Violência nas ruas, fila no posto de saúde e corrupção. São esses os três problemas que mais tiram o sono do brasileiro, segundo levantamento divulgado na segunda-feira, 15 de junho. Inflação e juros nem chegaram perto do pódio.
A seguir:
- A pesquisa ouviu mais de 2 mil brasileiros entre 12 e 14 de junho. Os resultados surpreendem
- Inflação aparece com apenas 11% das menções. Taxa de juros, com 2%
- O cenário político e econômico revela por que o dado importa para o mercado cripto
A Pesquisa de Opinião Eleições 2026 BTG Pactual/Nexus, realizada pelo instituto Nexus entre 12 e 14 de junho com 2.017 entrevistados em todo o país, mostrou um Brasil preocupado com segurança e saúde, não com política monetária.
Segundo a pesquisa, o dado é revelador: enquanto o Banco Central debate taxas e metas fiscais, a maioria da população mira em outros alvos. E isso tem consequências diretas para a campanha eleitoral que se aproxima.
O que o brasileiro aponta como principal problema do país
A metodologia combinou resposta espontânea para o principal problema e resposta múltipla para o segundo. Os números são claros.
O pódio: segurança, saúde e corrupção
Segundo a pesquisa o ranking dos principais problemas ficou assim:
- 33% dos entrevistados apontaram “segurança, violência e criminalidade” como o principal ou segundo principal problema
- 25% indicaram “saúde pública”
- 23% citaram “corrupção”
Três temas que não dependem da Selic. Três temas que qualquer candidato precisa dominar para conquistar votos.

Inflação existe, mas não lidera
O conjunto “inflação, custo de vida e preços altos” foi mencionado por 11% dos respondentes. Não é irrelevante. Mas está longe do topo.
“Gastos públicos e gastos do governo” apareceu para 4%. E “taxa de juros e aumento da taxa de juros” foi apontada por apenas 2% como um dos principais problemas do país.
Contudo, isso não significa que os juros não dói. Significa que o brasileiro não consegue fazer a conexão direta entre a Selic e o preço que paga nas parcelas do cartão.
Por que juros alto incomoda, mas não vira voto
O cartão de crédito rotativo cobrava 428,3% ao ano em março de 2026, segundo o Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, divulgado em 27 de abril. O número é escorchante. Mas o debate sobre ele recai no Banco Central e nos bancos, não no governo.
A taxa de juros gera ruído técnico. Quem cobra é o banco. Quem define a Selic é o Copom. O presidente assina medidas de estímulo à demanda. A conta não fecha para o eleitor médio.
Sendo assim, o resultado da pesquisa faz sentido: o brasileiro sente os juros no extrato, mas não o vota nas urnas.
Em 2026, os impulsos fiscais e parafiscais do governo federal têm impacto estimado em 1% do PIB sobre a demanda. Com o tempo, o efeito pode chegar a 2% do PIB.
Programas sociais, crédito subsidiado e injeção direta de recursos sustentam consumo. E consumo, para o eleitor, vale mais que debate sobre metas fiscais.
O cenário político e o que vem pela frente
A pesquisa BTG Pactual/Nexus também trouxe intenções de voto. Lula aparece com 49% contra 43% de Flávio Bolsonaro no segundo turno, segundo dados de 15 de junho. É a primeira vez na série histórica que o petista vence fora da margem de erro de 2 pontos percentuais.
O senador Flávio Bolsonaro enfrenta perda de reputação associada ao caso do Banco Master, que está em liquidação extrajudicial. O rombo é estimado em R$ 50 bilhões junto a poupadores e investidores.
A proximidade de Flávio com o dono do banco, Daniel Vorcaro, pesa. E pesquisa eleitoralmente.
O Copom e a Selic a 14,25%
Na quarta-feira, 17, o Copom anunciou redução da Selic para 14,25% ao ano. No comunicado, o comitê foi direto: os estímulos à demanda do governo enfraquecem parte dos canais de transmissão da política monetária.
Portanto, mais gasto público significa mais pressão inflacionária. E mais pressão inflacionária significa menos espaço para cortes de juro. O ciclo político-econômico está enredado, e o mercado acompanha.
Por que o dado de percepção importa para cripto e finanças digitais
O mercado cripto não vive em bolha. Ele é impactado pela confiança do consumidor, pela disponibilidade de renda e pelo ambiente macro.
Um brasileiro preocupado com violência e saúde, que não vê inflação como prioridade política, é um brasileiro que ainda não conectou reserva de valor a ativos digitais. Mas isso muda conforme a educação financeira avança.
Além disso, o resultado indica que o candidato eleito em 2026 terá que entregar segurança pública antes de reformas econômicas estruturais. O que atrasa, possivelmente, qualquer agenda de regulação cripto mais assertiva.


