A Coinext, uma das maiores corretoras de criptomoedas do Brasil, anunciou nesta quinta-feira (3), que vai encerrar operações. A exchange, fundada em 2018 e com mais de 420 mil clientes, não conseguiu atender à nova exigência de capital do Banco Central.
A seguir:
- Por que a Coinext está fechando, e por que ela não é a única exchange nessa situação
- O cronograma oficial: datas exatas para vender, sacar e o que acontece se você não fizer nada
- Como pelo menos outras três grandes exchanges internacionais já sinalizaram saída do Brasil
A Coinext confirmou o encerramento voluntário e ordenado de suas atividades, segundo comunicado oficial. A empresa não atingiu o capital regulatório mínimo agora exigido pelo Banco Central para operar.
Dessa forma, quem tem saldo na plataforma já está correndo contra prazos concretos. Abaixo, o motivo do fechamento, o contexto do setor e o mais urgente, o que fazer com seu dinheiro agora.
Por que a Coinext está encerrando as operações
Em novembro de 2025, o Banco Central publicou as Resoluções BCB nº 519, 520 e 521. As normas criaram o regime de PSAV (Prestador de Serviços de Ativos Virtuais), segundo comunicado oficial do BC. A norma passou a valer em 2 de fevereiro de 2026.
O novo marco exige capital mínimo e sede física de uso exclusivo, proibindo coworking exceto para conglomerados. Também exige administradores residentes no país, conforme o texto da Resolução BCB nº 519, além de regras de governança e prevenção à lavagem de dinheiro.
A Coinext não atingiu o patamar de capital social exigido. Por isso, optou por um encerramento controlado em vez de arriscar uma intervenção regulatória.
A exchange chegou a somar 8% do volume nacional de criptomoedas ainda em seu primeiro ano, segundo dados da própria empresa. No entanto, o histórico recente já mostrava fragilidade.
A Coinext teve contas encerradas por bancos como Itaú e Bradesco no passado, levando o caso ao Cade. A própria corretora afirmou que isso já havia causado perda de clientes antes mesmo da nova regulação.
Coinext não é um caso isolado, veja a onda de exchanges fechando no Brasil
A NovaDAX anunciou seu próprio encerramento em 8 de junho de 2026, citando uma “avaliação estratégica do grupo controlador”. O anúncio veio em meio ao mesmo endurecimento regulatório do Banco Central.
O cronograma da NovaDAX seguiu lógica parecida com a da Coinext. Depósitos suspensos, depois uma janela para vendas, em seguida só saques, e liquidação automática dos ativos remanescentes ao final do prazo.
Executivos de pelo menos três grandes exchanges internacionais confirmaram planos de deixar o Brasil, sob anonimato, segundo reportagem da Cointelegraph Brasil. Um deles resumiu: “o mercado não é suficiente para bancar a operação”.
O custo de adequação às novas regras varia de R$ 3 milhões a R$ 6 milhões por mês. Isso não inclui o capital social que ainda precisa ser integralizado. Uma exchange do top 10 do país estaria em crise de liquidez, buscando comprador, Binance e Mercado Bitcoin já teriam recusado.
Além disso, especialistas apontam uma tendência de concentração de mercado. A saída seria das empresas menores, incapazes de bancar a nova estrutura de compliance. Portanto, é provável que outras corretoras brasileiras anunciem fechamentos até o fim de 2026.
O que fazer agora se você tem cripto ou dinheiro na Coinext
Esta é a parte que mais importa: o prazo já começou a correr. Ignorar os avisos significa perder o controle sobre quando e como seu dinheiro sai da plataforma.
O cronograma completo
Segundo o FAQ oficial da Coinext, estas são as datas que valem a partir de agora:
- 3 de setembro de 2026: fim de novos depósitos e de abertura de novas contas
- 15 de outubro de 2026, 23h59: fim das negociações, não será mais possível comprar ou vender ativos
- 20 de outubro de 2026, 23h59: prazo final para sacar criptomoedas para uma carteira externa
- A partir de 26 de outubro de 2026: liquidação automática dos ativos que sobrarem, convertidos em reais a preço de mercado
- 30 de novembro de 2026: último dia para consultar o histórico de operações na própria plataforma
- A partir de 1º de dezembro de 2026: suporte segue ativo por prazo indeterminado, apenas para saques e consultas, via [email protected]
Três caminhos possíveis
A Coinext lista três opções práticas no seu comunicado oficial.
- Primeiro: vender a criptomoeda até 15 de outubro e sacar o valor em reais via Pix, essa opção não tem prazo final definido.
- Segundo: sacar diretamente as criptomoedas para uma carteira externa, com prazo até 20 de outubro.
- Terceiro: migrar voluntariamente para Mercado Bitcoin ou OKX, com cupom de migração (COINEXTMB).
Além disso, quem não vender nem sacar corre um risco concreto. Qualquer ativo remanescente será liquidado automaticamente a partir de 26 de outubro, a preço de mercado do momento. Ou seja: não pelo preço que o usuário talvez preferisse.
Sendo assim, o passo mais simples e seguro é agir antes das datas-limite, verificando saldo, dados bancários cadastrados e exportando o histórico de transações. Contudo, quem deixar para a última hora ainda recebe o valor em reais, só que sem escolher o momento da venda.
O fim da era das exchanges “não regulamentadas”
O encerramento da Coinext confirma um movimento já sinalizado por analistas do setor. O mercado brasileiro de criptoativos está passando por uma consolidação forçada pela regulação. Empresas que não integralizarem capital, não tiverem sede física exclusiva ou não cumprirem as novas exigências de governança tendem a sair, voluntariamente ou não.
Para o usuário final, a lição prática é direta. Antes de escolher qualquer corretora hoje, vale checar sua situação regulatória. O ideal é confirmar se ela já obteve, ou está em processo avançado para obter, a autorização como PSAV junto ao Banco Central.


