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Fraude bilionária no INSS usou criptomoedas; blockchain evitaria escândalo

Ministro da AGU confirma uso de criptomoedas em esquema que desviou R$ 6,3 bilhões de aposentados; especialistas defendem uso de blockchain.

Idosos. Imagem:Pexels.

A fraude bilionária que atingiu aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entre 2019 e 2024 utilizou criptomoedas para ocultar os valores desviados, revelou o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.

As investigações apontam que a organização criminosa responsável pelo esquema recorreu a ativos digitais com o objetivo de dificultar o rastreamento dos recursos.

“Há uma estratégia de ocultação patrimonial fora do Brasil, conforme temos notícias nos relatórios de inteligência. Estamos expedindo ofícios às corretoras de criptomoedas com o objetivo de localizar e penhorar valores existentes”, afirmou o ministro durante coletiva realizada em 8 de maio.

Tecnologia blockchain poderia ter prevenido esquema

Apesar do uso de criptomoedas para esconder o dinheiro, especialistas apontam que a própria tecnologia blockchain — base das transações com criptoativos — poderia ter evitado fraudes dessa magnitude.

Para Caroline Nunes, fundadora da InspireIP, o caso do INSS expõe falhas estruturais nos sistemas públicos de informação. Nunes destaca o potencial da blockchain para trazer mais segurança, rastreabilidade e transparência ao setor público:

“Com a tecnologia blockchain, um dado falso pode continuar sendo um dado falso, mas ela impede que ele seja apagado ou manipulado sem deixar rastro”, explicou ao Cointelegraph Brasil.

Segundo a especialista, a imutabilidade e auditabilidade da blockchain dificultariam a execução e o encobrimento de fraudes como as reveladas na Operação Sem Desconto, que identificou descontos indevidos em aposentadorias e pensões que somam até R$ 6,3 bilhões.

Falhas sistêmicas e governança deficiente

A executiva critica a infraestrutura digital do governo federal, que sofre com baixa integração entre sistemas, validação precária de dados e ausência de mecanismos robustos de governança.

“Ainda vivemos em um cenário com muitas ‘ilhas de informação’, o que permite que fraudes passem despercebidas por longos períodos”, completou Caroline.

Dentre as soluções propostas, está o uso de contratos inteligentes (smart contracts) para condicionar qualquer desconto em benefícios do INSS a registros de consentimento válidos, assinados digitalmente e carimbados com data em uma blockchain pública como a Ethereum ou Polygon.

A adoção de redes públicas, aliada a criptografia de dados sensíveis (como as provas de conhecimento zero), poderia garantir privacidade sem abrir mão da auditabilidade.

AGU intensifica combate aos envolvidos

A AGU já solicitou à Justiça medidas como:

  • bloqueio de contas bancárias
  • suspensão de atividades das entidades investigadas
  • apreensão de passaportes dos acusados
  • penhora de valores transacionados em criptoativos.

Além disso, o governo notificará exchanges de criptomoedas no Brasil e no exterior para rastrear os fluxos financeiros suspeitos.Cinco servidores do INSS e um policial federal foram afastados por decisão judicial.

Blockchain no setor público: exemplos internacionais

Casos de uso bem-sucedidos da blockchain no setor público reforçam a viabilidade da tecnologia. Estônia, Geórgia e Emirados Árabes Unidos já utilizam blockchains públicas para registros médicos, jurídicos, de terras e serviços governamentais.

Para Caroline, o Brasil precisa investir em sistemas modernos e integrados que garantam validação eficiente, rastreabilidade e auditoria automatizada.

“O desafio não é apenas tecnológico, mas institucional. O Estado precisa fazer escolhas que protejam o cidadão e evitem que fraudes como a do INSS se repitam”, concluiu.

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