A Daycoval Corretora divulgou uma análise mapeando quais setores da Bolsa tendem a se beneficiar dependendo do resultado das eleições presidenciais de 2026, com a disputa apontando para um segundo turno competitivo entre Luiz Inácio Lula e Flávio Bolsonaro. O estudo desenha dois portfólios distintos, com lógicas opostas de política fiscal, juros e risco-país.
A seguir:
- Quais empresas a Daycoval indica para um cenário de reeleição de Lula
- Quais setores ganham com uma vitória de Flávio Bolsonaro
- Como juros longos e prêmio de risco entram nessa equação
Com os candidatos em empate técnico nas pesquisas, bancos e gestoras passaram a estruturar carteiras para os dois desfechos possíveis. A Daycoval foi além e nomeou empresas concretas em cada cesta, o que torna o relatório uma referência direta para investidores que acompanham o Ibovespa.
O pano de fundo é a percepção de que cada governo carrega premissas distintas para câmbio, trajetória fiscal e abertura ao capital estrangeiro, e que essas premissas já se refletem nos preços de ativos antes mesmo do resultado.
O portfólio Lula: exportadoras, estatais e geração de caixa
Na hipótese de reeleição de Lula, a Daycoval aponta preferência por exportadoras como Embraer e Gerdau, que se beneficiam de câmbio mais depreciado e demanda externa, além de serem menos sensíveis à política doméstica de crédito.
Construtoras voltadas ao segmento de baixa renda, como Cury e Direcional, também entram na lista, sustentadas pela continuidade de programas habitacionais com subsidio público. A corretora ainda destaca empresas com baixo endividamento, estatais e companhias reguladas, com ênfase na Petrobras.
Fecham a cesta de Lula negócios sensíveis a juros, caso de B3 e Localiza, mais seguradoras como Caixa Seguridade e operadoras como a TIM. A lógica é que a continuidade do governo atual mantém o foco na trajetória das contas públicas sem grandes surpresas de política monetária, favorecendo empresas com geração de caixa previsível e fluxo estrangeiro.
O portfólio Flávio Bolsonaro: varejo, crédito e queda de juros longos
Uma vitória de Flávio Bolsonaro muda o mapa radicalmente. A Daycoval projeta benefícios para varejistas, construtoras de médio e alto padrão e companhias ligadas ao mercado de capitais, além de setores cíclicos com maior exposição ao crédito.
O elo entre essas escolhas é a expectativa de queda nos juros de longo prazo e compressão dos prêmios de risco associados à mudança de governo. Um câmbio mais apreciado, combinado com menor percepção de risco fiscal, tenderia a beneficiar importadoras e empresas com dívida indexada ao CDI de curto prazo.
A corretora avalia ainda que ativos ligados ao mercado de capitais, como gestoras e corretoras listadas, responderiam à maior atividade no Ibovespa decorrente de eventual retomada do fluxo estrangeiro.
Sobre o Banco do Brasil, os analistas pontuam que a ação “negocia a múltiplos mais baixos e tende a responder melhor à retomada do fluxo estrangeiro, embora a melhora operacional deva permanecer gradual”, segundo análise publicada pelo Estadão E-Investidor com base no relatório da corretora.
Risco eleitoral já está no preço?
O dólar voltou a superar R$ 5,00 em sessões recentes, movimento que analistas de câmbio associaram diretamente ao ambiente eleitoral. Esse tipo de volatilidade reforça a tese de que o mercado já precifica parcialmente os dois cenários, tornando a alocação setorial mais relevante do que apostas direcionais em índice.
Para o investidor de varejo, a análise da Daycoval serve como guia de quais setores monitorar conforme o noticiário eleitoral avança. O segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro promete manter o Ibovespa em compasso de espera, com rotações setoriais ditadas pelas pesquisas de intenção de voto.
A disputa pelo voto cripto, aliás, já apareceu neste ciclo: um site chegou a oferecer criptomoedas em troca de manifestações de apoio a Flávio Bolsonaro, episódio que expôs a interseção entre ativos digitais e política eleitoral brasileira.
Perguntas frequentes
A Daycoval recomenda comprar essas ações agora?
O relatório mapeia setores que tendem a se beneficiar em cada cenário, mas não constitui recomendação de compra ou venda. A decisão de investimento depende do perfil de risco e do horizonte de cada investidor.
O que acontece com a Bolsa se o resultado for contestado ou houver segundo turno apertado?
Disputas eleitorais indefinidas costumam elevar a volatilidade do Ibovespa e pressionar o câmbio. Nesses momentos, ativos defensivos e exportadoras com receita em dólar historicamente absorvem melhor as oscilações.
Petrobras aparece nos dois cenários ou só no de Lula?
A Daycoval cita a Petrobras especificamente na cesta do cenário Lula, associada à continuidade das políticas para estatais e companhias reguladas. No cenário Flávio Bolsonaro, o foco recai sobre varejistas, construtoras de alto padrão e empresas ligadas ao mercado de capitais.


