20% acima do teto estimado para aprovação. A comissão rejeitou a oferta por extrapolar esse limite.

A empresa Vec entrou com proposta de US$ 94 mil, abaixo do teto e em conformidade técnica com os requisitos das procuradorias. O relatório técnico das equipes forenses confirmou o cumprimento integral das especificações exigidas. A comissão recomendou a contratação da Vec, e o setor de contratos ficará responsável por formalizar a aquisição.

O que o software precisa fazer

Os critérios técnicos exigidos pelas unidades especializadas argentinas são consistentes com os padrões internacionais de inteligência financeira em blockchain: rastreamento de transações entre endereços, identificação de padrões de mixagem e estruturação, correlação com bases de dados de exchanges e carteiras conhecidas, e geração de relatórios utilizáveis em processos judiciais.

Ferramentas desse tipo, como as oferecidas por empresas como Chainalysis, Elliptic e TRM Labs, são hoje infraestrutura básica para unidades de crimes financeiros em países desenvolvidos. A contratação argentina sinaliza que o país está construindo capacidade investigativa equivalente, ainda que em escala menor.

O contexto regional: LATAM equipa suas autoridades

A compra argentina ocorre num momento em que reguladores e forças de segurança de toda a América Latina avançam na infraestrutura de rastreamento de criptoativos.

No Brasil, a Polícia Federal deflagrou nesta semana a Operação Exchange, que mira lavagem de R$ 10,4 bilhões via criptoativos em São Paulo. O Banco Central publicou a Resolução BCB 580, que enquadra exchanges como instituições financeiras com obrigações de PLD/FT a partir de 2027. E a Receita Federal opera a DeCripto (IN 2.291), que amplia a granularidade das informações reportadas sobre transações cripto.

Nesse sentido, a contratação argentina é parte de um movimento regional mais amplo: governos da LATAM estão deixando de tratar criptoativos como zona cinzenta e investindo ativamente em capacidade técnica para investigar crimes financeiros no setor.

O valor relativamente baixo da contratação, US$ 94 mil, reflete tanto a escala atual das operações forenses argentinas quanto o custo acessível que ferramentas de rastreamento blockchain atingiram nos últimos anos.

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