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O que mais preocupa os brasileiros em 2026? Veja o que a pesquisa revela

Segurança, saúde e corrupção lideram os problemas do Brasil, segundo pesquisa BTG Pactual/Nexus de junho 2026. Inflação e juros ficam de fora do top 3.

O que mais preocupa os brasileiros em 2026? Veja o que a pesquisa revela

Violência nas ruas, fila no posto de saúde e corrupção. São esses os três problemas que mais tiram o sono do brasileiro, segundo levantamento divulgado na segunda-feira, 15 de junho. Inflação e juros nem chegaram perto do pódio.

A seguir:

  • A pesquisa ouviu mais de 2 mil brasileiros entre 12 e 14 de junho. Os resultados surpreendem
  • Inflação aparece com apenas 11% das menções. Taxa de juros, com 2%
  • O cenário político e econômico revela por que o dado importa para o mercado cripto

A Pesquisa de Opinião Eleições 2026 BTG Pactual/Nexus, realizada pelo instituto Nexus entre 12 e 14 de junho com 2.017 entrevistados em todo o país, mostrou um Brasil preocupado com segurança e saúde, não com política monetária.

Segundo a pesquisa, o dado é revelador: enquanto o Banco Central debate taxas e metas fiscais, a maioria da população mira em outros alvos. E isso tem consequências diretas para a campanha eleitoral que se aproxima.

O que o brasileiro aponta como principal problema do país

A metodologia combinou resposta espontânea para o principal problema e resposta múltipla para o segundo. Os números são claros.

O pódio: segurança, saúde e corrupção

Segundo a pesquisa o ranking dos principais problemas ficou assim:

  • 33% dos entrevistados apontaram “segurança, violência e criminalidade” como o principal ou segundo principal problema
  • 25% indicaram “saúde pública”
  • 23% citaram “corrupção”

Três temas que não dependem da Selic. Três temas que qualquer candidato precisa dominar para conquistar votos.

Gráfico mostrando as principais preocupações dos brasileiros em 2026, com dados da pesquisa BTG Pactual/Nexus. Segurança, violência e criminalidade lideram com 33%, seguido por saúde pública (25%) e corrupção (23%).

Inflação existe, mas não lidera

O conjunto “inflação, custo de vida e preços altos” foi mencionado por 11% dos respondentes. Não é irrelevante. Mas está longe do topo.

“Gastos públicos e gastos do governo” apareceu para 4%. E “taxa de juros e aumento da taxa de juros” foi apontada por apenas 2% como um dos principais problemas do país.

Contudo, isso não significa que os juros não dói. Significa que o brasileiro não consegue fazer a conexão direta entre a Selic e o preço que paga nas parcelas do cartão.

Por que juros alto incomoda, mas não vira voto

O cartão de crédito rotativo cobrava 428,3% ao ano em março de 2026, segundo o Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, divulgado em 27 de abril. O número é escorchante. Mas o debate sobre ele recai no Banco Central e nos bancos, não no governo.

A taxa de juros gera ruído técnico. Quem cobra é o banco. Quem define a Selic é o Copom. O presidente assina medidas de estímulo à demanda. A conta não fecha para o eleitor médio.

Sendo assim, o resultado da pesquisa faz sentido: o brasileiro sente os juros no extrato, mas não o vota nas urnas.

Em 2026, os impulsos fiscais e parafiscais do governo federal têm impacto estimado em 1% do PIB sobre a demanda. Com o tempo, o efeito pode chegar a 2% do PIB.

Programas sociais, crédito subsidiado e injeção direta de recursos sustentam consumo. E consumo, para o eleitor, vale mais que debate sobre metas fiscais.

O cenário político e o que vem pela frente

A pesquisa BTG Pactual/Nexus também trouxe intenções de voto. Lula aparece com 49% contra 43% de Flávio Bolsonaro no segundo turno, segundo dados de 15 de junho. É a primeira vez na série histórica que o petista vence fora da margem de erro de 2 pontos percentuais.

O senador Flávio Bolsonaro enfrenta perda de reputação associada ao caso do Banco Master, que está em liquidação extrajudicial. O rombo é estimado em R$ 50 bilhões junto a poupadores e investidores.

A proximidade de Flávio com o dono do banco, Daniel Vorcaro, pesa. E pesquisa eleitoralmente.

O Copom e a Selic a 14,25%

Na quarta-feira, 17, o Copom anunciou redução da Selic para 14,25% ao ano. No comunicado, o comitê foi direto: os estímulos à demanda do governo enfraquecem parte dos canais de transmissão da política monetária.

Portanto, mais gasto público significa mais pressão inflacionária. E mais pressão inflacionária significa menos espaço para cortes de juro. O ciclo político-econômico está enredado, e o mercado acompanha.

Por que o dado de percepção importa para cripto e finanças digitais

O mercado cripto não vive em bolha. Ele é impactado pela confiança do consumidor, pela disponibilidade de renda e pelo ambiente macro.

Um brasileiro preocupado com violência e saúde, que não vê inflação como prioridade política, é um brasileiro que ainda não conectou reserva de valor a ativos digitais. Mas isso muda conforme a educação financeira avança.

Além disso, o resultado indica que o candidato eleito em 2026 terá que entregar segurança pública antes de reformas econômicas estruturais. O que atrasa, possivelmente, qualquer agenda de regulação cripto mais assertiva.

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